Brasileirão sob suspeita
Coisas estranhas acontecem no futebol brasileiro há muito tempo. A bem da verdade, não só no Brasil. Em outros países estouram de vez quando escândaos diversos, em especial envolvendo árbitros.
A bomba que estourou há pouco, no meio da tarde deste sábado, é demais. Mais do que demais, é estranha. A Confederação Brasileira de Futebol, a tal CBF, recebeu uma denúncia de que estava sendo planejada uma tentativa de manipulação do resultado do jogo Goiás x São Paulo e preferiu preservar o árbitro Wagner Tardelli. Segundo a entidade, foi impedida uma tentativa de suborno, já que um envelope com dinheiro enviado ao árbitro foi interceptado antes de chegar às mãos dele.
Bem, se conseguiu interceptar, sabem quem foi o remetente e ou o portador. Tem a obrigação de anunciar os nomes. A obrigação, em nome da moralidade que ainda resta no futebol. A CBF se cala e diz que só se pronuncia segunda-feira.
Dizem até que havia ingressos para um show de Madonna dentro do envelope. Uma grana foi interceptada a caminho do bolso de um árbitro. Primeiro, será mesmo verdade? Depois, o árbitro sabia disso, ou seja, estava mesmo engavetado? Como a CBF soube? E como conseguiu tomar o dinheiro? A manipulação seria a favor de quem? Quantos outros envelopes viajaram por este Brasileirão antes sem que ninguém soubesse?
Eu poderia citar aqui uns dois ou três juizes que erraram acima da cota cabível no oportuno chavão 'errar é humano', um escudo usado pelos honestos e desonestos.
Agora, poucos clubes foram tão bafejados pela sorte com arbitragem nas últimas rodadas quanto o SP.
É pura sorte mesmo? Árbitros erram, porque errar é humano. O Edilson também é humano e 'errou' no Brasileiro de 2005. A CBF e o STJD detonaram o campeonato diante da descoberta que os erros de Edilson (que nem foram tão chamativos e grosseiros quanto muitos deste campeonato) eram propositais. E foi mesmo só o Edilson? Ou ele foi o boi de piranha?
O Inter acabou pagando o pato naquele ano. Alguém esqueceu a árbitragem do Márcio de Freitas (Corinthians e Inter), que logo depois se aposentou?
Em nota oficial, a CBF explica que o presidente Ricardo Teixeiro determinou a Sérgio Corrêa, presidente da Comissão de Arbitragem, que realizasse um novo sorteio neste sábado. Assim, ficou decidido que Jailson Macedo Freitas, da Bahia, apita o jogo. Ele será aulixado por Alessandro Rocha Matos, também da Bahia, e Milton Otaviano dos Santos, do Rio Grande do Norte.
Que trio para um jogo tão importante! Não queria estar na pele desse baiano. Esse juiz é o mesmo que não deu sequer cartão amarelo para o Kléber que acertou cotovelada no Guinazu, no Beira-Rio. É o mesmo que marcou os incríveis seis segundos de demora do goleiro do Figueira e dali resultou o gol da vitória do Grêmio.
A direção do Grêmio declarou que o campeonato está sob suspeita. E tem razão.
Wagner Tardelli acha que a medida tomada pela CBF garante o respeito que conseguiu em 20 anos de arbitragem.
- Estou preparado e em condições de apitar o jogo. Mas em função desses acontecimentos, que tenho certeza de que o presidente Ricardo Teixeira vai apurar até o fim, a CBF fez bem em realizar um novo sorteio. Além do que, eu sou o primeiro interessado em que tudo seja devidamente apurado - diz, em entrevista ao site da CBF.
Tem gato na tuba. Essa história é muito estranha.
O caso Edilson tem um grande mérito: provou que os árbitros de futebol, assim como deputados, vereadores, juízes, etc, também são suscetíveis ao suborno, e que nós podemos ter razão, às vezes, quando gritamos "juiz ladrão".
Escrito por Ilgo Wink às 19h36
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