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Roger vai, Débora fica

Em todas os notícias há sempre aspectos positivos e negativos.

Os fatos nunca são completamente bons, ou completamente ruins, salvo exceções que não contam porque são exceções.

A saída relâmpago de Roger. Pegou todo mundo com as calças na mão: a imprensa, a torcida, a direção gremista.

É ruim pro Grêmio, sem dúvida. Bom para os colorados, principalmente porque estão na iminência de perder o Guiñazu e até o Alex. Não adianta chorar, esta é a realidade do futebol brasileiro. Quem tem grana vem aqui e leva quem quiser e estamos conversados.

Mas há um aspecto positivo. Com o Roger longe, no outro lado do planeta, a Débora Secco fica livre, leve e solta.

Bom para gremistas, colorados, vascaínos, flamenguistas, pelotenses... Não, pelotenses não.

A direção do Grêmio ficou indignada. Foi a última a saber, igual a marido enganado. Ficou ressentida. O presidente Paulo Odone ficou furioso.

Agora, se o contrato permite que o jogador saia a hora que quiser, não há o que reclamar, só a lamentar.

Além disso, Roger, beirando os 30 anos, vai ganhar 5 milhões de dólares em dois anos, pelo que li e ouvi. Quem pode condenar o jogador?

Sabendo, ainda, que há qualquer momento ele pode brigar com o técnico, o que não é difícil pelo modo que o sr. Roth trata os jogadores nos treinos.

Sem contar que tem muito gremista que o chama de 'chinelinho'.

Roger vai, virá outro, o outro irá um dia, assim como tantos já vieram e partiram.

Que seja feliz o Roger.



Escrito por Ilgo Wink às 20h07
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O goleiro psicólogo e os equatorianos de Porto Alegre

Cevallos ensinou como se pega pênalti. Defendeu três e acabou com o sonho de Renato Portaluppi e de toda a torcida do Fluminense.

 

Cevallos ensinou seus colegas de posição como se faz. Tirou a concentração dos batedores. Aí está o segredo.

 

Essa de ir para o fundo da goleira, ficar de cócoras, de costas para o campo enquanto o cobrador se prepara para bater, é um lance genial. Depois, ele se levanta lentamente, gesticula como se falasse com algum ser invisível.

 

Só esse teatro já invade a mente do cobrador. ‘Que diabos está fazendo esse cara?’, deve se perguntar o batedor, desviando o foco do principal, a cobrança do pênalti, o ato de bater na bola e mandá-la para a rede.

 

Mas Cevallos ainda fez mais. Ficou inquieto sobre a risca, um passinho pra cá, outro pra lá. Inverteu a lógica da cobrança: de vítima a ser executada pelo carrasco, passou a ser ele o algoz.

 

A movimentação do goleiro e seu gestual me lembraram do Zetti, que ficava sob a trave erguendo os braços como se fosse alçar vôo. Uma tentativa de desconcentrar o cobrador.

 

Cevallos, porém, fez mais, um mestre a ser imitado. Se eu ali, sentado no sofá, sem a pressão de 90 mil pares de olhos sobre mim, já fiquei irritado, imagine o que se passou na cabeça dos jogadores do Fluminense naquele momento.

 

Na comparação: o Fernando Henrique parado, uma ovelha esperando ser abatida pelos equatorianos. Igual a maioria dos goleiros. Cheguei a pensar FH poderia em determinado momento inventar algo parecido, mas ele ficou parado, sem ação. Bom para os adversários, seus carrascos, que o executaram sem dó nem piedade.

 

Como se não bastasse, Cevallos acrescentou mais uma encenação quando o nome do jogo até ali, Thiago Neves, foi bater. Ele liquidou com o jogador do Flu ao sair da goleira para falar com o árbitro justamente quando Thiago já ameaçava correr para a bola. Ali, ele tirou de vez, ou de vereda, a concentração do craque do jogo.

 

Um registro: se eu tivesse que responsabilizar alguém pela ‘derrota’ do Flu, seria o Washington. Um matador como ele não pode perder os gols que perdeu. Um lá em Quito no começo do jogo, outro no Maracanã. Gols que até o Herrera (fase grêmio) marcaria.

 

Já o Renato, embora tivesse falado demais antes da partida, defeito que precisa corrigir, provou que é um grande treinador. Ele só não contava que havia um Cevallos no meio do caminho. Fosse qualquer outro goleiro, acredito que o Flu seria campeão da Libertadores.

 

Por último, o que tem de equatoriano em Porto Alegre!. Nas ruas e nas redações de esporte.

 



Escrito por Ilgo Wink às 10h56
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A bebida e a alegria de viver

Viver está cada dia mais difícil. Viver bem, então, é quase impossível. Os prazeres da vida nos são retirados aos poucos, mas de modo contínuo.

Ir a um estádio de futebol, a um Gre-Nal, por exemplo, é uma aventura digna de um Indiana Jones.

Sair à noite é uma demonstração de coragem semelhante a que teve o bandeirinha que marcou o pênalti do Renan no clássico.

No Campeonato Brasileiro, perdemos a emoção do formulismo e enveramos pela monotonia dos pontos corridos.

Nossos maiores talentos do futebol se foram ou estão de malas prontas.

Poderia desfiar aqui uma série de prazeres que nos foram extraídos nos últimos tempos. É uma lista interminável.

Os fumantes, coitados. Chego a ter pena deles, embora os despreze por terem caído nesse vício idiota de segurar um treco entre os dedos e inundar o pulmão de uma fumaça maligna e fedorenta. Estão encurralados. Tem empresa que não contrata fumantes, por várias razões, uma delas é que ele perdem muito tempo se deslocando para fumar  - aqui no CP é nas sacadas do prédio. é uma vai-e-vem constante.

O Paulo Moura, com suas quase oito décadas é um que não larga o vício e vira e mexe está na sacada. As belas gurias da editoria de política também.  

Mas eu queria falar mesmo é do trago, da ceva, do vinho nosso de cada dia ou só dos finais de semana.

A noite ficou mais triste. E as mortes no trânsito e as brigas com mortos e feridos continuam. Os gambás verdadeiros vão continuar aprontando.

Já aqueles que só querem uma cervejada animada com os amigos ficam tolhidos, intimidados.

E a azaração sem um traguinho para descontrair. Ninguém mais pega ninguém. Uma chatice.

A tolerância zero na ingestão de álcool é um exagero. Os seis decigramas de álcool por litro estavam de bom tamanho. Era só cumprir a lei e aumentar a multa, como fizeram agora.

O Supremo Tribunal Federal vai ser acionado em breve e acho que essa história vai mudar.

Se isso continuar, logo teremos demissões nas cervejarias, nas vinícolas, nos bares, nos restaurantes, etc.

Uma pesquisa divulgada hoje diz que a queda na venda de bebidas alcoólicas na noite de POA caiu em quase 40 por cento nos últimos dias.

É um índice elevado, preocupante, alarmante.

Desemprego à vista.

A vida assim perde um pouco de sua graça. 



Escrito por Ilgo Wink às 22h10
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Renan, o salvador de Celso Roth

Bem, depois do que escrevi ontem prevendo empate ou vitória do Inter eu nem pensava mais em escrever sobre o Gre-Nal.

Como eu esperava, o Tite mostrou que é melhor técnico que o Celso Roth, não que isso signifique grande coisa, mas é o que tenho repetido aqui e em outros espaços.

Foi um banho tático, a começar pela ousadia em começar com o Taison. Na rádio Guaíba, sexta-feira, no programa Terceiro Tempo, sugeri que o Tite começasse com o Taison no ataque, ao lado do Nilmar, nunca com o Gil, como se cogitava no momento.

O Taison entrou e arrebentou. O que posso fazer se conheço demais futebol? Nada, a não ser me vangloriar. Erro algumas vezes, raras vezes, mas erro.

Em contraponto, o sr. Celso Roth fez um favor ao Inter: tirou Rafael Carioca, o melhor do time na média neste Brasileirão, ao lado do goleiro Victor. Não há explicação para isso, a não ser que estavamos falando de Roth, que está completando 4 meses e meio de Grêmio. Ou seja, o prazo de validade está se esgotando.

Mas o que leva a escrever é a sandice cometida pelo Renan. Renan salvou Roth de uma vaia monumental, porque o Inter se encaminhava tranquilamente para uma vitória, a vitória que previ aqui ontem.

Renan, com a bola segura em suas mãos, agrediu Rodrigo Mendes com um pontapé na barriga (mesmo se fosse involuntário seria falta e, dentro da área, pênalti), exatamente na linha de visão do auxiliar. Na hora, me pareceu um choque normal do goleiro com o atacante, mas após a repetição pela TV ficou claro o lance faltoso.

A lamentar que alguns colegas da imprensa, mesmo vendo e revendo o lance, não tenham visto falta no lance, nem voluntária, nem involuntária.

A lamentar mais ainda que Renan com seu lance irresponsável e completamente desnecessário tenha evitado a vitória de Tite sobre Roth. O que me leva a declarar que Tite não vive uma fase de sorte, enquanto Roth ganhou nas graças dos deuses do futebol.



Escrito por Ilgo Wink às 20h45
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