A 'nova laranja' caiu do pé mais cedo e a volta de Jardel

Normalmente, não costumo assistir a jogos entre seleções européias. Nas vezes em que não resisto e vou pra frente da TV saio com aquele sentimento que faz parte de todos nós, a inveja. Ela aflora e, como diz uma bichinha da redação do CP, ‘toma conta de todo o meu ser’.
É que o jogo entre eles normalmente segue quase sem interrupção, são passes rápidos e precisos, ninguém faz catimba, e não é porque o árbitro deixa correr, como gostam de dizer alguns por aqui. Os jogadores é que se preocupam em jogar futebol, fazendo faltas, mas só quando necessário, mas poucas vezes com a intenção de parar o jogo.
Então, vi um jogo fantástico entre Holanda e Rússia.
Mas por que fiz isso? De tanto ouvir maravilhas sobre a seleção da Holanda, que havia vencido seus três jogos pela Eurocopa dando espetáculo, achei por momentos que poderia estar aí uma nova ‘laranja mecânica’.
Sou um descrente. Na sexta-feira, o Chico Izidro, que entrou em férias de 30 dias (folga para nós que ficamos - brincadeirinha, o Chicão é a alma da redação, ao lado de seu fiel escudeiro Alfredo Possas) me garantiu que a seleção holandesa era um fenômeno, que eu não poderia deixar de ver.
Desconfiei e disse que já havia visto a ‘laranja mecânica’ ressuscitar inúmeras vezes, mas que ela sempre caía antecipadamente do pé. E sentenciei:
- Vou ver a Holanda, então, mas já sei que será o fim dela.
O Chico cruzou a redação rindo e partiu sem olhar para trás. Sabia que, nos últimos tempos, basta eu me fixar num objetivo que normalmente dá tudo errado, em especial nas coisas do futebol.
E não é que foi o fim da Holanda, mesmo? Foi empate por 1 a 1 no tempo normal. Depois, mais 30 minutos de prêmio para nós telespectadores. Me senti gratificado diante daquele futebol apresentado pelos dois times. Aí, deu Rússia por 3 a 1. E só não foi mais porque os holandes têm um goleiro diferenciado, Van der Saar (acho que é assim que se escreve).
Agora, a Holanda jogou um futebol bonito, objetivo, aliando técnica e velocidade. Coisa que não vejo na seleção brasileira há anos. Fiquei com inveja.
Invejei também os russos. Que grande equipe está nascendo aí! Pela TV, me pareceu um time jovem, um time que deverá incomodar muito na próxima Copa.
E mais, tem um craque, além de outros bons jogadores: é o meia atacante Arshavin.
É um misto de Zico com Maradona. Para provocar o Possas: com uma pitada de Carlinhos Bala. Rápido, habilidoso, forte (resiste bem ao choque, algo fundamental no futebol de hoje), inteligente e objetivo. Não sei se ele joga sempre assim, mas ontem ele foi espetacular.
Arshavin fez as jogadas (belíssimas) de dois gols e ainda marcou o seu.
A Holanda tem uma grande seleção, mas como tem acontecido desde a legítima ‘laranja mecânica’, em 1974, morreu na praia. Uma pena para o futebol, porque poderia servir de inspiração para uns e outros que pensam que possuem o melhor futebol do mundo.
JARDEL
Sábado, ao meio-dia, fui assistir ao showbol, no Tesourinha. Jogavam Grêmio e Atlético Mineiro. De um lado, Carlos Miguel, Paulo Nunes, Alexandre Xoxó e ele, Jardel. De outro, Cléber e uns jogadores mais jovens, que não reconheci.
Valeu a pena, porque foi um jogo forte, brigado e emocionante. O Atlético goleou. Jardel fez um gol e perdeu um pênalti. Paulo Nunes e Alexandre foram destaques do Grêmio.
Jardel mostrou que precisa de um bom tempo ainda para poder voltar em grande estilo. Pelo menos um ou dois meses.
Mas percebi que ele está motivado, feliz e determinado. Atendeu os fãs com carinho e atenção. Bonito de se ver. oO cidadão Jardel está no bom caminho para recuperar-se. Diante disso, o atleta Jardel em breve também estará apto a voltar a ser um centroavante perigoso, dificilmente o mesmo de antes, mas ainda assim melhor que os Tutas da vida.
Escrito por Ilgo Wink às 12h12
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