Fernandão, a Seleção e a Dupla no Brasileiro
Nas arquibancadas, nas redações, nos bares, nas ruas, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé, só se fala na saída do Fernandão. Pegou de surpresa todo mundo, inclusive o próprio jogador, pela sua reação tão emotiva, com lágrimas. Dele e de todos os colorados que conheço (se bem que alguns festejaram, vá se entender).
Semelhante ao que aconteceu com Iarley. A impressão é que eles foram convidados a se retirar do bailão vermelho. É a panelinha sendo desfeita, a começar pelo ‘chef’ Abel.
A verdade é havia um processo de desgaste dos três.
Sei que os colorados estão tristes e eu, como admirador do futebol do Fernandão, tanto pela técnica como pela inteligência (rara) para jogar, lamento porque perdemos todos nós que apreciamos qualidade nos gramados.
Agora, para Fernandão foi bom. E o tempo vai mostrar que foi bom também para o Inter. Por que? Ao deixar o clube neste momento de reformulação e quando seu futebol já era questionado por setores da imprensa e uma parcela significativa da torcida (minoria que vinha crescendo), Fernandão corria o risco de começar a ser vaiado.
Logo ele, Fernandão, o maior ídolo colorado desde Falcão. O líder de um time que conquistou o máximo no futebol.
Depois de chegar no topo, no coração dos colorados e em sua trajetória no Beira-Rio, Fernandão começaria a descer, talvez muito lentamente, mas a descida era inevitável. Ao deixar o clube agora, ainda com a aura de herói e idolatrado pela imensa maioria dos colorados, Fernandão fixou-se para sempre na história do Inter com um de seus principais jogadores, se não o maior de todos em razão dos títulos que conquistou.
Sempre que ele voltar ao Beira-Rio – e ele voltará –, Fernandão irá receber o carinho de sua torcida, a exemplo do que ocorre hoje com Renato Portaluppi.
Nesta época de profissionalismo exacerbado, frio, em que só o dinheiro conta, não é pouca coisa.
Fato consumado, a lamentar apenas que não houve um jogo de despedida.
No futebol, como na vida, infelizmente quase não há tempo para lágrimas, risos e abraços. E despedidas.
A fila anda.
Seleção
A Seleção acabou de sofrer o segundo gol do Paraguai, que um minuto antes teve um jogador expulso. O Brasil começou muito mal. Dunga pensou bem ao escalar três volantes. Mas errou ao permitir a marcação muito recuada, em vez de pressionar na saída de bola paraguaia.
A todo instante o Galvão Bueno criticava a postura brasileira. Coisa de time pequeno, repetia, sinalizando um processo de fritura global. Mesmo com um jogador a mais, o Brasil teve dificuldade.
E quarta-feira tem a Argentina. A casa pode cair.
BRASILEIRÃO
Vibrei com a dupla Gre-Nal. Torci muito para que Tite começasse com vitória. O Inter fez 2 a 1 no Botafogo, mas foi um jogo complicado. Tite está chegando num momento de turbulência. Perdeu Fernandão. Pode perder Alex e Nilmar está fora por enquanto. E logo em seguida tem Gre-Nal.
Já o Grêmio continua me surpreendendo. Não pelo futebol, que é ruim, de doer, mas time que joga mal também pode ganhar. Não está proibido. O Grêmio teve um Vitor sensacional no Serra Dourada. Na frente, Marcel mostrou para os descrentes que é um matador. Fez dois na vitória de 3 a 0.
Aliás, ainda me lembro do quanto clamei por Marcel no lugar do T... (não ouso repetir esse nome, porque não dá sorte).
O Grêmio foi eficiente, conseguiu aquilo que interessa, a vitória sobre o Goiás, em pleno Serra Dourada. Uma façanha.
O futebol está sempre nos reservando surpresas.
Escrito por Ilgo Wink às 17h30
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