O chinelinho e torcedor-treinador
O torcedor ao meu lado no estádio Olímpico, acompanhado de sua mulher, passou o tempo todo gesticulando e gritando, como se ele (não o Celso Roth) fosse o treinador do Grêmio.
Era o torcedor-treinador. Um chato. Fiquei com pena da mulher dele, uma senhora simpática, tranqüila, tolerante. Mas feia.
Informo que ela é feia, porque talvez isso explique o que o chato dizia sempre que o Roger errava algum lance, e ontem, como sempre, ele intercalou jogadas bisonhas com grandes lances, alguns de alta técnica.
- Chinelinho. É um chinelinho mesmo -, urrava o torcedor-treinador a cada erro do Roger. Nos acertos, silêncio total. Só pode ser inveja do sucesso de Roger com as mulheres. É o único que ele pegava no pé. Fora uma ou outra crítica contra o Eduardo Costa ('tem que mandar embora de uma vez', dizia ele).
Foi um jogo de nível técnico precário. Dentro clima de CPI do Detran, diria que o Grêmio fez um primeiro tempo com freio de mão puxado, enquanto o Fluminense andou em marcha lenta. O time visivelmente está de ressada depois do porre de felicidade que foi eliminar o Boca Juniors.
Não sei se estou ficando exigente demais, mas o fato é que não gostei do Grêmio. Mesmo contra um Fluminense sonolento, o Grêmio errou passes demais e chegou poucas vezes com perigo na área do Flu. O goleiro quase não trabalhou. Agora, a marcação foi ótima, trabalho facilitado, repito, pela preguiça de Dodô e Washington, que se arrastavam no gramado.
Tinha grande expectativa com o lateral Felipe. Péssimo no primeiro tempo, ele voltou muito melhor no segundo, mostrando aí sim que pode ser titular.
Rafael Carioca de novo muito bem, apesar de um primeiro tempo aquém de jogos anteriores. No segundo, foi perfeito. O melhor em campo.
Ouvi que em algumas emissoras o Perea foi eleito o melhor. Estou enlouquecendo ou não entendo mais nada. O colombiano fez o primeiro gol pegando rebote na pequena área. Depois, só errou. Errou, errou e errou. Ele e Reinaldo.
Lá pelas tantas, no segundo tempo, cheguei e praguejar em voz alta contra o Perea. 'Não joga nada, tem que mandar embora', eu dizia, completando com algum palavrão.
Como sempre acontece nessas ocasiões, a minha vítima vai à desforra. Ele fez o segundo gol.
A gremistada ao meu redor olhou pra mim discretamente. Achei melhor não falar mais nada. Bastaram os gols para que tudo mais fosse esquecido por boa parte dos colegas da imprensa.Perea o melhor em campo. É o fim dos tempos.
Já o Celso Roth parecia querer entregar a partida. O Reinaldo, que se arrastava em campo (o Perea ao menos correu e marcou) está pedindo para sair. Roth esperou que ele fizesse um pênalti ridículo para fazer a substituição.
Pensei que entraria o Soares ou o Marcel. Entraram dois volantes. Por momentos esqueci que o técnico do Grêmio é, ainda, Celso Roth.
Acho que a conta vai ser cobrada pelo Goiás no Serra Dourada.
Para concluir, o bom de assistir aos jogos em meio ao povo é perceber, por exemplo, que o torcedor vibra com gols que o rival, no caso o Inter, sofre, como se fosse gol do Grêmio. A cada gol da Portuguesa, muita festa. E mais, como a gremistada gosta do Jardel e do Renato. Os dois foram recebidos com emoção e carinho para torcida. E bem que eles merecem.
Escrito por Ilgo Wink às 21h54
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