Dodô e Riquelme: assim dá gosto ver futebol
O melhor da noite de ontem foi a vitória por 3 a 1, de virada, do Fluminense sobre o temível Boca Juniors.
Mas o desespero dos argentinos no final, ‘correndo atrás do prejuízo’ como costumam dizer alguns narradores de futebol de vez em quando, não tem preço. Ver o Palermo nervoso botando o dedo na cara do Tiago Silva não tem preço. Ver o Riquelme quase anulado pelo Arouca, numa marcação mano a mano que o Mano achou que não precisava ser feita, também não tem preço.
A cereja do bolo foi ver a manchete do debochado diário Olé, de Buenos Aires, em sua verão online, estampando a dor de Palermo com a derrota: Un Macanazo.
O título Un Macanazo é em referência a farsa, engano, mentira, que foi a partida na opinião do jornal (Macana, em espanhol, tem esses significados). Além disso, também vale como trocadilho em relação ao Maracanazo, episódio como ficou conhecida a derrota da seleção brasileira para o Uruguai na final da Copa de 1950 no Maracanã.
A manchete mostra, também, que eles já tinham pronta a manchete que eles gostariam de publicar: Maracanazo.
Aliás, ontem à noite, antes da partida, o colega Carlos Corrêa, fã do Boca, já comentava que o Olé faria a manchete com essa expressão, que eles repetem sempre que podem. O Carlos e o Chico Izidro juravam que o Boca venceria o Fluminense. Eu os desafiei com uma aposta: pegava o Fluminense, porque, conforme escrevi aqui há três semanas, o time do Renato talvez seja o melhor do país no momento.
Os dois recuaram com uma provocação: se o Ilgo aposta no Flu, é sinal de que o Boca ganha. Por que essa bobagem?
Só porque na véspera, o São Caetano perdia para o Brasiliense por 2 a 1, no segundo tempo. E eu declarei, bem alto, que “se o São Caetano depende de gol do Tuta, não empata de jeito algum”. Foi só terminar a frase que o São Caetano empatou, mas sem gol do Tuta.
Depois de citar Tuta, fico obrigado a me referir ao seu oposto: Dodô.
Sempre fui fã dele, desde o tempo de São Paulo. Lembro que tempos atrás, o Inter procurava um atacante. Dodô estava fora do país. O Hiltor me respondeu que o Fernando Carvalho (um grande presidente de clube também erra) tinha informação de que o Dodô estaria ‘bichado’.
Pois o Dodô acabou com o Boca, só pra provar de novo que um jogador de talento faz a diferença. Sofreu a falta do primeiro gol do Flu, numa cobrança magnífica do Washington. Depois, no segundo gol, deu uma arrancada fantástica, entre três zagueiros homicidas e lançou Dario Conca, que marcou o segundo gol, contando com a sorte.
No final, como prêmio, Dodô marcou o seu com muito estilo, elegância, categoria, técnica e inteligência, tudo o que não vejo em ninguém mais no futebol brasileiro.
Agora, a bem da verdade, o Boca foi melhor. Não fosse o goleiro Fernando Henrique, que sepultou a fama de frangueiro, a história seria diferente. Ele mostrou também que nem todos os Fernando Henrique são inconfiáveis.
O Boca é um espetáculo de time de futebol: técnica, garra, aplicação tática, entrosamento e uma entrega invejável de cada um de seus jogadores. E Riquelme, que mesmo bem marcado, é um jogador diferenciado. Um craque.
Mas, como disse Riquelme, o geniozinho argentino:
- Faltou ganhar, nada mais.
Escrito por Ilgo Wink às 10h58
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