Alienação e o poderoso futebol europeu
Se eu não estivesse numa fase de alienação da realidade política-criminal brasileira, poderia escrever sobre a devastação da floresta amazônica, dessa nova gang de 40 denunciados (caso Detran), imitando os 40 do mensalão.
Poderia escrever sobre as milhares de vítimas dessa arapuca armada no Detran. Gente que pagou caro para ter sua carteira de motorista, que rodou nas provas por detalhes, com único objetivo arrecadatório.
Poderia escrever sobre a Marina, em cuja gestão foi devastada APENAS uma área de floresta equivalente ao território do RS. Ou comentar a frase do sr Lula. "A Amazônia é nossa", disse ele. Faltou acrescentar "... e das madeireiras", legítimas exterminadoras do futuro.
São tantos assuntos que me chocam (não me chocam mais na verdade) e me irritam, me revoltam. Isso faz mal, me dá azia, me deixa de mau-humor, etc.
Então, como estou nessa fase feliz, de alienação total, sigo falando do 'ópio do povo'. O meu ópio. Futebol
A Fifa começa a discutir hoje, dia 29, em seu encontro anual, na Austrália, a proposta de que cada time europeu pode ter no máximo cinco jogadores estrangeiros em campo.
Ontem, a União Européia rejeitou a idéia e diz que vai recorrer a tribunais internacionais para manter a coisa como está, ou seja, liberalidade total. Afinal, jogadores de futebol são trabalhadores e os trabalhadores por lá têm livre circulação.
Por outro lado, a poderosa UEFA, a união dos clubes do futebol europeu, tem um projetinho danado de ruim para nós do terceiro mundo. Para neutralizar a proposta da Fifa, a entidade quer uma lei que obrigue os clubes europeus a usar um determinado número de jogadores formados em suas categorias de base, mas não faz menção à nacionalidades desses atletas.
Nessa proposta está embutida uma sacanagem: buscar jogadores cada vez mais jovens por aqui e levá-los para os juvenis e até infantis. Quer dizer, não sobraria pedra sobre pedra. O Pato, por exemplo, que foi embora com 17 anos, poderia sair, digamos, com 14 ou 15.
É mais ou menos o que pode ocorrer lá na amazônia: primeiro eles cortam as árvores grandes, cochudas, as Preta Gil da selva; depois, quando terminam as rechonchudas, vão pegando as Juliana Paes; chegam nas mais magrinhas, tipo Gisele Bündchen; até atingir as menores, em formação, como as jovens modelos, que deixam as bonecas de lado para desfilarem pelo mundo.
Futebol e mulheres (mesmo só pela TV, o futebol e as mulheres): como é boa essa vida de alienado.
Escrito por Ilgo Wink às 22h37
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