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Roth, Roger e o escorpião

Errei de novo. No dia 16 de fevereiro escrevi que o Roger não ficaria um mês no Grêmio, a partir da chegada de Celso Roth. Já se passaram mais de três meses e ele continua, ele e a Débora. 

A primeira rixa (pelo menos público), ou primeiro conflito, entre os dois já aconteceu. Está nos jornais deste sábado. Aliás, o Correio do Povo e a Zero Hora saíram com edição muito parecida, ambos com a foto de Roger e Roth e as frases que foram ditas e captadas pelos repórteres. 

À beira do campo, junto à casamata onde ficam os setoristas, o técnico chamou a atenção de Perea, Soares e, principalmente, de Roger. Logo de Roger, o único entre os três que jogou bem contra o Flamengo. Chamou os três de preguiçosos, de treinarem carrancudos (logo ele, Roth). Se eu fosse Roger, jogaria sempre carrancudo se tivesse que trocar passes com essa dupla de atacantes, a gente nunca sabe o que eles vão fazer com a coitadinha da bola.

 

A briga foi mesmo com Roger, ídolo dos gremistas, principalmente das mulheres gremistas. 

E foi bem próximo dos repórteres, como se quisesse que todos ouvissem que ele, Roth, estava ‘regando’ o craque do time.

 Estaria Roth castigando Roger porque o jogador saiu de campo na partida contra o Flamengo desgostoso pela substituição?

 Ultimamente, Roth tem se mostrado afável nas entrevistas. É outro Roth, juram aqueles que com ele convivem mais de perto.

 Deve estar fazendo terapia ou se violentando. Ou as duas coisas. Em qualquer das hipóteses, a recaída é quase inevitável. Ser Roth é mais forte que tudo. Ninguém consegue deixar de ser o que é assim tão facilmente, tão rapidamente. Ninguém foge à sua natureza.

 

E isso me remete à fábula do escorpião:

 

Era uma vez um escorpião desejoso de praticar o bem. Como não era bem visto pela comunidade local, resolveu ir viver do outro lado do rio. Lá, poderia exercitar seu altrísmo sem desconfianças.

 

Mas ele não sabia nadar e precisava atravessar de uma margem para a outra. E sua espécie ainda não havia acumulado o conhecimento náutico suficiente para construir um barco viável para fazer a travessia.

 

Então resolve pedir carona nas costas de um sapo. Vai lá conversar com ele para expor seu pleito.

 

O sapo o ouve atentamente. Pensa que o escorpião o está confundindo com um burro e declara:

 

- Senhor escorpião, não posso dar-lhe carona em minhas costas porque durante a travessia o senhor vai me ferroar.

 

O escorpião, leitor assíduo de Aristóteles e de São Tomás de Aquino, replica imediatamente e diz:

 

- Senhor sapo, eu jamais o ferroaria na travessia, pois ao fazê-lo, o senhor afundaria e eu morreria afogado.

 

Realmente, sapo não é burro mas é batráquio.

 

Pois não é que o sapo acatou o arrazoado do escorpião, reviu sua opinião e resolveu dar a carona!

 

Porém, em dado momento da travessia, o sapo sentir penetrar profundamente o agulhão em sua carne sapal.

 

E, já se debatendo, ainda teve tempo de perplexamente perguntar ao escorpião:

 

- Mas por quê?

 

E, antes da submersão, ouviu a seguinte resposta escorpiônica:

 

- É algo acima de mim, fora de meu controle, é de minha natureza!

 

Confiram agora parte do que escrevi no dia 16 de fevereiro:

 

‘... O Roth é como o Lula, não se pode esperar nada de bom.

Ontem, o Abel Braga elogiou o Roth (só pode ser sacanagem ou corporativismo). Disse que ele fazia boa campanha na Sul-Americana.

 Informação: nos últimos onze jogos no Vasco, Roth ganhou uma partida, foi contra o Botafogo. O time estava mal no Brasileiro e na Sul-Americana.

 Em 37 partidas, foram 15 derrotas, 15 vitórias e 7 empates.

 Então, o Grêmio errou ao contratar Mancini, acertou ao corrigir o erro imediatamente, e agora erra ao contratar Roth. Em breve, acertará ao demiti-lo, o que não deverá demorar muito.

 Outra coisa: o Roger fica no Olímpico por quanto tempo? Façam suas apostas. Dou um mês, no máximo.

 Se bem que o meu palpite é que o Roth entra por uma porta, e o Roger sai por outra.

 E leva consigo a Débora Secco.

 E isso é imperdoável.’

 

 



Escrito por Ilgo Wink às 11h10
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Panelinhas e confissões impossíveis

Segunda-feira, quando se discutia o isolamento de Nilmar, cogitei a possibilidade de que poderia ser alguma coisa de panelinha no grupo. Alguma coisa contra o Nilmar.

No jogo contra o Juventude, no Alfredo Jaconi, derrota de 1 a 0, Nilmar foi substituído e deixou claro que não gostou de ter saído. O problema é que quem entrou foi Iarley, um dos cabeças do grupo, ao lado de Fernandão e Alex, e talvez mais uns dois ou três. É uma panelinha do bem. Mas as panelinhas do bem, podem virar para o mal se sentirem ameaçadas ou ofendidas.

Eu entendo de panelinha. Em 1983, fiz matéria de página inteira do velho Correio do Povo revelando a panelinha que existia no Grêmio. O líder era De León. Renato Portaluppi o vice. Estavam no grupinho de cervejada e tudo mais o Osvaldo, o Paulo César e mais uns dois ou três. Era uma panelinha do bem, que levou o time a ser campeão do mundo. Essa panelinha é que colocou Paulo César no time na final, sacando Casemiro, que era o titular. Portanto, eu entendo de panelinha, sinto a presença de uma à distância.

 Bem, voltamos ao presente. O grupo pode ter se sentido incomodado. Afinal, sem Nilmar, e com Iarley, o time conquistou grandes títulos, os maiores de sua história. 'Quem é esse pirralho para ficar indignado ao ser substituído pelo Iarley?', podem ter pensado os líderes.

Pode ter começado aí o isolamento de Nilmar. Está bem, a minha imaginação é fértil, posso estar viajando.

O Carlos Corrêa, setorista do Grêmio, ponderou: 'Mas os caras estão toda hora lançando bola pra ele no ataque'.

Concordo, mas lançam a bola e não se aproximam como deveria, com rapidez, com vontade. Algo assim: toma a bola e te vira.

No dia seguinte, surgiu o boato de que realmente haveria esse conflito no vestiário, principalmente entre Fernandão, que é o grande líder do grupo e da panelinha (todos os times têm pelo menos uma panelinha no vestiário) e o Nilmar.

Mas seria por motivos financeiros, já que Nilmar estaria ganhando muito mais que os outros. Nisso eu não acredito. Acredito mais na minha tese.

Nilmar afrontou o espírito de grupo ao não aceitar a substituição por Iarley. Pra mim, isso está muito claro. Se essa situação realmente foi para dentro de campo, não sei. Mas desconfio que sim.

Admito, porém, que seria mau profissionalismo demais se isso for verdade. Agora, quem acompanha futebol sabe que não seria a primeira vez que um grupo age assim para punir alguém que parece se considerar superior aos demais.

Agora que o caso saiu do vestiário, prevejo uma atuação formidável contra o Flamengo, com Nilmar recebendo a bola e o Fernandão aparecendo ligeiro para tabelar.

É claro que os dois desmentiram a suposta briga.

Alguém imaginou que, mesmo sendo verdade, os dois admitiriam um conflito, um desentendimento que chegasse a ponto de prejudicar o time em campo?

É o mesmo que esperar que o pessoal da TBZ desembarcasse em Porto Alegre admitindo problemas, que a empresa passa cheque sem fundo, etc.

Ou que um dos tantos indiciados no caso Detran (e agora tem mais essa história cabeluda envolvendo o Banrisul, sem contar a história da casa da governadora) chegue na CPI e diga: 'Sim, pessoal, eu sou ladrão'.

Ou que o Lula assuma o caso do mensalão, o caso dos cartões corporativos, o caso do dossiê armado contra a oposição na última eleição, e por aí vai.

Eu espero sentado.



Escrito por Ilgo Wink às 22h23
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Pena de Celso Roth

Jamais pensei que um dia sentiria pena do técnico Celso Roth. Foi ontem, no Olímpico. Mais exatamente na metade do segundo tempo do jogo contra o Flamengo.

O ataque epilético do Grêmio, a dupla nota 10 em correria e ZERO em lucidez e inteligência futebolística, Perea e Soares, perdia jogada após jogada no ataque, entre um e outro acerto que em nada resultavam, a não ser em outra conclusão errada. A torcida já se remexia na arquibancada, sentindo que não passaria mesmo do 0 a 0, apesar do domínio quase absoluto (o goleiro Victor quase não trabalhou).

Os primeiros murmúrios de impaciência devem ter chegado aos ouvidos de Celso Roth. Antes de o time entrar em campo, Roth já ouvira a forte vaia que se seguiu ao anúncio de seu nome pelo serviço de alto-falante do estádio. Previsível. Todos os jogadores foram saudados, nome após nome. No final, vaia para o nome do treinador.

Senti pena dele quando alguns torcedores ao meu lado começaram a reclamar, chamar o técnico de burro, etc. Quem ele tem para melhorar o ataque?, perguntei a mim mesmo, já sabendo a resposta. Ninguém. Nada. Zero.

Aí, entram Jonas e Rodrigo Mendes. Saem Perea e o jogador mais lúcido do time, o Roger. Cansado?

Jonas e Rodrigo Mendes para em 15 ou 20 minutos fazer um golzinho no Flamengo, todo encolhido, fechado atrás, respeitando demais o Grêmio, na minha opinião.

Quando vi essas duas figuras entrando em campo é que eu senti pena de Roth. E se o Flamengo numa escapada do Renato Augusto, excelente meia, faz um golzinho desses de xiripa (é assim que se escreve)?

Cai o Roth, cai a casa. Só não cai a direção que não conseguiu contratar um camisa 9 de qualidade, alguém que possa tabelar com o Roger, com o Eduardo Costa, o Rafael Carioca, todos jogadores inteligentes e técnicos?

Pensei no Mendes nesse ataque. atacante experiente, inteligente, boa técnica e matador. A direção do Grêmio desprezou. Parece que vem de novo o Marcel, que tem qualidades, mas que não está conseguindo jogar, mostrar seu jogo, fazer gols. Quem aposta de novo no Marcel, não poderia ter apostado no Mendes?

Roth conseguiu neutralizar o bom time do Flamengo, um trabalho facilitado porque Souza nem Obina jogaram. Mérito para Roth. Tivesse qualidade ofensiva, com certeza teria vencido.

Conclusão: como escrevi dias atrás, o time do Grêmio não é tão desgraçado. Pelo contrário.

O Victor é um goleiro muito bom. O trio de zagueiros é acima da média (o Rever é um espetáculo de técnica, tem muita qualidade); o Léo, este é de Seleção, e Pereira, cada vez melhor; os dois volantes são nota 10, com destaque para esse garoto, o Rafael Martins, grande dupla com Eduardo Costa. O lateral esquerdo, outro garoto, Élder, joga muito e ainda vai crescer mais. No meio,  o Roger dá o ritmo, o tempo certo da jogada. Só falta mai envergadura física para vencer as disputas corpo a corpo. E aí chego no que se define de ataque, que realmente é um ataque de time de segunda divisão. Por último, o lateral Paulo Sérgio. No máximo, no máximo, um reserva.

No começo da noite, o Inter perdeu para o Palmeiras, 2 a 1. Numa contabilidade inicial, jogo se poderia computar como perdido. Nenhum demérito. Ainda mais com a expulsão de Edinho no primeiro tempo. A partir daí, o Inter tinha mais é que lutar para garantir o empate, o que por pouco não conseguiu, o que mostra que o time está forte e é mesmo um dos favoritos ao título brasileiro.



Escrito por Ilgo Wink às 20h49
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