Juremir e os cordiais inimigos
No final da tarde gris e chuvosa deste domingo eu só pensava no Juremir. Se eu tivesse cochilado, por certo sonharia com o Juremir. O Juremir não saía da minha cabeça. Quase uma obsessão.
Por um lado foi bom, porque isso me fez esquecer o Lula, a Dilma, os cartões corporativos, o Detran, o assassinato da pequena Isabella.
Por um determinado período, eu e o Juremir fomos setoristas do Grêmio. Eu pelo CP, ele pela ZH. Um tentando furar (no sentido jornalístico) o outro. Nos tratávamos por "cordial inimigo".
Foi por isso que me lembrei do Juremir. Aconteceu no meio do jogo entre Caxias e Inter, no Centenário. Ainda no primeiro tempo, o Inter ficou com um jogador a menos em campo. Carlão foi expulso (a meu ver o primeiro cartão amarelo que ele levou foi uma invenção do Leandro Vuaden, que decidiu de uma hora para outro punir o rodízio nas faltas, o que não vi nenhum árbitro fazer nos últimos tempos).
Enfim, com um jogador a mais, estádio lotado, o Caxias murchou. O segundo tempo foi inacreditável. Com um a menos, o Inter dominou, foi dono do jogo, e no fim foi recompensado com um gol, criação do garoto Adriano, excelente atacante.
Ao ver o Caxias com aquela postura tímida, quase covarde, me lembrei do Juremir. Olhando pra beira do gramado, vi dois amigos, ou "cordiais inimigos": Abel e Gilson Kleina. Éramos assim eu e o Juremir, cada um em sua "casamata", mas sempre mantendo uma relação amigável.
Ali no Centenário, o confronto entre o mestre e o pupilo. O pupilo parecia incomodado em se atravessar no caminho do mestre. Enquanto Abel ajustava a equipe para compensar a perda de um jogador, Kleina se deixava abater, quase sem reação, perdendo uma grande oportunidade de largar com vitória na semifinal do Gauchão.
Acredito que o presidente do Caxias, apesar de simpatizante do Inter e admirador de Fernando Carvalho, irá cobrar, digamos, mais atitude de seu treinador. Aliás, é o mínimo que ele deve fazer.
Afinal, ao longo dos 90 minutos, o Caxias levou algum perigo ao goleiro Clemer duas ou três vezes apenas, mostrando uma fragilidade e uma impotência desconhecidas até aquele momento no Gauchão.otência desconhecidas até aquele momento no Gauchão.
Foi aí que a lembrança de Juremir ficou mais forte ainda. Não pude deixar de lembrar de sua coluna de 7 de abril no CP, dia seguinte aos 3 a 2 do Juventude sobre o Grêmio, no Olímpico.
Brilhante como sempre, Juremir escreveu sobre essa história de matriz e filial, uma história estimulada por todos os colorados desde os 4 a 0 na Copa do Brasil de 99.
Em síntese, em tom irônico e jocoso, Juremir escreveu que o Juventude, que vencia por 3 a 0, se esforçou para perder para a "matriz".
Achei o texto muito divertido. Mas hoje não posso deixar de traçar um paralelo com o que houve no Centenário, até porque os gremistas costumam dizer que o Caxias costuma facilitar contra o Inter, o que igualmente considero uma brincadeira.
Agora, se o Juventude se esforçou para deixar escapar a vitória no Olímpico, como frisou o Juremir (brincando, claro), é razoável afirmar que o Caxias se esforçou para não vencer o Inter. Ou não?
Mas claro que tudo isso não passa de uma brincadeira.
Afinal, repetindo o título da coluna do Juremir, 'Futebol é coisa séria'.
QUESTÃO DE ORDEM
O novo diretor de futebol do Grêmio, André Krieger, confirmou Celso Roth de treinador. Imagino que seja para não ter de pagar mais um treinador.
No futebol é assim: quem começa mal, encaminha mal e tem tudo para terminar mal.
É um acúmulo de erros e o preço deverá ser alto.
Errou ao contratar Mancini; errou ao contratar Roth; e agora erra ao mantê-lo.
Escrito por Ilgo Wink às 22h12
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