Mendes é o cara

Quando entrei na redação do CP no final da tarde deste domingo imaginava encontrar bandeirolas vermelhas, faixas saudando a vitória do Juventude sobre o Grêmio, colorados com sorriso de orelha a orelha, mas me deparei com um ambiente tranqüilo.
Fiquei intrigado, porque afinal de contas o Juventude havia eliminado o Grêmio, afastado o Grêmio do caminho do Inter em sua tentativa de retomar a hegemonia regional.
Estariam os colorados preocupados porque terão o Juventude, seu algoz, de novo pela frente?
Paulo Mendes, Élio Bandeira e outros pareciam indiferentes. Eles que costumam chamar o Ju de filial do Grêmio talvez não conseguissem explicar o que aconteceu no Olímpico. A filial teria se rebelado?
Outro colorado, mais tarde, arriscou: foi um acordo firmado entre os presidentes dos dois clubes, num jantar regado a muito chope no Barranco, para que o Grêmio, que perdeu feio em Goiás, se concentrasse apenas na Copa do Brasil, deixando o Ju, que ele chamou de time B do Grêmio, no Gauchão.
Bobagens à parte, o Ju foi melhor e mereceu vencer. Simples. Antes da partida, diante dos desfalques do Grêmio, cheguei a pensar que poderia ocorrer um crime no Olímpico.
Mas quando vi a escalação de Celso Roth, congestionando, em tese, o meio-campo, com Perea mais adiantado, me convenci que o Grêmio não perderia. Para um time que poderia empatar e diante de desfalques importantes, inclusive sem um lateral-esquerdo para escalar, achei razoável e sensata a decisão de Roth. Mesmo a presença de Nunes não me desagradava.
Pois é, eu que critiquei duramente a contratação de Roth, estou aqui a elogiar a sua decisão. Depois do jogo, ele reconheceu que sua proposta não deu certo. Mas por que não deu certo, levando o time a levar 3 a 0?
Penso que o problema está na qualidade dos jogadores. Sem contar, claro, o mérito do Ju, que tem um centroavante matador, de muita qualidade técnica (os dois gols de Mendes são preciosidades de técnica na arte de mandar a bola para as redes). No primeiro tempo, o Ju fez 2 a 0, aproveitando as duas chances de gol que teve.
O Grêmio ao longo do jogo perdeu mais oportunidades que o Ju, mas seu aproveitamento foi pífio.
Agora, as peças que falharam e detonaram o esquema de Roth: o goleiro Marcelo falhou no primeiro gol, apesar do belo cabeceio de Mendes; Jean foi mal, muito mal. Não sei se é mau jogador, mas ele foi mal. Pereira, vejam só, deixou saudade; Julio dos Santos continua comprovando aquilo que escrevi tempos atrás; Maílson ainda não me convenceu, e acho que nunca irá me convencer; por fim, na frente, Perea errou demais. E não me venham me dizer que estava isolado, porque o pessoal vinha de trás com muita rapidez. Perea, a exemplo do que houve no Centenário, nos 2 a 1, voltou a desperdiçar boas chances de gol.
Outra coisa: se Reinaldo, a melhor coisa que surgiu no Grêmio em termos de camisa 9 nos últimos tempos, pudesse jogar, Roth manteria o esquema de dois atacantes. Por que mudou? Porque quem tem Tadeu e Jonas como opção não tem nada. Ah, e os dois entraram e foram expulsos de maneira idiota, irresponsável.
Para concluir: na coluna De Primeira, no CP, em fevereiro, escrevi que o Grêmio seria patrolado no Gre-Nal. Neste domingo, os gremistas que me criticaram na ocasião perceberam o que eu queria dizer. Acho, que estão aliviados com a eliminação antecipada, porque assim, conforme admitiu o colega Chico Izidro, o Grêmio ficou livre de um provável vexame no Gre-Nal.
Agora, caros leitores, não se suicidem de inveja, não posso ficar com essa culpa: a camisa que visto na foto é um presente da juventudista Mariana, a musa do esporte. Em homenagem à Mariana, repito uma frase que ela disse ainda em fevereiro, quando eu precisava de uma foto para ilustrar matéria sobre o Ju. 'Coloca o Mendes', disse a Mariana, reforçando:
- Mendes é o cara.
Escrito por Ilgo Wink às 20h48
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