A camisa preta do Chico Izidro e o muso do esporte

O muso do esporte Alfredo Possas comemorando o aniversário colorado
Sexta-feira, 4 de abril. O Inter festeja 99 anos.
Eu gosto do Inter. Sem ele, o Grêmio não teria tão grande. E vale também o contrário. São como dois irmãos que se amam e se odeiam, sempre disputando pra ver quem é o melhor. Com isso, os dois crescem.
O Grêmio deu um salto ao inaugurar o Olímpico em 1954. O Inter o superou em 70, com o Beira-Rio. O Grêmio ampliou e reformou seu estádio. Ficaram parecidos.
Os dois seguem nessa disputa patrimonial. O Inter ganhou de presente uma área enorme da prefeitura. Vai pagar uma bagatela para usufruir de milhares de hectares de uma área que ele ocupou muito tempo atrás sob a conivência dos gestores públicos. Vai modernizar o Beira-Rio.
Para não ficar atrás, mas sem a benevolência do poder público, o Grêmio vai construir um novo estádio, sem essa frescura de arena. É estádio, arena, pouco importa. Não sei no que vai dar, mas se der tudo certo, como o planejado, será muito bonito.
Poucas cidades no mundo contam com dois clubes de futebol desse porte. Patrimônio físico, histórico e, principalmente, humano.
Quando comecei na crônica esportiva, estagiário, meus primeiros passos foram no Beira-Rio. Havia o Minelli, o Manga, o Figueroa, o Falcão, etc.
Parecia um castigo. Eu, gremista de arquibancada inferior (naquele tempo só tinha a inferior), sol na cara e mijo na cabeça nos grenais, ali convivendo com meus algozes.
Não demorou muito a começar a sentir simpatia pelo Inter, arrefecendo o meu gremismo. Duas ou três vezes, o carro do jornal demorava pra me buscar, o Falcão, me vendo ali no estacionamento, me deu carona até o centro.
Na verdade, eu gosto muito do Inter, principalmente quando ele perde Gre-Nal ou quando cai do cavalo contra o Juventude.
Às vezes, o Inter me decepciona. Por exemplo: ganhando a Libertadores e depois o Mundial. Fico chateado por alguns minutos, ou horas. Passa logo porque...
... O Lula tem o poder de canalizar todos os meus sentimentos negativos.
Esqueço o Inter, o Grêmio, tudo.
Pensava no quanto é importante o Inter para a história do futebol, para colorados e, por que não?, gremistas, quando o Chico Izidro, que é gremista, mas acima de tudo profissional quando se trata de fazer matéria de Grêmio ou Inter, se aproxima com um sorrisinho sacana.
Quando ele vem assim já sei que aí tem sacanagem.
- Sabe por que estou com essa camisa preta? – pergunta.
O Jornal Nacional havia colocado no ar minutos antes uma matéria sobre os 40 anos da morte de Martin Luther King.
- Por causa do Martin Luther King – arrisquei.
Depois de prontamente corrigir minha pronúncia – ele tem mania de fazer isso -, respondeu, abrindo um sorriso com ar diabólico, tipo o do Jack Nicholson em O Iluminado:
- Estou de luto pelos 99 anos deles.
Depois dessa, me concentrei no trabalho, porque a noite seria longa. Além dos jornais de sábado e de domingo, teríamos que fazer mais um piloto do novo CP.
Olha, vou adiantando: está ficando bonito, elegante, charmoso, digno das musas que desfilam agitadas pela redação do CP.
Prometi que colocaria fotos de algumas delas aqui, mas estou repensando.
Se só colocando uma, a da bela Mariana, ninguém mais lê o que escrevo, só falam na Mariana (é Mariana pra lá, Mariana pra cá), não sei se não seria o caso de recuar.
Colocar a foto do Possas, do Chico, etc.
Ah, o recado colocado no post anterior, que ninguém comentou, ofuscado pela Mariana, é da própria.
Assim, quem for parecido com o Mendes, tem chance. Nem precisa saber jogar futebol.
Parabéns Inter. Espero que continues a me dar muitas alegrias.
Escrito por Ilgo Wink às 11h26
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