Matriz, filial e o código genético
O Hiltor Mombach tem uma mania: fazer perguntas quando escreve a coluna. O Chico Izidro diz que basta eu sentar na cadeira do Hiltor para escrever a coluna, substituindo o titular, que a mania passa pra mim.
Uma das perguntas do Hiltor nesta noite:
- Qual é mesmo o símbolo do Juventude, papagaio ou periquito?
O Carlos Corrêa, com seu senso de humor apurado e debochado, respondeu mais do que depressa, olhando de 'revesgueio' pra Mariana Oselame, que promete ir ao Centenário torcer pelo Juventude neste sábado.
- É o Mosqueteiro - gritou, referindo-se ao símbolo gremista.
Os colorados das imediações riram. Até o Chico Izidro riu. É o único gremista que eu conheço que debocha do Juventude ao lado dos colorados.
Ele parece apoiar essa história de matriz e filial. Sempre que falam nisso, me lembro do samba-canção de Lúcio Cardim, Matriz ou filial (muitos pensam que é do Lupi): "Quem sou eu pra ter direitos exclusivos sobre ela. Se eu não posso sustentar os sonhos dela. Se nada tenho e cada um vale o que tem..."
Agora, essa história de que o Juventude é freguês (não filial) do Grêmio é comprovada pelos fatos, pelos resultados.
Mas os colorados insinuam, alguns até afirmam, que o Juventude facilita para o Grêmio. E complica contra o Inter.
É incontestável também que o Juventude costuma se dar bem contra o Inter. Escrevi sobre isso antes dos 3 a 0 (para o Ju, claro) no Jaconi. Até posei ao lado da Mariana fardado de Juventude para provocar os colegas colorados.
Gosto desse lado lúdico do futebol. Aliás, sem essa brincadeira o futebol perde muito do seu encanto, principalmente para mim. Já não me entusiasmo ou me emociono muito com os jogos.
Cada jogo é compromisso, é trabalho, com raras exceções.
Se os colorados acham que o Ju facilita diante do Inter, eu penso de maneira diferente.
Não é o Ju que joga mais motivado, é o Inter que treme. Aqueles 4 a 0 no Beira-Rio, na semifinal da Copa do Brasil de 1999 machucou fundo a alma vermelha. Ali começou todo esse ódio, esse rancor, essa amargura infinita.
Até o Eugênio Bortolon, editor de Economia, confessou outro dia que essa derrota doeu. "Prefiro levar 4 do Grêmio do que ser goleado pelo Juventude de novo", confessou em tom de revolta, mas voltando ao seu estado normal depois que o Paulo Moura, gremista enrustido, lembrou com um sorriso malicioso:
- olha que tem Gre-Nal logo adiante.
Voltando, então, à minha tese: o Inter treme contra o Juventude. Já está no código genético do Inter esse temor.
Não é, portanto, o Ju que facilita.
Mas o que faz o Ju se perturbar diante do Grêmio?
Simples: toda essa brincadeira que os colorados fazem - alguns deles nas redações - para estimular o Juventude, puxar pelo brio dos jogadores, só serve para uma coisa: perturbar o time.
Perturbação semelhante a que acomete os colorados sempre que têm o Ju pelo frente.
Entram em campo para provar alguma coisa e esquecem o principal: jogar futebol.
Por fim, Grêmio e Inter são favoritos inquestionáveis contra Ju e Ulbra. Mesmo assim, se o Grêmio passar, os colorados, inclusive e principalmente os da mídia, vão dizer:
- Eu não disse?
Escrito por Ilgo Wink às 21h52
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