Banho de sol na arquibancada do Olímpico e a cerveja quente
Fui ao Olímpico nesta tarde. Até aí nada demais para um cronista esportivo. Ocorre, que raramente vou aos estádios, prefiro a comodidade do sofá e a possibilidade de rever um lance no repeteco da TV.
Por absoluta falta do que fazer e também por curiosidade de ver de perto o Grêmio para confirmar ou desmentir meu prognóstico de que o Inter venceria um Gre-Nal com os times jogando com as suas estruturas atuais. Na verdade, na coluna De Primeira no Correio do Povo, em fevereiro, escrevi que o Inter 'patrolaria' o Grêmio.
Poucas vezes fui tão xingado. Os mais desatentos e raivosos me chamaram de colorado. Fiquei emocionado e lisongeado. Pude sentir de novo aquela sensação de ser campeão do mundo 23 anos depois. É bom ser campeão do mundo. Sendo colorado, então, sem o peso de duas segundonas.
Posso até ter exagerado no uso do verbo patrolar, mas depois do vi hoje contra o Sapucaiense reafirmo que o Inter vence o clássico - e até com facilidade - se Celso Roth mantiver o esquema atual, um esquema que defino como faceiro, e que só pode dar certo contra equipes mais fracas.
Definitivamente. Repito, definitivamente, Roger e Júlio Dos Santos não podem jogar juntos, ao menos fazendo a segunda linha de um meio de campo com apenas dois volantes. Agora, com três volantes, os dois podem jogar mais adiantados, ficando apenas Perea na frente.
O meia paraguaio, que vi pela primeira vez ao vivo, tem muita qualidade no passe e nos lançamentos, normalmente descobre um atacante bem colocado. Agora, não chuta, tem medo de chutar, e nunca tenta o drible. Ele joga obcecado em largar a bola, de preferência, de primeira.
Jogando desse jeito, nunca sofrerá uma entrada mais forte, porque a bola chega nele e já está saindo. Teve um lance em que ele chegou de trás com a bola dominada, no segundo tempo, e chutou. Chutou mal, enquadrou mal o corpo e bateu desajeitado na bola. Descobri, então, porque evita o arremate.
No primeiro tempo, ele dominou a bola na área, com estilo, deixou cair e poderia ter chutado, estava na marca do pênalti, ainda assim preferiu tocar para Roger concluir. É muita solidariedade, falta de egoísmo em excesso.
Roger. Também foi a primeira vez o que vi ao vivo. Antes, só pela TV. Não me entusiasmava. Segue não me entusiasmando. Nesse jogo, caiu demais, como nos outros jogos, e insiste no drible no campo de defesa do Grêmio, armando contra-ataques. Foram dois contra a Sapucaiense. Fosse o Inter pegando a bola ali na intermediária, seria gol. Agora, ele tem muita habilidade, bate bem na bola, é inteligente.
Roth, se quiser vencer o Gre-Nal ou jogos contra equipes de maior categoria, terá de escalar três volantes: Eduardo Costa (o melhor jogador do time) mais dois. Eu escalaria Adilson e William Magrão. Aí sim, mais à frente, Roger e Dos Santos, com Perea. Ou apenas Roger e mais dois atacantes, Roger e Reinaldo, que foi bem contra a Sapucaiense.
Para concluir, assisti ao jogo da arquibancada inferior, em pé, com o sol na cara até o início do segundo tempo. Até que valeu a pena: por 20 reais levei de quebra um banho de sol.
QUESTÃO DE ORDEM
1. Acho que no momento em que escrevo só o fiel leitor MIL NOMEs compareceu, então vou informar o que vi lá no meio do povão: vi muita gente jovem (mulheres aos montes) bebendo cerveja em copos de plástico, grandes. Vi uns três ou quatro jovens embriagados, com cerveja provavelmente morna nas mãos (o calor era insuportável). Então, proibir cerveja nos estádios apenas não resolve, é verdade, mas ajuda muito. Sou, portanto, favorável à proibição.
2. Diante do sucesso da Mariana, outras musas da redação estarão ocupando em breve estas páginas. Aguardem. Agora, não se assanhem, nada de nu 'artístico', porque este é um espaço família. Certo, Élvio?
3. Por fim, tem gente querendo o Fernandão fora do time colorado. Primeiro, é um absurdo; segundo, colocar quem? Andrezinho? Vão catar coquinhos.
Escrito por Ilgo Wink às 21h28
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