O freguês

EU E A JUVENTUDISTA MARIANA IRRITANDO OS COLEGAS DA REDAÇÃO ANTES DO JOGO DE QUARTA-FEIRA
No meu tempo de guri em Lajeado, havia uma venda (assim a gente chamava os velhos armazéns no tempo em que não existiam supermercados). Meu pai era freguês do estabelecimento. Ele tinha um caderno, onde o dono da venda anotava as compras que seriam pagas na semana seguinte. Mas o caderno era dado apenas para os bons pagadores, os fiéis, os bons fregueses.
Meu pai era um freguês de caderno.
O Inter, como um devotado fiel, é freguês de caderno do Juventude.
Desde 1995, quando o Ju entrou na série A do Brasileiro, são 23 vitórias de cada time. E uns empates no meio.
Diante da disparidade de forças e de tradição, o Inter teria de fazer como faz o Grêmio: se impor ao Juventude, um clube de médio porte.
Mas o Inter se assusta, treme, se apavora diante da cor verde.
Hoje pela manhã, o Gremistão Roxo, o GR, me ligou dizendo que o Grêmio deveria jogar de verde contra o Inter.
O Juventude consegue aquilo que poucos alcançam, principalmente o Grêmio: golear o Inter.
Os 3 a 0 de ontem, no Centenário, são um golpe duro na auto-estima dos colorados.
Na redação, ontem à noite, havia um clima de velório entre os colorados, enquanto um bando de gremistas os provocavam, ameaçando invadir a Goethe para festejar.
As duas faltas do Edinho (o que resultou na expulsão) indicam que os jogadores do Inter entraram tensos demais na partida. Não encararam o Juventude como apenas mais um adversário do Gauchão. Era um Super Juventude, um gigante.
E havia como agravante a idéia de revanche, de vingança pela derrota de 1 a 0 no Beira-Rio.
É de conhecimento geral que o atual Juventude, um time montado às pressas depois do golpe do rebaixamento, é o pior dos últimos anos.
Fazia até ontem uma campanha apenas razoável, irregular, chegando a sofrer goleada. Tinha a classificação ameaçada.
Pois o Inter consegue fazer o seu algoz, o seu carrasco, maior do que ele é.
Com a vitória de ontem, uma grande vitória, o Juventude se credenciou a brigar pelo título do Gauchão, o que será barbada de atingir se pegar na final o seu freguês de caderno.
Escrito por Ilgo Wink às 10h53
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