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Mancini, Roth e a perda maior e iminente: Débora

Quando o Grêmio confirmou Vágner Mancini, previ que ele não ficaria muito tempo.

 

- Fica no máximo até março.

 

O repórter Carlos Corrêa, setorista do tricolor, me olhou perplexo, como se pensasse ‘esse  Ilgo está ficando caduco’.

 

- É o seguinte, conheci o Mancini jogador. Boa técnica, mas apático, sem alma, sem pegada. Por isso, era reserva do Felipão. Conversei com ele uma vez num julgamento no tribunal da Federação, e não tive boa impressão, me pareceu um cara com pouca personalidade, mas muito calmo e educado. Não tem perfil para treinar o Grêmio ou o Inter. Pode servir para um time pequeno ou médio, como o Paulista.

 

Alguém lembrou que Mancini foi campeão da Copa do Brasil de 2005 pelo Paulista (venceu o Fluminense nas finais, 2 a 0 em casa e 0 a 0 no Rio. Ah, o centroavante do Flu era Tuta, vai fazer gol de que jeito, e o técnico Abel).

 

- Bem, então o Grêmio poderia pensar também no Péricles Chamusca, campeão da Copa do Brasil um ano antes, em 2004. Ou em alguém mais experiente, Walmir Louruz, campeão da mesma competição, em 1999, pelo Juventude.

 

Mas o Grêmio contratou Mancini, um técnico novato. Uma aposta. Imaginei que o fizesse depois de muita conversa com ele, saber suas idéias, sentir seu temperamento, etc.

 

Que nada! A prova de que tudo foi feito com muito amadorismo é que Mancini acabou demitido porque, alegam os dirigentes, não tem o perfil adequado para dirigir um time como o Grêmio, que exige um futebol de mais pegada, mais marcação, força, etc. Enfim, um futebol feio, mas, em tese, vitorioso.

 

Mancini retrucou, de forma educada, que realmente ele não gosta de armar times assim, prefere um futebol com ênfase na técnica, na velocidade e no ofensivismo.

 

- Eles não me conheciam quando me contrataram?, perguntou o técnico.

 

Não, pelo jeito não conheciam. Se o Grêmio tivesse me consultado...

 

Acrescente-se a isso talvez o principal: a direção queria dar palpites na escalação. Mancini blindou o vestiário. Disse que um dirigente chegou a invadir o vestiário após um jogo aos gritos, mesmo com o time vencendo.

 

A contratação de Mancini me lembra a do Gallo pelo Inter no ano passado. Foi também um erro de avaliação. Muito amadorismo.

 

Assumido o erro, a direção decidiu demitir Mancini. No que fez bem, porque não queria mais trabalhar com ele. Ninguém é obrigado a manter um funcionário que o desagrada.

 

Corrigido o erro, o Grêmio comete outro: contrata Celso Roth.

 

Não é mau técnico. Sabe armar times competitivos. O problema é que ele se desgasta rápido demais. Fica em média seis meses num clube. Publiquei esse dado na coluna De Primeira do CP deste domingo.

 

No ano passado, no Vasco, depois de um ano e quatro meses desempregado (por que será se ele é tão bom, quanto alegam alguns?), ele começou muito bem. Muito bem mesmo, até fiquei surpreso. Depois, desandou como sempre.

 

O Roth é como o Lula, não se pode esperar nada de bom.

 

Ontem, o Abel Braga elogiou o Roth (só pode ser sacanagem ou corporativismo). Disse que ele fazia boa campanha na Sul-Americana.

 

Informação: nos últimos onze jogos no Vasco, Roth ganhou uma partida, foi contra o Botafogo. O time estava mal no Brasileiro e na Sul-Americana.

 

Em 37 partidas, foram 15 derrotas, 15 vitórias e 7 empates.

 

Então, o Grêmio errou ao contratar Mancini, acertou ao corrigir o erro imediatamente, e agora erra ao contratar Roth. Em breve, acertará ao demiti-lo, o que não deverá demorar muito.

 

Outra coisa: o Roger fica no Olímpico por quanto tempo? Façam suas apostas. Dou um mês, no máximo.

 

Se bem que o meu palpite é que o Roth entra por uma porta, e o Roger sai por outra.

 

E leva consigo a Débora Secco.

 

E isso é imperdoável.

 

QUESTAO DE ORDEM

 

1. E por que não Tite?

2. Meu carro não foi encontrado

3. Agradeço as manifestações de solidariedade

4. Podemos comemorar, este blog está blindado a uns e outros.



Escrito por Ilgo Wink às 12h05
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Um assalto muito especial e o sorriso da Débora

Amanheci mais contente que os 11.500 agentes públicos portadores do cartão corporativo (gastaram R$ 75 milhões no passado, sendo que R$ 58 milhões em saques, dinheiro, money) e que o técnico Abel Braga com a volta do Guiñazu, hoje o jogador mais importante do Inter.

 

Estou feliz pelo simples fato de estar vivo.

 

Está certo, pode ser pouco, mas se a gente pensar bem, já é uma grande coisa. Depois de escrever sobre a morte nos últimos dias – seria um aviso, uma preparação? – me deparei com a dita cuja.

 

Ela não estava vestida de preto, com uma foice nas mãos, imagem que tem passado através do tempo.

 

Foi neste domingo, por volta das 18h30, logo depois do massacre do Inter em Pelotas.

 

A morte trajava uma roupa esporte. Era um jovem, de 1 metro e 80 e poucos, cabelos curtos, meio amarelados, parecendo tingidos. Cara de alemão, polaco ou gringo da Serra.

 

Eu saia de casa para entrar no carro. A rua estava deserta, com exceção desse sujeito que descia a rua correndo, e se aproximava de mim. Olhei de relance e senti que ele fugia. Segui caminhando, passei pelo carro, esperando que ele seguisse em frente, mas pressentindo que ele iria parar para me assaltar.

 

Pensado e feito. O que é força do pensamento. Eu senti que ele parou e, sem olhar pra trás, ensaiei uma corrida corajosa. Aí, ele gritou:

 

- Não corre que é um assalto.

 

Parei, que não estou aí pra levar tiro pelas costas. Já me bastava entrar para a estatística das vítimas de roubo de carro.

 

(Só neste domingo, dia 10, foram 100 em todo o Estado, a maioria na Capital).

 

Então, para não figurar também na lista dos homicídios, estaquei e me virei.

 

Pensei: ‘Está acontecendo comigo mesmo, é verdade! Por que ele não me deixa correr e ir embora? Pega a chave e me esquece’.

 

Fiquei calmo. Lembrei da ministra petista, aquela do relaxa e goza.

 

A rua continuava deserta. Me sentia personagem de um duelo do velho oeste. Só faltava a música de Enio Morriconne, aquela da gaitinha de boca na abertura do filme Era um vez no Oeste (recomendo com entusiasmo). Em vez da rua empoeirada para completar o cenário, a modernidade do asfalto quente.

 

Mas não era o filme do Sergio Leone. Nem eu era o Charles Bronson descendo do trem para liquidar com os bandoleiros de tocaia.

 

Era a droga de uma realidade que eu jamais havia enfrentado em mais de 30 anos vivendo em Porto Alegre.

 

O ‘alemão’ me olhava, mão esquerda estendida, sinalizando que eu não deveria me aproximar (nunca me passou pela cabeça me aproximar), e a direita segurando alguma coisa sob a camiseta folgada.

 

Ele poderia sacar a qualquer momento. Eu só tinha a chave do carro para sacar. Um duelo desigual.

 

- Toma, pega a chave e vai tranqüilo, eu não tenho arma, falei, enquanto jogava a chave pra ele pegar.

 

Ele não esboçou nenhum gesto. Senti que ele estava nervoso, até mais que eu. Ofegante, exigiu:

 

- O alarme, pega a chave e desliga o alarme.

 

Estávamos a uns cinco metros de distância um do outro. Me aproximei para pegar a chave no chão enquanto dizia que o carro não tinha alarme.

 

Entreguei a chave pra ele, que continuava ameaçando pegar o que eu imaginava ser um revólver. Por instantes, pensei que ele estava desarmado e que eu poderia sair correndo. Mas e ele estivesse armado?

 

Na dúvida, fiquei, até porque achava que tinha a situação sob controle. Ao mesmo tempo, lembrei de quantas pessoas são assassinadas mesmo sem reagir, por pura maldade. Ele poderia sacar a arma e me matar, ali no meio da Rua Castro Alves, que continuava deserta. Só o nosso diálogo rompia o silêncio.

 

Ele se aproximou. Eu estava quase encostado no carro, junto à porta do motorista. Nisso, ouço o ruído de um carro se aproximando às minhas costas, e de frente pra ele.

 

Ele chega mais perto e fala alguma coisa com a palavra ‘polícia’ no meio. Pensei que pudesse ser um carro da polícia se aproximando e que era para eu manter a calma, não chamar a atenção. Mas era um carro cor de laranja, ou vermelho, poderia ser um táxi, até hoje não sei.

 

Meus olhos estavam fixos na cintura do assaltante, onde agora eu podia ver uma pistola, de cor escura. Ele sacou a arma e ordenou:

 

- Levanta a camisa, quero ver se tu não é polícia.

 

Obedeci calmamente. Com a pistola na mão, ele abriu o carro.

 

- Se afasta, vai pra calçada. Eu só quero o carro pra fugir, só pra fugir.

 

Me afastei devagar. Ele mexeu no painel e descobriu o dispositivo que desliga o carro (acho que em meio ao diálogo eu havia informado isso pra ele, não sei).

 

Eu estava na calçada, parado, quando ele ainda gritou:

 

- Por favor, não telefona pra polícia, eu só quero o carro pra fugir.

 

Eu respondi que não tinha telefone (imaginava que meu celular estivesse dentro do carro, mas estava no meu bolso).

 

Ainda tive tempo de abanar enquanto ele manobrava.

 

Uma vizinha, então, apareceu na janela:

 

- Oi, isso foi um assalto?

 

Não, decididamente não era um filme do Sérgio Leone.

 

Foi um domingo especial.

 

Não ganhei um sorriso da Débora Secco, menos ainda um cartão corporativo.

 

Ganhei muito mais.

 

 



Escrito por Ilgo Wink às 11h32
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