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As perdas e a ironia que é viver

A vida é uma sucessão de perdas.

 

Entre uma perda e outra, algumas conquistas, algumas vitórias. Aquele que conseguir juntar mais momentos bons será um sujeito feliz, embora muitas vezes nem se dê conta disso.

 

Até porque somos eternamente insatisfeitos. Eu e todos que me lêem e que não me me lêem.

 

Viver é saber lidar com as perdas e tirar delas ensinamentos. Quem tem dificuldade para assimilar os momentos ruins, os momentos negativos e as situações dolorosas, sofre mais, muito mais, e acaba deixando de desfrutar os prazeres que a vida lhe proporciona.

 

Vejam o caso do garoto Bruno. Aos 15 anos, juvenil do Grêmio, recebeu uma proposta de 250 mil dólares para jogar no Arsenal.

 

Eu dei a notícia no Correio do Povo, num dos tantos furos que dei na Zero Hora. Modéstia à parte.

 

Bruno seguiu no Grêmio. Um empresário, muito veloz, deu uma casa para a família do guri em troca de ser o seu procurador.

 

Confesso que Bruno foi um dos meus maiores enganos no futebol. Eu acreditava que ele poderia ser melhor que o Ronaldinho. Juro, acreditava mesmo.

 

Bruno, hoje, é um veterano de 23 anos. Está recomeçando no Santa Cruz, time da minha cidade natal. Foram muitas perdas em poucos anos, mas ele não se abateu e segue em frente. Torço por ele.

 

Torço também - e mais ainda - para que o vice-governador Paulo Feijó, homem que admiro por sua postura altiva na defesa de duas idéias, consiga superar a sua maior perda, a sua maior dor.

 

Sua filha, Alessandra, de apenas 18 anos, é mais uma vítima fatal do trânsito. Morreu na madrugada de hoje numa avenida de Porto Alegre.

 

Uma criança empunhando uma arma, provavelmente presente do pai.

 

Não sei se pode haver maior perda do que essa. Um pai perder o filho, principalmente jovem e nessa circunstância.

 

Eu já tive perdas. Doem muito, sangram e custam a cicatrizar. Talvez nunca cicatrizem completamente. Mas, mesmo ferido, sigo em frente, porque sei que mais adiante viverei novas emoções, terei momentos felizes. Enfim, continuarei crescendo como ser humano.

 

Espero que o vice-governador, hoje apenas um pobre homem que daria a sua vida para ter a vida da filha de volta, consiga superar essa perda. É impossível, eu sei, mas que ao menos consiga conviver com ela.

 

Tempos atrás, um colega, jornalista, sofreu tragédia igual.    

 

Não pensava em escrever sobre esse assunto. Afinal, são tantas as vidas interrompidas no trânsito diariamente, mais do que em qualquer guerra, em qualquer tempo.

 

Mas ao deparar com a foto da Alessandra numa coluna social da Zero Hora de hoje, não resisti.

 

Alessandra aparece ali cheia de vida, alegre, um largo sorriso.

 

No detalhe, uma tatuagem de bruxinha.

 

Viver é uma ironia.



Escrito por Ilgo Wink às 11h29
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O repórter do outro lado do mundo

O repórter do outro lado do mundo. É o título do último livro que comprei, e li. Nos dias nublados que peguei na minha breve estada em Pântano do Sul, entre um gole e outro de caipirinha à beira-mar, fiquei sabendo um pouco mais sobre como é a vida depois da morte.

 

Sou freqüentador – não muito assíduo – de um centro espírita. Costumo encaminhar algumas almas desgarradas pra lá. Todas saem de lá melhores, em paz consigo mesmas,  mais aptas a enfrentar as loucuras do cotidiano. Outras resistem, e algumas até ironizam.

 

Faz parte. Cada um com sua fé, suas crenças e descrenças.

 

O meu leitor número 1, com suas dezenas de personalidades, é um que precisa acalmar suas almas atormentadas, principalmente aquelas que insistem em defender Lula e seus compadres, grupo que agora conta com mais gente boa: Lobo Pai e Lobo Filho.

 

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

 

Não me surpreenderia se o Papagaio, que fugiu de novo, reaparecesse, garboso, empoleirado em algum cargo no governo federal.

 

Ando muito dispersivo. Voltando ao livro.

 

É ditado pelo espírito de Silveira Sampaio. Comprei um exemplar por causa do título e também pelo seu “autor”, sobre quem já havia lido alguma coisa.

 

José Silveira Sampaio nasceu em 1914, no Rio. Morreu em 1964. Foi médico, teatrólogo, jornalista e radialista. Trabalhou no Jornal do Brasil e no Correio da Manhã. Foi um sujeito muito conhecido, com peças importantes.

 

Foi o segundo ou terceiro livro sobre espiritismo que li.

 

Confesso que fiquei desapontado. Não com a obra em si, mas com o mundo que é retratado em detalhes pelo “repórter”.

 

Eu acredito na vida após a morte. Tenho uma pontinha de dúvida, mas acredito.

 

Pelo que já li, ouvi e pesquisei (sem muito afinco) sobre o assunto, há vários planos, ou dimensões, após a vida material. Algumas ascendem direto, sem passar por uma espécie de enfermaria, onde são preparadas para aceitar a sua passagem “desta para melhor”.

 

É aí que está: acho que não saímos desta para melhor. É o que concluo depois de ler a “reportagem” do ex-colega.

 

Sempre imaginei que após a vida haveria a paz plena e absoluta. Me questionava como seria viver sem vinho, cerveja, namoro, boa gastronomia, enfim, esses prazeres mundanos.

 

Claro, teria compensações. Ficar distante do Lula e seus companheiros e admiradores, por exemplo. Não me preocupar mais com nada. Desmatamento da Amazônia, violência, etc.

 

Paz total. Poderia até ser uma chatice, mas isso dentro da visão que tenho hoje. Acho que me acostumaria. Bem, seria obrigado a me acostumar.

 

Quer dizer, sempre poderia retornar. Bem, não sei pra onde, já que do jeito que a coisa vai o planeta não resiste muito tempo mais.

 

Quem sobreviveu até aqui pode estar curioso para saber o que me deixou angustiado em relação à vida pós-morte.

 

Leiam o livro se quiserem saber – poderia dizer.

 

Mas não serei tão sacana assim. Afinal, busco o meu lugar no céu, onde com certeza não encontrarei Lula e companheirada.

 

Imaginem eu lá tranquilão, entre jardins floridos e belas companheiras celestiais, e me aparece o Lula, o Lobão, o Dirceu, o Maluf...

 

E o Mano Menezes, então? E se me aparece alguém querendo falar do Campeonato Gaúcho? Do carnaval, do Big Brother, de axé, de pagode?

 

Preciso afastar os maus pensamentos.

 

Pra encerrar: o livro mostra as pessoas se reunindo em grupos, cada um com suas obrigações. Pessoas preocupadas com familiares que ficaram. Abraços e carinhos sonegados. Frases agressivas que não foram contidas. Palavras de afeto que ficaram para ser ditas, depois, num outro dia que acabou não chegando. Obras e tarefas não concluídas. Planos e sonhos adiados.

 

Pessoas atormentadas, sofridas, buscando paz, amor e harmonia.

 

Igualzinho aqui.

 

Conclusão preliminar: o céu e o inferno são aqui mesmo.

 

Por isso, vou tentar adiar ao máximo a minha passagem “desta pra melhor” e me esforçar pra deixar pouca coisa para trás.

 



Escrito por Ilgo Wink às 12h08
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