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O problemão do Renato

Renato, o Portaluppi, está vivendo um problemão no Fluminense. Talvez o maior de sua vida. Não, não é o excesso de atacantes de qualidade.

Mulher, como se cabe, pode ser um problema. Na maioria das vezes, é solução. Divina solução.

Renato teve muitas ‘divinas soluções’ em sua vida. A mais conhecida delas foi Luma de Oliveira, antes do declínio físico que acomete todos nós com o passar do tempo.

A Maristela, namorada do Renato desde os tempos de guri em Bento Gonçalves, tolerava tudo. Uma santa, digo eu. Uma idiota, urram elas.

Em meio a tantos casos amorosos, puladas de cerca que o credenciariam a disputar corrida com obstáculos nas Olimpíadas, Renato teve uma filha. Não, não foi com a santinha, foi uma jornalista (que raça, essa de jornalista, está sempre se atravessando), Carla Cavalcanti.

Carolina, o nome da filha. O nome do ‘problema’ do velho tigrão, agora quase de bengala como eu.

(Como diria o Lula, questão de ordem companheiro: tem um colega meu, parceirão desde os tempos da Folha da Tarde, que já está de bengala há horas; tem outro, que costuma dizer que tem corpinho de bailarino espanhol, também não descarta uma bengalinha).

Pois a menina, com seus 14 anos, tem atraído olhares libidinosos dos jovens jogadores do Fluminense.

O pessoal está babando. E o paizão Renato já percebeu. Dá uma de zagueiro e por enquanto tem desarmado os ‘atacantes’.

A menina tem ido seguidamente aos treinamentos nas Laranjeiras. Aos que se aproximam da garotinha, pouco mais que uma criança, Renato avisa, brincando: cai fora que ela vai entrar num convento.

Dia desses, a convite de uma emissora de rádio, passou-se por repórter e fez uma entrevista com Renato, Carolina, mostrando o atrevimento que o pai tinha quando jogava futebol, partindo para cima dos marcadores sem dó nem piedade, perguntou com seu olhar meigo e juvenil:

"Como é que um cara tão conquistador lida com o fato de a filha levar cantada todo dia?".

Renato sorriu amarelo, mas matou no peito e saiu jogando:

"Mulher, por si só, já recebe cantada todo dia. Menina bonita e famosinha, então, mais ainda. Mas eu confio na Carol, filha de peixe, peixe é. Uma vez, num restaurante, estava rolando esse papo de ser freira, o garçom se meteu na brincadeira, disse que era uma boa para ela, que respondeu na lata: ‘Pergunta para ele se ele queria ser padre?’ (risos). A vida é isso aí. Minha filha é assim".

Carolina, o problemão de Renato, é também, pelo jeito, a sua maior alegria, o seu maior orgulho.

 



Escrito por Ilgo Wink às 16h14
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Os três chorões e a grande vitória colorada

A cena era de rir e também de ter pena. Final de tarde, ontem, enquanto colorados desfilavam orgulhosos com a façanha do Exterminador dos Poderosos, em Dubai, três gremistas, vizinhos de edifício, estavam desconsolados. Olhares perdidos num ponto qualquer do universo, onde talvez ninguém tenha ouvido falar num tal de Inter de Porto Alegre.

 

Miravam o nada, como mortos-vivos.

 

- E essa cara?, perguntei, só de sacanagem. Duas horas atrás o Inter havia batido a Inter de Milão por 2 a 1 e conquistado a Copa de Dubai, nesse que pode ser considerado o melhor começo de temporada de um clube gaúcho em todos os tempos.

 

- Tá duro de agüentar, admitiu um deles, mastigando cada sílaba.

 

Os outros dois permaneceram em silêncio. Parecia que nem tinham me ouvido.

 

A última vez que os vi assim foi quando o Inter conquistou o Mundial no Japão, batendo o festejado Barcelona e tirando dos gremistas seu maior trunfo nos embates esportivos: o título mundial de clubes.

 

Durante 23 anos os colorados tiveram de agüentar no osso do peito a flauta tricolor. 23 anos. Uma vida. Para alguns, que partem desta para melhor mais cedo em função da mistura letal álcool e velocidade no trânsito, por exemplo, mais que uma vida.

 

Na editoria de Esportes do CP, tem um ou outro colorado que viu o Grêmio ser campeão mundial em 1983 ainda criança. Cresceu com a gozação dos coleguinhas gremistas – e a gente sabe como as crianças sabem ser más -, das mães e dos pais dos coleguinhas, das ‘tias’ gremistas, dos avós.

 

Depois, veio a adolescência. Aí, piorou. Sei disso porque foi insuportável ser gremista na minha adolescência (e pós) snos anos 70, pelo menos até 1977, quando o Grêmio rompeu o cliclo de oito gauchões seguidos do Inter. Depois, veio o tri brasileiro do Inter, invicto, em 1979. Doeu.

 

Só mesmo um retumbante título mundial para cicatrizar tanta dor.

 

Por isso, entendo a dor, tanto dos colorados como dos gremistas. Hoje, os gremistas sofrem. E pelo jeito vão continuar sofrendo. Já os colorados, merecidamente, vão aos céus, que à essa altura já é vermelho.

 

Depois de 23 anos padecendo no inferno, chegou a hora da virada.

 

Parabéns aos colorados. Foi uma vitória maiúscula, como diziam os locutores de antigamente, que exalta o futebol gaúcho e projeta ainda mais o Inter.

 

Aos gremistas, repito o que disse para os três chorões que estavam em frente ao meu edifício – acho que eles continuam lá.

 

- Se o Inter tivesse perdido, os dirigentes do Grêmio diriam: ‘Viu, que timinho esse do Inter. Nem precisamos nos preocupar em qualificar o nosso time, ta bom assim’. Agora, eles ficam na obrigação de montar um grande time.

 

É assim que Grêmio e Inter chegaram aonde chegaram. Um sempre querendo superar o outro.

 

Felizmente.



Escrito por Ilgo Wink às 10h29
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