E o Mano pipocou mais cedo do que eu esperava
Se eu não tivesse razões de ordem técnica para questionar a capacidade do treinador Mano Menezes, incensado por grande parte da mídia gaúcha e festejado, quase idolatrado, pelos colorados, me bastaria a questão dos treinos fechados.
O treinador tem direito de fechar os portões para orientar o time quantas vezes quiser.
Mas ao fazer isso está tolhendo o trabalho de outros profissionais, os jornalistas.
O técnico Abel Braga, que costumava fazer treinos secretos, admitiu semanas atrás que muitas vezes fizera isso por "birra".
Ele prejudicou o trabalho dos repórteres por "birra". É demais.
O futebol só paga fortunas para alguns profissionais (uma minoria) muito por causa da imprensa.
Vejamos Mano Menezes: não fosse a imprensa exaltar a sua obra, desde os tempos de vacas magras, provavelmente não estaria sendo contratado por 250 mil reais mensais pelo Corinthians.
Foi a imprensa gaúcha que apoiou Mano desde sua transferência tumultuada do Caxias (o pessoal da Serra até hoje quer o fígado dele) para o Grêmio, um salto em sua carreira.
É claro que Mano tem seus méritos, mas se não há o reconhecimento da mídia e por extensão da torcida, tudo fica mais difícil.
Mano aos poucos foi revelando o seu lado dark. Passou a fazer treinos secretos em excesso, quase todos os dias, não apenas às vésperas de jogos decisivos.
Ele fazia isso por birra também ou porque não queria que as pessoas descobrissem suas limitações?
Ontem, em entrevista coletiva em São Paulo, ele teve a desfaçatez de afirmar que "na reta final do Brasileiro" se viu obrigado a fazer isso para surpreender o adversário.
Ele omitiu que fez isso o ano inteiro.
Depois, afirmou que o profissional precisa se adaptar ao meio em que vive, deixando claro que no Corinthians não fará treinos secretos. "Acredito que exagerei com os treinos fechados, fui longe demais", disse com a maior cara-de-pau.
(A mesma que o presidente da República tem em suas declarações e desmentidos, principalmente na questão da CPMF, que antes ele atacava e agora defende porque, segundo ele, "amadureceu").
Eu sabia que ele não teria coragem de afrontar a torcida Gaviões da Fiel e a imprensa paulista como fez aqui, na sua terra, com a sua gente.
Pipocou, conforme eu previ que faria aqui neste espaço e também na Rádio Guaíba, muitas vezes.
Se tivesse a personalidade que sempre procurou passar e se realmente considerasse o treino secreto algo importante, ele seguiria com o mesmo procedimento, coerente, inabalável.
Cairia logo, é claro, mas cairia de forma íntegra, fiel ao seu pensamento.
Diante desse recuo mais rápido do que eu previa (imaginei que ele começassem o trabalho com alguns treinos secretos para testar a paciência dos paulistas), minha previsão é de que Mano tem flexibilidade demais para suportar o peso de treinar o Corinthians. Portanto, dificilmente resistirá ao Paulistão.
Ainda mais se for confirmada a informação passada pelo setorista Carlos Corrêa de que ele está levando o Tuta junto.
Bem, ao menos nisso ele é coerente. E será mais ainda se levar também o Ramón, seu bruxinho, que barrou, por exemplo, o caminho do meia Itaqui, que hoje fez dois gols no Paraná pelo brasileiro sub-20.
Escrito por Ilgo Wink às 20h57
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