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Lupi, um craque do rádio esportivo

Lupi Martins, se jogasse futebol, seria um Dener, um Anderson, um Ronaldinho, um Renato Portaluppi, um Alexandre Pato, um Garrincha. Um atrevido, que parte para cima do marcador e passa por ele sem pensar que pode perder a bola ou levar um pontapé criminoso.

 

Mas o Lupi não jogava futebol. Era um repórter. Um repórter esportivo, de rádio. Era um repórter atrevido, corajoso, como são esses atacantes habilidosos que enfrentam a marcação com seu talento, sua arte, sem ligar pra nada.

 

O Lupi encarava os marcadores, seus entrevistados, com destemor. Olho no olho. E fazia as perguntas mais incisivas, mais contundentes, com naturalidade, encurralando seu interlocutor com habilidade e firmeza.

 

Se a reação era agressiva, uma resposta mal-educada, como acontece muito no futebol, principalmente da parte de treinadores e dirigentes, Lupi permanecia impassível. Não movia um músculo da face. Era um cara-de-pau nas entrevistas. E seguia questionando, quase interrogando, ao estilo de seu irmão, o Lasier.

 

Durante alguns anos convivi com o Lupi no Olímpico. Éramos setoristas do Grêmio. Ele pela Guaíba, eu pela Folha da Tarde. Era um sujeito legal, simpático, amigo. Um parceiro.

 

Certa vez, num início de temporada, todo mundo dentro do vestiário, jogadores, dirigentes, treinador e jornalistas. Naquela época não era essa frescura que existe agora, de entrevista coletiva na sala de imprensa. No final dos jogos, as entrevistas eram feitas no vestiário mesmo, sem frescura.

 

Minutos antes dos discursos tradicionais de abertura de temporada, tive a idéia de fazer um boicote ao presidente Hélio Dourado, a quem sempre admirei. Mas por que o boicote? É que ele tinha assumido uma postura tirana em relação a alguns setoristas. Agressivo, ameaçador. Falei primeiro com o Lupi, que era o mais experiente da turma, ao lado do Jodoé Souza, outro grande repórter que nos deixou recentemente.

 

‘Quando o Dourado for falar, a gente afasta os microfones, os gravadores e apaga as luzes dos cinegrafistas de TV”, sugeri. O Lupi gostou da idéia e me ajudou a convencer todo mundo. Depois que todos falaram, chegou a vez do presidente, para encerrar a cerimônia.

Ele ficou falando sozinho. Um sucesso. Naquele tempo os repórteres eram mais solidários...

 

Lupi, um parceiro. Um grande repórter de rádio, talvez o melhor de todos, pelo profissionalismo, pelo caráter, pela ética e pelo companheirismo.

 

Já está fazendo falta.

 

Nos acréscimos

 

Ontem, foi embora o Amir Domingues, uma legenda do rádio gaúcho. Espero que essa onda contra a imprensa fique por aqui.



Escrito por Ilgo Wink às 10h31
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O pacto de fidelidade, Valdívia e o SP colaborando com a TV

Começo da noite deste domingo. Entro na redação e sou interpelado pelo Paulo Moura. Pra quem está chegando agora, o Moura é talvez o jornalista mais veterano em atividade diária em jornal no RS - esse dado não foi suficiente para que o Sindicato dos Jornalistas, em evento recente, o homenageasse ao lado de outros 21 colegas, que não foram esquecidos.

O Moura é gremista. Todos sabem, mas ele insiste em dizer que é neutro, que seu time é o Palmeiras. Ninguém acredita e isso já virou motivo de muitas brincadeiras com ele.

Como eu escrevia, sou interpelado pelo Moura: "Esse Mano, hein? Está na hora de fazer uma onda pra mandar ele embora, inventa demais".

Moura criticou Thiego, a escalação do Tuta e sua inexplicável permanência até o fim, e também o Saja, pelo primeiro gol, que realmente foi um frango, não uma falha como defendem dois colegas metidos a goleiro aqui na redação, o Chico Izidro e o Alfredo Possas (este, goleiro de futebol de mesa).

Concordei plenamente com o Moura, que, a propósito, não fez, nem costuma fazer, uma observação sequer sobre o Inter.

A presença do Tuta no time, depois da boa atuação do Marcel contra o Atlético Mineiro, inclusive com gol decisivo, só tem uma explicação. Ou melhor, duas: 1 - Mano está querendo ser demitido; 2 - ele firmou um pacto de fielidade, de morrer abraçado com o Tuta, a exemplo do que aconteceu na Libertadores.

Outra coisa: por que ele não começou com Anderson Pico na lateral, onde ele teve grande atuação no jogo contra o Atlético Mineiro, na rodada anterior? No meio, poderia ter começado com o Labarthe. Inventou e se deu mal. Bateu o vírus Abelite, que só dá em técnicos acometidos de soberba excessiva, como mostram suas entrevistas de antes e de pós-jogos.

Outra coisa: todos sabem que o Valdívia é o Riquelme do Palmeiras. Precisa de uma marcação em cima, para evitar que ele crie as jogadas do time, todas as jogadas. Mas o Super Mano, do alto de sua sabedoria, não acredita que alguém mereça marcação especial.

Valdívia fez a festa e liquidou com o time gremista.

Para completar, o Inter fez o dever de casa. Jogo ruim, mas o que importa é o resultado. A situação, porém, continua delicada, porque o Corinthians também venceu.

Aliás, curioso isso: o São Paulo perdeu dois jogos seguidos, algo inédito pra ele no campeonato, justamente para os queridinhos da Grande Rede de TV: Corinthians e Flamengo, os clubes que não podem cair.

Coincidência? Acho que aí tem.



Escrito por Ilgo Wink às 19h12
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