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Pizzaria Dualib

Atendendo sugestão do Luis Felipe, que insiste em continuar estudando jornalismo apesar dos meus conselhos, fui atrás de alguns dados sobre Alberto Dualib, ex-presidente do Corinthians. Depois da pesquisa, a conclusão: o atual ‘caso Dualib’ vai terminar como os outros: em pizza.

 

1. A primeira suspeita de envolvimento irregular de Alberto Dualib com a arbitragem aconteceu em 1987. Ulisses Tavares da Silva, então árbitro da Federação Paulista de Futebol (FPF), acusou o corintiano, que à época era vice-presidente de futebol do clube, de querer lhe subornar. A idéia era beneficiar o Corinthians nas semifinais do Paulistão de 1986. Ficou por isso mesmo.

 

2. O caso mais famoso de Dualib com os homens do apito, porém, aconteceu em 1997, no que ficou conhecido como "Escândalo Ivens Mendes" e "Um, zero, zero". Em maio daquele apareceram gravações de conversas por telefone entre Ivens Mendes, então presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (Conaf), e os presidentes de Atlético Paranaense (Mario Celso Petraglia) e Corinthians (Alberto Dualib).

 

Nas conversas, Mendes pedia dinheiro aos cartolas para sua campanha a deputado federal. Dualib chega a falar no valor do pagamento: "um, zero, zero", ou seja, R$ 100 mil.

Na mais evidente prova de seu envolvimento com o esquema, Ivens aparece cobrando US$ 25 mil do presidente do Atlético, Petraglia, para ajudar o clube do Sul a derrotar o Vasco na partida entre as duas equipes, em Curitiba, válida pela segunda fase da Copa do Brasil daquele ano. O Vasco perdeu por 3 a 1 e o Edmundo foi expulso ainda no primeiro tempo de modo meio estranho.

 

O STJD baniu Ivens Mendes do futebol.  Petraglia e  Dualib foram impedidos de representar seus clubes perante a CBF, mas a decisão não afetou a participação deles nas respectivas diretorias. O Atlético/PR foi formalmente "suspenso por um ano", mas não deixou de participar de nenhuma competição em função disso. Apenas começou o Campeonato Brasileiro de 1997 com 5 pontos negativos, como punição por sua participação no escândalo.

Já o Corinthians saiu livre e se safou do rebaixamento por apenas três pontos.

O Vasco foi campeão e Edmundo goleador do campeonato.

Bahia, Criciúma, Fluminense e União São João foram rebaixados.

 

A CBF usou o episódio como pretexto para cancelar o rebaixamento de Fluminense e Bragantino, últimos colocados no Campeonato Brasileiro de 1996 e que deveriam disputar a Série B em 1997. Sem rebaixados, o Brasileirão de 1997 teve 26 clubes, dois a mais do que o previsto.

Ivens Mendes morreu alguns anos depois do escândalo.

 

3. O caso mais recente foi revelado em julho de 2007, quando a Justiça Federal apresentou suas primeiras conclusões sobre as escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal para apurar a parceria Corinthians-MSI. O documento diz que, a partir dos diálogos, foram verificados "acertos para que o clube paulista não fosse rebaixado a grupo inferior" (página 12 dos Autos nº 2006.61.81.008647-8). Os procuradores do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), porém, avaliaram as fitas e disseram não haver o que comprovasse a afirmação dos autos.

 

Abaixo estão trechos dos diálogos envolvendo Ivens:

 

 

Usando o cargo para levar convidados ao jogo Brasil x Chile, dia 2 de abril de 97, em Brasília

 

"Se você quiser ligar para o teu prefeito e convidá-lo, ele e os vereadores que vão acompanhá-lo para ir almoçar com a gente. E depois, à noite, ele vai ao jogo com a gente. Me passa o nome deles para tirar credencial, aquelas histórias todas, porque jogo do Brasil é meio complicado..."

 

Usando a força do cargo para arrecadar dinheiro. Segue-se diálogo com o presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia

 

Ivens: "Estou fazendo os campos lá, as empreiteiras já estão me cobrando e eu não acho você para..."

 

Petraglia: "Você não me ligou. Eu te liguei umas duas vezes e não te achei"

 

Ivens: "Como é que você quer esse recibo?"

 

Petraglia: "Isto a gente combina ainda"

 

Ivens: "Estou precisando que você me mande hoje R$ 25 mil"

 

Petraglia: "Liga para a minha secretária, a Marli, dá os dados para ela, que eu entro em contato com ela e providencio"

 

Alegando não ter recebido os R$ 25 mil, Ivens volta a falar com Petraglia. Estava disposto a pressionar o árbitro do jogo entre Atlético e Vasco, em Curitiba

 

Ivens: "Tem que sentar a borduna no Vasco aí. Eu, se puder, vou até falar com o juiz para dar uma mãozinha para você"

 

Petraglia: "Quem é que vem aí"

 

Ivens: "Aí é o Godói, o Oscar. Até precisa falar para os seus jogadores que esse Oscar é meio unha de cavalo. Não reclamar, não fazer p.... nenhuma. Marca direitinho o Edmundo, ele fica nervoso."

 

Negando que aceite auxílio em troca de pressão a juízes de futebol

 

"A pessoa que vier com segundas intenções, achando que vai me ajudar, e eu aí, numa volta, vou ajudar o clube dele, está completamente enganado"

 

Solicitando ajuda ao presidente do Corinthians, Alberto Dualibi.

 

Ivens: "Você precisa ver aí o que eles vão me ajudar, hein rapaz?"

 

Dualib: "Vai começar bem, já"

 

Ivens: "O que você chama de bem?"

 

Dualib: "Bom, não é por telefone que eu vou te falar"

 

Ivens: "Não, não tem nada demais. Começa bem...tanta gente ajuda tanto candidato"

 

Dualib: "Já começa com 100. Aqui pode ficar tranqüilo, que vai sair o que você quiser".

 

Essa é a figura que há 20 anos está aí no futebol brasileiro. Mas não se enganem, igual ou pior que ele, existem dezenas, talvez centenas. 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Ilgo Wink às 13h29
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Vinhos e criatividade

Cansado de noticiários 'sérios' sobre a politicalha brasileira e cada vez mais impressionado com declarações do luizinaçu - hoje, ao anunciar um projeto destinado a deficientes, chegou a assumir que ele próprio é um deficiente, no que eu concordo plenamente, mas fez isso erguendo a mão sem um dedo - decidi me refugiar num mundo que não é exatamente o meu.

Agora, só ligo a TV pra assistir aos jogos da dupla Gre-Nal e aos programas de gastronomia. Acho legal o programa daquele inglesinho com jeito de adolescente e o daquela inglesa morena, bonita, de nome estranho.

Nada me impressiona mais, porém, do que os programas sobre vinho. Eu vejo aqueles caras degustando, enfiando o nariz no copo, depois de uma sacudida com muito charme (experimentei fazer isso em casa e derramei vinho pra tudo que é lado).

O melhor vem seguida: depois de todo esse ritual,  o sujeito faz uma pose e começa a descrever o que sente logo no primeiro gole. Não é um gole qualquer, é um gole nobre, com pompa.

O degustador faz uma pausa. Medita por segundos, como um filósofo. Olha pra câmara e despeja um palavrório que faz encolher na poltrona. Me sinto humilhado, pequeno, por dois motivos:

primeiro, nunca ter sentido nada daquilo que ele descreve, nada, mesmo sendo um apreciador da bebida desde o tempo em que viajava pela Folha da Tarde para cobrir jogos na Serra e comprar garrafão de vinho na colônia; e, segundo, por não ter dez por cento daquela criatividade na descrição de uma bebida, mesmo que seja uma bebida tão nobre como é o vinho.

Confiram algumas pérolas: vinho de um vermelho rubi intenso, aroma de ameixa madura (não é ameixa verde nem no ponto, é madura),cerejas e especiarias doces, deixando na boca os taninos que se mostram aveludados. Vinho de boa estrutura, fino e moderno.

Que inveja!

Lendo e ouvindo esse pessoal especialista, descobri que os taninos do vinho são muitos: aveludados, como o acima, frutados, jovens, redondo, maduros e por aí vai.

Outras descrições: "Vinho com aroma de frutas vermelhas e toques de baunilha"; "vinho com aroma de amoras silvestres (não é amora comum, é silvestre) e pimenta do reino preta (olha o requinte da descrição, não é branca, é preta, como ele consegue, não me perguntem); "Aroma de cereja madura e frutas secas, deixando na boca aroma potente e grande estrutura".

Por fim, um vinho de 450 pilas: "Aroma de ameixas vermelhas, chocolate e notas de amora, toque de defumado, com frutas vermelhas expressivas bem casadas com notas de baunilha e de café".

Depois dessa, humilhado por não perceber esse turbilhão de sabores e aromas, vou entrar numa cerveja. A melhor delas: a Heinecken.

Agora, mais criativo que os enólogos, são os petólogos, ops, os petistas, que encontram toda a sorte de explicações para justificar seus atos que até a posse do poder em Brasília seria restrito aos outros partidos.



Escrito por Ilgo Wink às 21h22
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Tuta nunca mais!

Foi só eu entrar na redação do CP no final da tarde deste domingo pra vir a provocação. "Sabe quem será o centroavante do Grêmio contra o Juventude?", perguntou o Carlos Corrêa, setorista do clube. Olhinhos brilhando, sorriso transbordando de sacanagem.

"Só pode ser o Marcel. Não tem outro", resmunguei, porque eu sabia que a pergunta era pra me irritar, até porque não tinha o menos cabimento.

"É o Tuta, é o Tuta", respondeu o Carlos, saboreando a minha inevitável irritação. O Chico Izidro e o Rafael Peruzzo confirmaram. Era um complô. Só podia.

Depois do que jogou o Marcel - está bem, não foi nenhuma maravilha, mas jogou como deve jogar um atacante de área, e além disso fez o gol da vitória, revelando qualidade de cobrador de falta, coisa rara no Olímpico - o Tuta não volta mais. Adeus, adiós, cefiní.

Mas fiquei preocupado. Quem sabe o Carlos tinha alguma informação. "De onde tu tirou que o Tuta vai jogar??, perguntei. "Ah, o Mano deu umas letrinhas". Suspirei aliviado.

Se o Marcel já jogou bem tendo o Luciano Marreta do lado, imaginem ele com o Jonas? Tuta nunca mais. Aos 10 minutos do segundo tempo, ao bater a falta com maestria, Marcel decretou o fim da era Tuta no Olímpico.

Acredito no bom senso de Mano Menezes. Talvez essa seja a sua melhor qualidade.

Mano procura fazer o óbvio, sem inventar. Graças a isso a está disputando uma vaga na Libertadores de 2008. E digo mais: agora com atacantes de qualidade (Marcel e Jonas) o Grêmio dificilmente ficará de fora da Libertadores. E ainda pode brigar pelo segundo lugar.

Já o Inter deixou escapar três pontos no Mineirão. Pelo que vi no primeiro tempo, o empate foi justo, mas terminou sendo um castigo, já que o time vencia até os 42 minutos do segundo tempo. Levou dois gols em três minutos e só empatou, resultado que até poderia ser festejado em outra circunstância.

Mas do jeito que aconteceu, foi um crime. Não fosse Renan, o resultado até poderia ser pior.

Como pode uma equipe com tantos jogadores experientes não conseguir garantir uma vitória por 2 a 0, faltando poucos minutos? Isso se deve à instabilidade emocional, à insegurança, fruto da própria insegurança do técnico Abel.

Abel Braga muda demais, parece não saber o que pretende, e isso passa para a equipe. Quando Abel firmar uma equipe, um sistema, o Inter vai subir, mas à esta altura talvez seja tarde demais.

Ah, sobre o Sorondo. Não foi bem, mas todos nós sabemos de seu potencial. Ou nos enganamos?



Escrito por Ilgo Wink às 19h47
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