Gre-Nal: vitória da organização
Com Tuta no time, eu imaginava que o Grêmio perderia o clássico. Afinal, começar um Gre-Nal com um jogador a menos é pedir para ser derrotado. Mas Tuta se superou. Ainda está longe e duvido que um dia chegue perto de ser um centroavante para uma equipe de ponta, que briga por títulos.
O Grêmio tem o segundo pior ataque do campeonato. Supera apenas o Ameriquinha de Natal. E ainda assim está colado no grupo da Libertadores. Se dependesse de seu ataque, onde Tuta é peça fundamental, estaria na ponta de baixo da tabela, ao lado do Juventude, provavelmente.
Mas o Grêmio tem uma defesa sólida e um meio-campo poderoso, consistente, organizado.
Foi por aí que o Grêmio ganhou o Gre-Nal. O meio-campo gremista há muito tempo tem feito a diferença. Foi graças a ele que chegou à final da Libertadores, e só não foi além porque seu ataque é pífio, ridículo.
Tuta, ontem, deu uma resposta um pouco melhor. Aliás, desde a chegada de Marcel ele está correndo mais, se esforçando e mascando menos chicle, o que já é alguma coisa. Ontem, com o agitado e atrevido Jonas ao seu lado, Tuta teve vergonha na cara e brigou mais pela bola, foi mais ativo. Dito isso, ele pode ir agora pra reserva e descansar em paz, no banco.
O problema é que ele tem um santo forte. O Marcel em poucos dias de Olímpico, entrou na faca. O Jonas, em poucos minutos de Grêmio, torceu o joelho. Saiu mais cedo do clássico, chorando, e parece que preocupa o departamento médico. É forte o santo do Tuta.
Mas se o Grêmio foi organizado, o Inter foi um caos. Se eu tivesse que responsabilizar alguém pela derrota colorada por 1 a 0, apontaria sem vacilar o Abel Braga.
Ele dorme com um time na cabeça, e acorda com outro. Começar com a dupla Magal e Edinho, dois quebradores de bola, é um equívoco monumental. Além disso, Wellington Monteiro na lateral é meio jogador. Perdeu um lateral direito e perdeu um volante que sai bem para o ataque. Por que não começar com o Granja e deixar o Wellington no meio?
Outro equívoco: Roger. Esse garoto é muito bom, mas parece imaturo ainda. Prende demais a bola, o que facilita a marcação, principalmente de um time aplicado como o do Grêmio. Roger deveria entrar apenas no segundo tempo.
Com Roger prendendo a bola e Adriano individualista em excesso, sobrou para o Fernandão. Jogou pouco também em função dessa parceria. Se escalou mal, Abel substituiu pior ainda. Lá pela metade do segundo tempo ele deveria ter colocado o Christian, que poderia aproveitar melhor as bolas cruzadas por Granja e Alex. Mas ele optou por Pinga. Vá entender.
Ficou complicado para o Inter a conquista de uma vaga no G-4. Abel terá de definir um time e insistir com ele. Sem inventar.
Escrito por Ilgo Wink às 09h07
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