Felipão e o soco dos senadores
Por seu jeito estourado e por vezes truculento, sempre acreditei que um dia o técnico Felipão ultrapassaria todas as medidas do equilíbrio e do bom senso. A emoção finalmente superou a razão. E Felipão não se conteve. Acertou um soco num jogador da seleção da Sérvia, no finalzinho do empate com Portugal, ontem.
A imprensa lusitana, ao menos parte dela, caiu de pau no treinador. Alguns querem sua demissão imediata. Aqui, é visível a alegria de colorados e o abatimento de gremistas com a situação. Afinal, Felipão foi um carrasco para os colorados, levando o Grêmio a grandes conquistas e projeção mundial. Como se sabe, aqui tudo acaba em Gre-Nal. Colorados de um lado, gremistas de outro.
Se o soco de Felipão não chegou a atingir em cheio o jogador sérvio (o que realmente não importa, o que vale é a atitude, que merece punição exemplar), a agressão do Senado a mim e ao povo brasileiro (ao menos aqueles cansados de tanta patifaria e corrupção, porque, incrivelmente, há quem aprove isso, inclusive na imprensa gaúcha) foi dura, pesada.
Só não foi pior, porque era esperada. Os senadores petistas, aqueles que durante anos apregoavam a decência, a moralidade, a ética, a honestidade, o que lhes deu sustentação para atingir o poder pleno no país, votaram em peso pela absolvição de Renan Calheiros.
O Mercadante (aquele da compra do dossiê na última eleição) disse que se absteve. Quanta dignidade, quanta coragem! E os senadores gaúchos (os políticos gaúchos gostam de exaltar que aqui se faz política com ética e dignidade, e há quem acredite)? Antes da votação secreta (que pouca vergonha), o arqueológico Pedro Simon disse que ainda ouviria as explicações de Renan antes de decidir seu voto. E as provas todas que a Polícia Federal apresentou, não contam? Vale mais a palavra do réu?
O luizinaçú, feliz, claro, já gritou lá do outro lado do mundo que “o importante é o Senado voltar a funcionar”. Com ou sem dólares nas cuecas? Talvez euros. A Gisele Bündchen diz que agora só trabalha com euros, nada de dólares na calcinha.
O Caetano Veloso, antes da votação, defendia a cassação de Renan. “Acho que isso é um dever. Ou morre o Renan, ou morre o Senado”, disse o compositor. Doce ilusão. Os dois vão sobreviver até o fim dos tempos.
O escritor Antonio Callado, de tanto ver prosperar a corrupção neste país, comentou certa vez que o Brasil não anda pra frente porque aqui roubam as rodas do carro.
De mim, roubaram tudo, ou quase tudo: sobrou uma migalha de esperança e um prato cheio, transbordante, de indignação.
COM A DESMORALIZAÇÃO CRESCENTE - ESTIMULADA PELO PT - DO CONGRESSO, CRESCE O RISCO DE UM GOLPE CHAVISTA. UM TERCEIRO MANDATO VEM AÍ. QUEM VIVER, VERÁ.
Escrito por Ilgo Wink às 10h11
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