Caetano, Madonna e ele, o Luís Inácio
Sou fã de Caetano Veloso há muito tempo, desde seu início na antiga TV Excelsior (ou seria Record?), em que ele participava de um programa chamado Qual é a música?. O Caetano, magrinho, ainda desconhecido, acertava todas. O Chico Buarque também era bom nisso. Mas o Caetano era melhor. Acho que o Gil também participava. Acompanhei a trajetória dos três. Gostava mais do Chico. Mais engajado, mais crítico. Letrista incomparável. Genial.
Hoje, por questões políticas e também porque Gil e Chico meio que deixaram a música de lado, sou mais o Caetano.
Não me interessa a opção sexual dele.
Hoje, ao abrir um site, deparo com uma chamada: “Lula é a Madonna”, afirma Caetano Veloso. Fiquei curioso e fui atrás de mais detalhes.
Ele deu entrevista à revista Rolling Stones, na qual aparece com cílios postiços, rímel, etc. Enfim, uma guria.
Tempos atrás ele já havia dado um pau (sem duplo sentido) no atual desgoverno brasileiro.
Agora, essa comparando o Luís Inácio com a Madonna é perfeita. Confira:
“Se coloca bem para manter o sucesso de ter chegado à presidência. A sensação que a gente tem até hoje é que estamos na festa da posse do Lula"”, disse Caetano. Gostei. Mais um motivo para seguir fã do Caetano, independente, como já disse, de sua opção sexual, assunto, aliás, que ele aborda na matéria.
E isso me remete ao caso envolvendo o volante Richarlyson. É um sujeito esclarecido, diferente da maioria dos boleiros, pelo que li numa entrevista. Ele ataca todos os tipos de discriminações. Por isso, segundo ele, vai seguir na luta contra o juiz que arquivou seu processo contra um dirigente do Palmeiras com argumentos ridículos, ofensivos e preconceituosos. Passei a ser admirador do Richarlyson, também.
Outro que entrou na minha agenda positiva é o Muricy Ramalho. É um ranzinza, eu sei, mas foi o único que atacou a decisão dos auditores do tribunal de justiça (?) desportiva do Rio (sim do Rio), que absolveram o Dodô, e por tabela o Botafogo, no caso do doping.
Um escândalo. O atacante, que admiro há anos, ingeria um comprimido ministrado pelo clube, à base de cafeína. Todos os jogadores ingeriam o comprimido, em cápsula, feito por um laboratório de manipulação do Rio. O dono do laboratório está indignado. Garante que não havia no produto a tal substância dopante. Diz que a cápsula poderia ser aberta e nela adicionada outra substância. “Querem livrar o Dodô e o Botafogo”, afirma o farmacêutico.
Liberou geral, resmungou Muricy, enquanto todos os seus colegas se calaram.
Pois é, estamos no Brasil.
Seria demais pedir que neste quadro atual, em que a corrupção navega por mares de lama nunca antes navegados com tanta intensidade, que o futebol desse o exemplo de decência e transparência? Seria demência?
Nos acréscimos I
O Caetano não precisava agredir assim a Madonna. Ela não merece a comparação.
Nos acréscimos II
Hidalgo pra quem esperava o Gustavo Neri é um balde de água fria. Mas se trata de bom jogador.
Nos acréscimos III
Estarei nesta sexta-feira no Terceiro Tempo da Rádio Guaíba, às 12h, a convite do meu amigo Márcio Beyer (eu sabia que divulgar o Beco das Garrafas, que fica ali onde era o bar do Walter, na Cristóvão, ia me render alguma coisa).
Escrito por Ilgo Wink às 11h09
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