Vão-se nossos craques despertados
'Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas De pombas vão-se dos pombais, apenas Raia sangüínea e fresca a madrugada...'
Foram desses versos - de Raimundo Correia - que me lembrei quando comecei a escrever uma matéria para o CP sobre a venda de Pato e outros negócios envolvendo jogadores brasileiros com clubes do exterior.
São várias as pombas - algum gaiato pode pensar em pato no lugar de pombas - que deixaram o pombal do futebol brasileiro rumo a inúmeros pontos do planeta.
Só no primeiro semestre deste ano, foram quase 600 atletas, a maioria jovens. O custo médio de cada transação foi de 8 mil dólares.
Pato chegou perto dos 30 milhões de dólares. Recorde na história do nosso futebol para um jogador menor de idade, sem passagem pela seleção principal do país.
Pato foi, como irão outros, deixando o nosso futebol cada vez mais pobre, de terceiro mundo como quase tudo neste país.
Imagino que boa parte dos gremistas estejam comemorando. Faz parte da paixão, do ódio ao inimigo, que se fragiliza.
É uma alegria que dura pouco, porque em seguida será um talento do Grêmio que irá voar para outros ares. Carlos Eduardo, por exemplo, será que estará aqui em 2008?
Nossos clubes, mesmo os grandes, viraram barriga de aluguel, até que seus craques - ou mesmo jogadores medíocres, mas com bons empresários - despertem interesse dos Barcelonas, Milans e outros.
Em outros tempos, perdíamos talentos apenas para a Europa. Agora, qualquer país com um pouco mais de riqueza vem aqui e leva quem quiser, às vezes até de graça por causa de uma lei desgraçada, a tal Lei Pelé, alegria dos intermediários.
E cada vez nossos talentos vão embora mais cedo. Pato, com 17 anos, 27 jogos pelo Inter, em apenas nove meses. Nem Gre-Nal chegou a jogar.
Daqui a algum tempo, poderão assinar contrato com alguém ainda no berçário, desde que seja filho de algum craque.
E ficamos nós aqui, torcendo pelos ramóns, edinhos e outros. E ainda há quem pague canal fechado para assistir a jogos do Brasileirão. Ou arquibancada a 30 reais.
Tudo neste país está nivelando por baixo.
Pobre futebol brasileiro. Pobre torcedor brasileiro.
Um a um vão-se os nossos talentos, como nossos sonhos.
Escrito por Ilgo Wink às 22h02
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