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Aviação brasileira se divide em AL e DL

Um dia, daqui a muitos anos, historiadores debruçados sobre este início de século vão definir que a aviação brasileira se divide em dois períodos: AL e DL.

AL, ou Antes de Lulla, a aviação brasileira tinha uma empresa de ponta mundial no setor: a Varig. A empresa enfrentava problemas de gerenciamento, de fluxo de caixa, débitos impagáveis. Certo. Mas é certo também que a Varig tinha créditos equivalentes ao seu débito junto ao governo federal, que era seu maior credor, disparado.

Não ignoro, também, que esse processo todo começou com o Collor e seguiu com o FHC, que, de diferente do Luís Inácio, só tem a pose e o estudo.

No ano passado, antes do caos aéreo, na revista Istoé Dinheiro, o fundador da Embraer, Ozires Silva, dá uma esclarecedora entrevista na qual diz aquilo que muita gente dizia: bastava o governo fazer um acerto de contas com a Varig. Feito isso, a Varig poderia seguir com o seu padrão de excelência internacional.

Tenho um conhecido que trabalha na Lufthansa, uma das empresas mais sólidas e sérias do setor aéreo. Certa vez, muito tempo atrás, ele me disse que a Varig era a única empresa na América Latina que só trabalhava com peças de reposição originais. Todas as outras usavam peças recondicionadas.

Também por isso a Varig tinha custos mais elevados. Investia em manutenção, talvez o maior problema que temos hoje no setor, a julgar por pequenos acidentes que ocorrem seguidamente, não resultando em tragédias por detalhe.

Então, como o Brasil de hoje busca e aperfeiçoa o nivelamento por baixo, em todos os setores, inclusive na escolha de suas lideranças, não há espaço para uma Varig voar.

Para finalizar, duas coisas, que refletem o que é o Brasil DL (Depois de Lulla), o governo que promete bater o recorde mundial em acidentes aéreos:

a reforma no aeroporto de Congonhas privilegiou a perfumaria. Basta entrar no site da Infraero para confirmar. Foram gastos uns 500 milhões (se não houve desvio), dos quais só 5% foram destinados a melhorar a parte técnica. Não sobrou para colocar as ranhuras na nova pista, mas o ar condicionado na saguão está perfeito;

agora, esta que seria para rir, gargalhar mesmo - a exemplo do assessor Marco Aurélio Garcia quando soube que o avião da TAM tinha um problema -, se não fosse trágico: dois diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) foram condecorados ontem em Brasília por méritos prestados à Aeronáutica. A Anac foi implantada pelo governo Lula para regular o transporte aéreo do Brasil, mas na prática acabou se tornando mais um cabide de empregos.

Na cerimônia, que aconteceu três dias após o maior desastre da aviação nacional, foram entregues as medalhas de "mérito Santos Dumont" para o diretor-presidente da Anac, Milton Zuanazzi, e a também diretora da agência Denise Abreu. Zuanazzi, pra quem não sabe, é muito ligado a poderosa Dilma Roussef.

Santos Dumont e Rubem Berta (fundador da Varig) devem estar se revirando.

Agora, um pedido: por favor não escrevam para defender o Luís Inácio. É um apelo. Estou revoltado e irritado demais pra suportar também esse tipo de coisa.



Escrito por Ilgo Wink às 09h48
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A volta ao Olímpico e aos anos de chumbo

No belo filme Em algum lugar do Passado, o personagem principal, interpretado por Christopher Reeve, consegue voltar ao passado para reencontrar um amor que tivera em outra vida. Para isso, ele se hospeda num hotel antigo, onde teria conhecido a mulher (Jane Seymour), usa vestuário do passado, se tranca num quarto, que seria o mesmo da outra vida. E se concentra por dias e dias, até acordar na vida anterior. Tudo isso com um trilha sonora sensacional (do John Barry).

Pois eu não precisei nada disso para recuar uns 25 anos no tempo. Bastaram alguns minutos, sábado, no estádio Olímpico, na parte das arquibancadas inferiores, onde havia pisado pela última vez nos anos 70, recém chegado de Lajeado.

Grêmio e Palmeiras já estavam em campo quando entramos no estádio, eu e meu filho Matheus.

Havia muita gente no estádio, mais de 20 mil pessoas. Paguei 30 reais pelo ingresso, caro. Muito caro se considerarmos que fiquei todo tempo em pé. Ninguém mais fica sentado nas arquibancadas.

Foi aí que comecei a voltar no tempo.

Não havia cobertura na parte onde fiquei. O anel superior ainda estava incompleto quando comecei a assistir aos primeiros jogos do Grêmio. Então, a gente ficava ali sob o sol e a chuva. Mas sentados. Levantar só para xingar o juiz e a família dele, vaiar o adversário ou o próprio time gremista.

Na verdade, nunca fui daqueles torcedores oba-oba. Sempre fui crítico. Do tipo corneteiro, metido a saber mais que o treinador.

Acho que fiquei assim porque eram os anos de chumbo. Não, os anos da ditadura, que estava moribunda. Mas do chumbo que o Inter disparava no Grêmio ano após ano.

Sim, sou filho dos anos de derrotas do Grêmio, de vitórias do Inter. Vi o Inter ser um inacreditável octacampeão gaúcho (oito ano seguidos, para deixar bem claro, porque parece um absurdo nos tempos atuais) e, pior, ser bicampeão brasileiro com Falcão, Figueroa, Carpegiani, etc.

Vi o Escurinho destruir meus sonhos de vencer um Gre-Nal em domingos ensolarados, ou chuvosos, nos minutos finais dos clássicos.

Não vi o Gre-Nal que o Zequinha fez três gols (3 a 1, no Beira-Rio, em 1975). Na hora de uma rara alegria, eu estava fora de Porto Alegre.

Pé-frio? Não sei, mas amargo sim. Acho que fiquei muito amargo, descrente, sarcástico, desconfiado. Acho que esse período foi importante na formação da minha personalidade.

Em campo, me via no Iúra. Símbolo da resistência diante de um Inter imbatível, que, apesar de superior, nunca conseguiu nos golear.

Meu consolo para tanto sofrimento no futebol. Um consolo como esse que foi ver o Luís Inácio ser vaiado no Pan.

Então, como o Iúra, que não se entregava nunca, eu também não me entreguei. E vi o Grêmio evitar o nono título seguido do Inter.

Depois, já como profissional da imprensa (título de sócio contribuinte cancelado em função disso), vi o Grêmio ser campeão brasileiro em 1981. Até dei uma modesta contribuição para que isso ocorresse, mas é outra história, que contarei um dia mediante pedidos insistentes e numerosos.

Voltei a 2007 quando vi o Patrício cruzando uma bola perfeita para o Ramón fazer 1 a 0. Não vibrei.

Curti aquele momento: milhares de pessoas festejando, a maioria jovens. Nem a presença de um vendedor oferecendo doses de um tal Conhaque do Faustão, foi suficiente para impedir que eu me desse conta de como é bonito o Olímpico.

Melhor que a maioria dos estádios que conheço. Será que vale a pena destruir o Olímpico e construir outro estádio, principalmente utilizando um dinheiro que vem de outros e que pode sair muito caro?

Era eu de volta para o futuro, sempre crítico, desconfiado, menos amargo, porque de lá para cá fui campeão várias vezes.

Mas não adianta, aquele início, aquele aprendizado nas arquibancadas do Olímpico nos anos 70 ficaram marcados a ferro e fogo.

Apesar disso, foi um tempo bom. Um tempo de sonhos juvenis e de esperança.

Um tempo que ficou em algum lugar do passado.



Escrito por Ilgo Wink às 15h19
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Olé, a Seleção, os técnicos e os críticos

'Tristeza sin fin', estampa o debochado Olé, jornal argentino que não conseguiria viver se não houvesse o futebol brasileiro.

Sempre debocha e ri antes para chorar depois.

O futebol é mesmo surpreendente. Nem o próprio Dunga poderia imaginar uma goleada sobre os argentinos. Os 3 a 0 foram para calar a imprensa do centro do país, que terá de engolir os volantes de Dunga por mais algum tempo.

Já eu, pelo que vi sábado, no Olímpico, vou ter que aturar Ramón e Nunes até o fim dos tempos. Aliás, é impressão minha ou o Grêmio sempre toma gol quando o Nunes entra? Nunes, o chama derrota.

O Mano Menezes tem seus méritos, mas estou cada vez mais convencido de que é um técnico conservador, que firma um esquema e dele não arreda pé.

Essa de deixar o Carlos Eduardo no banco até quase o final do jogo é da escola de Celso Roth, que deixava Ronaldinho na reserva, e do próprio Mano, que dispensava o talento de Anderson, a quem apelava na hora do desespero, como foi sábado com o C. Eduardo.

A explicação dele foi ainda pior: disse que por ter feito já duas substituições (uma delas o Nunes pelo Adilson, que mostrou ser um volante de futuro. Segundo Mano, o garoto saiu por câibras, acho é desculpa para justificar a bobagem) temia colocar logo o Carlos Eduardo porque o goleiro Saja poderia se machucar e aí ele ficaria só com dez.

Até os quero-queros do Olímpico sabem que raramente um goleiro se machuca no decorrer de uma partida. Então, foi medo mesmo de ganhar do Palmeiras, que mostrou fragilidade, estava pedindo para perder.

Agora, quem pediu pra perder também foi o Inter. Fez um primeiro tempo  digno de uma vaia semelhante àquela maravilhosa que os cariocas (espero que sirva de exemplo para gaúchos, paulistas, mineiros, etc) deram no Luís Inácio na abertura do Pan.

Com certeza, aquele pessoal todo não foi ouvido pelo Ibope e outros institutos de pesquisa.

O Inter jogou muito mal, mas no segundo tempo teve uma reação para calar os críticos do Gallo, que são muitos e insistentes, não dão o braço a torcer, não admitem que talvez possam estar enganados em relação ao técnico colorado.

Ninguém acerta ou erra sempre. Nem os técnicos, nem os críticos (entre eles eu, claro).



Escrito por Ilgo Wink às 22h07
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