A Confraria dos Indignados e o Beco das Garrafas
Estou criando a Confraria dos Indignados. Não tem estatuto, normas, direção, regras, é completamente anárquico. Não há cotas para negros, amarelos, tricolores, colorados, bichas, sapatões, mulheres, homens. Até petistas são aceitos, com ressalvas, mas, tudo bem, são bem-vindos. Acho que até os petistas (os lúcidos, eles são poucos mas existem) estão indignados, porque também se sentem enganados.
O lançamento será neste sábado, às 21h mais ou menos, no Beco das Garrafas (Cristóvão Colombo, 933 (fone 30131307) quase esquina com a Ramiro, onde era o bar do Walter da minha distante juventude física). De quebra, vou comemorar 15 mil acessos (de fúria, de compreensão, de amizade, de solidariedade, de desprezo, de apoio, de neutralidade, etc) nesse despretensioso blog.
Tive a idéia na manhã de hoje depois de ler jornais e sites. Na verdade, minha insatisfação começou ontem à noite, enquanto assistia ao jogo do Brasil contra o Equador.
O país do futebol tem hoje uma seleção de um homem só. Robinho, claro. É irritante.
O que mais me deixou chateado mesmo foi saber que o Grêmio realmente virou um trampolim político. Ou campo de pouso de paraquedistas. Essa do ex-governador Antônio Brito, que nunca ocupou qualquer cargo no Grêmio, ser indicado para presidir o clube é demais. Dá uma impressão preocupante de que o Grêmio virou clube de um pequeno grupo (Koff, Odone e cia.).
Até acho que o Brito, com quem tive algumas cadeiras na Fabico, poderia até ser um bom presidente (desde que não privatize as cadeiras ou transfira o clube para o nordeste do país, ou ainda implante um PDV para os jogadores talentosos), mas primeiro deveria cumprir estágios para chegar ao topo. Ainda bem que o Sérgio Ilha Moreira, este sim com histórico de atuação no Grêmio, está disposto a partir para o confronto.
Duvido, porém, que ele mantenha a candidatura. Será patrolado por forças poderosas.
O caso do Brito é muito parecido com o do Jarbas Lima, que assumiu a presidência do Inter apoiado pelo grupo do Inter 2000.
Lembra também a ascensão do Luís Inácio, que saiu de um sindicato para ser presidente do Brasil.
Agora, o que me motivou a criar a Confraria dos Indignados foi a foto do Joaquim Roriz todo sorridente ao renunciar ao posto de senador.
Ele renuncia ao senado e ri. Perde aquela boquinha e ri. E ri debochadamente. Sabe que com essa renúncia não sofrerá nenhum tipo de punição. Em breve será esquecido, sairá do noticiário e continuará rindo, enriquecendo e rindo.
E ele é só um. Poderia citar as centenas de pessoas soltas pelo judiciário, que sempre encontra justificativa para soltar poderosos ou amigos de poderosos. Poderia citar o Renan Calheiros, que deve seguir o mesmo caminho de Roriz para que tudo continue igual em Brasília, onde as empreiteiras mandam, não pedem.
Poderia citar também essa fraude envolvendo compra de selos na Assembléia Legislativa gaúcha. Duvido que não tenha políticos envolvidos nisso. Afinal, como é que saem mais de 2 milhões de reais da AL sem mais nem menos.
E o escândalo das Usinas, envolvendo a Companhia de Geração Técnica de Energia Elétrica (na verdade um cabide de empregos)? Confesso que ao ler as matérias sobre o assunto hoje nos jornais cheguei a sorrir.
Todos os citados são petistas. Todos.
A corrupção não tem partido. Na realidade, temos hoje no país um único partido, o maior partido do mundo: o Partido dos Corruptos, cuja ideologia é uma só, enriquecer a qualquer custo, descaradamente, impunemente.
Sábado, no Beco das Garrafas, primeira reunião da Confraria dos Indignados na comemoração dos 15 mil acessos.
Desconfio que vou brindar comigo mesmo.
Vou afogar minha indignação em muitos copos de bramas da polar.
Escrito por Ilgo Wink às 10h57
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