Iris, Ana Paula e a derrota brasileira
Estamos salvos. Acabaram-se todos os nossos problemas. Iris vai posar nua para a Playboy.
Felizmente, a Ana Paula já topou e vai sair na edição de junho da revista.
Ela vai sair na revista por ser mulher, óbvio, e bonita. Mas sobretudo por ser uma mulher que ousou invadir o universo machista do futebol. E, por isso, sujeita a punição maior em caso de falha em campo. Estava na geladeira, de onde saiu direto pra frigideira com azeite fervente por ter posado nua.
A nudez feminina parece agredir os anciões da Fifa. Hipocrisia que baba.
Mas, ficando no campo do futebol, os profissionais masculinos que cometeram erros muito mais graves seguem aí apitando, bandeirando. Impunemente.
Como impune segue o Edmundo. Em 1995 ele matou três pessoas num acidente de trânsito. Quatro anos depois foi condenado. Pegou quatro anos e meio de cadeia. De recurso em recurso, continua aí, livre, leve e solto.
Ah, mas isso é detalhe neste país em que a impunidade fez morada e cravou raízes profundas.
Agora, o assunto é Richarlyson. Será ele, que joga no São Paulo, o jogador gay que o Fantástico tenta entrevistar, chegando a oferecer dinheiro em troca de um depoimento?
Tudo indica que sim. A mãe dele (está nos sites) jura que o cara é macho.
Este é outro tema de transcendental importância. Se resolvermos também essa questão, aí sim estaremos salvos.
Agora, a salvação mesmo virá se o Brasil for campeão da Copa América, essa competição que está empolgando o Brasil e, quiçá, o mundo.
A julgar pela estréia, a Seleção volta mais cedo pra casa.
O time até que começou bem. Robinho infernizando. Maicon mostrando que Cafu tem sucessor. E Diego, que marcou um gol, aos 5 minutos, anulado erradamente.
Gostei mesmo foi de um sujeito que eu não conhecia: Nery Castillo. Minutos de fazer um golaço (e que golaço), ele havia driblado meia dúzia do Brasil.
Castillo, que joga no Olympiakos, recebeu na área, deu um balãozinho em Maicon e tocou com categoria na saída de Doni. Dois toques que revelam um craque. Um lance que lembrou Pelé em 1958.
Depois, Morales ampliou cobrando falta. Doni aceitou. Uma bola colocada no canto esquerdo. Ele ficou olhando. Doni é pedra cantada. Só Dunga não sabia que o goleiro da Roma não é confiável, pra dizer o mínimo.
No segundo tempo, Dunga ousou ao substituir Elano, um jogador que marca e ataca, por Afonso, um atacante. Anderson entrou no lugar de Diego, que estava bem. E Dunga acertou.
O que se viu em seguida foi um tiroteio na área do México. Robinho, em noite de Pelé, e Ânderson criaram inúmeras situações de gol. O goleiro Ochoa fez milagres.
O Brasil mereceu o empate. Agora, é outro drama, como se não bastasse essa novela tragicômica que tem Renan Calheiros como canastrão principal. A Seleção precisa vencer o Chile, domingo, se não pode ser eliminada.
É, nossos problemas ainda estão longe de acabar.
Escrito por Ilgo Wink às 23h16
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