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BRASIL, Sul, PORTO ALEGRE, Homem
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Gre-Nal perde muito de sua beleza e emoção
Bonita aquela bandeira enorme do Inter tremulando no Beira-Rio. Se vê de longe. Passando em frente ao complexo colorado, estádio portentoso, um belo ginásio e, entre eles, um moderno centro de eventos, pensei o quanto é bom ser colorado. No alto do estádio a inscrição Campeão do Mundo Fifa reforça esse meu pensamento.
Lembrei dos colorados que conheço. Realmente, têm motivo para orgulharem-se.
Agora, melhor ainda é ser gremista. Ter um rival desse porte, com tamanha grandeza, é gratificante, estimulante. Sempre um desafio.
Quando se conquista um título importante ou se vence um Gre-Nal a satisfação é proporcional à dimensão do adversário, ou do inimigo como soa mais adequado aos torcedores de espírito belicoso.
Se o Inter não fosse tão grande, tão poderoso, qual seria a graça de ser gremista?. E vice-versa? Seria como bater no simpático Zequinha, ou no Cruzeiro do meu amigo Ernani Campelo, o Montanha.
E mais? Nem Inter nem Grêmio seriam o que são se não fossem os dois tão ambiciosos, incansavelmente ambiciosos, estimulados por uma rivalidade que só tende a crescer. E quanto mais cresce, mais títulos os dois conquistam.
Não há limites.
Neste domingo, os dois estarão mais uma vez frente a frente. Ambos sem estrelas, sem maiores atrativos, principalmente o Grêmio.
Mas é Gre-Nal. O Inter entra como favorito, mas precisa confirmar essa condição com a bola rolando, não apenas no papel ou no discurso de torcedor.
Prevejo um jogo tecnicamente modesto, de pouca inspiração, mas guerreado como são todos os nossos clássicos.
Se em campo não deve ser grande coisa, menos ainda nas arquibancadas. Gre-Nal com praticamente uma só torcida dá uma sensação de vazio.
A festa fica incompleta. Perde em beleza, em vibração e emoção.
Acredito que os próprios torcedores colorados vão sentir falta de seus tradicionais adversários. Nas arquibancadas, não haverá exatamente um Gre-Nal. Talvez um Inter x Juventude ou um Inter x Zequinha.
Um chegaremos à perfeição: um Gre-Nal todo só azul ou só vermelho.
E aí poderá ser o começo do fim. Ou de uma retomada de consciência de todos, a começar pelos próprios torcedores, responsáveis por esse caminho que parece mesmo conduzir para a frieza de arquibancadas se uma só cor.
Escrito por Ilgo Wink às 18h24
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Até que foi longe demais
O sonho do tricampeonato da Libertadores passou pela crença na imortalidade, cresceu com a impressionante demonstração de fé e de esperança dos gremistas, mas acabou morrendo na dura realidade do futebol de um time copeiro. O Boca Juniors jogou com altivez, não se intimidou diante de 50 mil gremistas, e calou o Olímpico com o seu futebol de marcação eficiente, aplicação tática e contra-ataques insinuantes, puxados por um craque: Riquelme.
O Grêmio, que precisava vencer por três gols de diferença, acabou batido por 2 a 0. Os dois gols marcados justamente pelo seu melhor jogador, provando que não se deixa de fazer marcação especial sobre um craque impunemente. O mesmo jogador que fez a diferença na Bombonera repetiu o feito no Olímpico, adiando o sonho do tri gremista.
E o Mano Menezes não viu. Só o Mano Menezes não viu que Riquelme deveria ser marcado individualmente. Depois do jogo, ele continuou sustentando a sua decisão de marcar por zona. Não deu certo na Bombonera. Pior ainda no Olímpico.
Sobre a minha confiança no tri, conforme escrevi no tópico anterior, era baseada no pensamento mágico que tomou de assalto a torcida gremista. De repente, Tuta voltaria a marcar, e Patrício e Lúcio jogariam o que nunca jogaram. A realidade é que esse time foi mesmo longe demais. No começo do ano escrevi que o Grêmio não iria longe na Libertadores. Errei. Foi longe demais.
Acabei envolvido pela maré de misticismo que inundou a torcida gremista.
Acabei me afogando.
Escrito por Ilgo Wink às 23h52
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O imortal tricolor e a fé da torcida
O astrólogo Bruno Vasconcelos está sendo acusado de ficar em cima do muro. Ele não é um picareta, é um estudioso dos astros. Faz um trabalho sério. Pode errar, como já errou, mas não chuta.
Bruno deixou claro que os astros apontam uma tendência de título para o Boca (o que está muito claro, sem necessidade de recorrer à astrologia ou algo parecido), mas possível de reverter a partir da forte mobilização gremista. Estamos falando de fé.
Está provado que a fé, se não remove montanhas, pode curar. Pode fazer com que objetivos sejam atingidos. Mesmo os aparentemente impossíveis.
Fé. Este é o maior trunfo do Grêmio hoje à noite. A fé de uma torcida que enfrentou o frio e a chuva, varando madrugadas, para adquirir ingressos. A fé de uma torcida que nunca deixou de acreditar nem mesmo depois que o Boca fez o terceiro gol na Bombonera. A fé de uma torcida que tem tanta força, tanta energia, que está empurrando o time a vitórias inimagináveis em sua casa.
A conquista do tri da Libertadores passa necessariamente pela fé dessa torcida que não aceita limites, não identifica o impossível e, decididamente, não se dá por vencida antes do tempo.
É uma torcida que neste momento ignora, por exemplo, que o Grêmio não tem centroavante. O pensamento mágico que povoa a menta dos gremistas desde os 3 a 0 na Bombonera acredita que Tuta vai, enfim, deslanchar. Será um Alcindo, um Baltazar, um Jardel nesta noite quente de 20 de junho.
É uma torcida que acredita em Patrício, um jogador valente, mas afobado e de pouca técnica; acredita em Saja, um goleiro com péssima saída de gol nas bolas altas; acredita em Lúcio, que não consegue acertar um cruzamento.
Hoje, por essa magia que envolve a torcida tricolor, todos são talentosos, heróis capazes de jogar o que nunca jogaram em suas vidas.
É nisso que os gremistas se apóiam. Na superação de cada um de seus jogadores. Na sua própria superação. E, mais do que tudo, os gremistas acreditam mesmo na imortalidade.
Eu, por acreditar na existência de energias poderosas a reger nossos destinos, não tenho porque duvidar daquilo que está a torcida gremista acreditar com tanta força numa vitória de 4 a 0 sobre o Boca.
Por isso, ignorando Tuta, Patrício, Saja e Lúcio, desprezando a lógica do futebol, acredito na vitória.
Acredito no tri.
Escrito por Ilgo Wink às 16h12
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A força dos astros e a força da fé
Conforme prometi, aqui vai a previsão do astrólogo Bruno Vasconcelos:
"O Grêmio neste dia 20 de junho tem nos trânsitos planetário a presença forte de Marte, isso significa a bravura, a garra e o esforço de ataque. Há espaço para o exercício da criatividade no time.
Penso que é lógico afirmar esse aspecto da agressividade gremista, pois ela estará presente nesse momento, até porque a situação exige isso. Mas podemos nos surpreender com alguma confusão na escalação da equipe.
Nenhum astro privilegia o Grêmio nessa partida, ao menos de forma acentuada. Mas nenhum o atrasa. Agora, o desenho todo do céu mostra-se vibrante e mutável, indicando que ao longo da partida perceberemos transformações na qualidade do jogo.
É certo que será um jogo de estratégia e o segundo tempo, um tempo de superação dos times, com favorecimento dos estrangeiros, isso representado por Marte trígono Plutão ocupando a nona casa astrológica do Grêmio, e pela ocupação do meio do céu pela constelação do Centauro.
O favorecimento dos "que vêm de fora" é destacado por Sagitário no Meio do Céu uma hora após o jogo começar.
Por outro lado, Sagitário tem Júpiter como regente. E Júpiter tem a função da fé no indivíduo.
Como o estádio estará tomado pela fé gremista, é possível prever que uma forte superação do time tricolor leve o jogo a ser prolongado, podendo chegar aos pênaltis.
Não há nada, contudo, que aponte com segurança quem será vencedor. Se os astros tendem levemente para o Boca Juniors, a fé de toda uma torcida pode reverter essa tendência, como aconteceu no Beira-Rio, no ano passado, quando o Inter conquistou a Libertadores sobre o São Paulo".
Escrito por Ilgo Wink às 22h20
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Alucinações de um ser gripado
Ando meio zonzo. Não sei se é essa gripe (ah, essa onda gelada que vem da Argentina...) que não me larga, colou em mim como o Gavilán deveria colar no Riquelme.
O fato é que ando lendo e vendo coisas estranhas. Abro os sites e está lá: Roberto Carlos assina com clube turco. A primeira imagem que me vem à cabeça: é o Roberto Carlos, cantor. Numa fração de segundo me dou conta que se trata do lateral, óbvio.
Imagine o Roberto Carlos, cantor, com uma perna só querendo jogar futebol? Não pode.
Bem, quem sabe no lugar do Tuta. É de se pensar.
Meu desvario sofre um golpe mortal quando leio o Luís Inácio criticando os secadores do Brasil, do seu governo. Parem de falar mal do Brasil, reclama ele, acrescentando que os suíços não falam mal da Suíça, os italianos não falam mal da Itália. Santa comparação. Tudo a ver, como diz o email que recebi do Chico Izidro nesta manhã (o gremistão e festejado autor de Era Vidro e se Quebrou está de férias).
Desconfio que ele está preparando outro livro: Minha vida antes e depois do Boca.
Mas voltando ao Luís Inácio. Logo que ele passou a vida preguiçosa dele detonando todos os governos, secando enlouquecidamente, vem agora reclamar dos secadores.
É mais ou menos como o Paulo Odone, presidente do Grêmio, ir aos microfones reclamar que os colorados estão secando o time na final com o Boca. Vocês acham que não tem gremista secando o Odone agora?
Outra pra me deixar prostrado: "O Brasil vive seu melhor momento desde a proclamação da República". Não preciso dizer quem é o autor. Os colorados diriam que o Luís Inácio parece o Grêmio com tanta soberba.
Não sei se é vertigem ou labirintite, mas leio também que o Luís Inácio teve encontro ontem com o futuro presidente do Banco Mundial, Roberto Zoellick. Em 2002, em plena campanha à presidência, o Luís Inácio se negou a negociar com ele. E agora está aí todo amiguinho.
A tontura aumenta quando deparo com a notícia da posse, hoje, do Mangabeira Unger (secretaria de Ações de Longo Prazo, com status de ministério), que há dois anos declarou que o governo atual é o mais corrupto de todos os tempos. Não é de enlouquecer?
Mérito para o Luís Inácio, que cooptou esse crítico tão áspero e cruel. Mangabeira Unger, outra decepção.
De decepção em decepção eu vou levando.
Só o tri da Libertadores para me reanimar.
NOS ACRÉSCIMOS
Ainda hoje a previsão do astrólogo para Grêmio e Boca.

Escrito por Ilgo Wink às 15h26
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Newton, Nostradamus e eu: previsões
Se o físico britânico Isaac Newton conseguiu prever, lá pelo século 17, que o fim do mundo será por volta de 2060 (conforme noticiário internacional desta segunda-feira, antevéspera da grande final da Libertadores), eu me considero em condições de fazer uma previsão - não que considere a profecia do descobridor da lei da gravidade estapafúrdia, ao contrário.
Depois de acompanhar os acontecimentos de hoje, colhendo informações aqui e ali, posso prever com pouca chance de errar que Porto Alegre vai ter o seu apocalipse já nesta quarta-feira.
Sei que circula por aí uma bobagem atribuída a Nostradamus, um francês que viveu em 1500 e que era conhecido como médico, matemático e astrólogo, profetizando vitória do Grêmio sobre o Boca e a conquista do tri. Claro que tudo isso com uma linguagem que pode mesmo convencer os incautos e principalmente aqueles que querem acreditar no milagre dos 4 a 0.
Não sou médico, nem matemático (sempre me dei mal nessa disciplina), mas sou iniciado na astrologia. Não me fundamento nesse conhecimento, no entanto, para prever o apocalipse gaudério.
Isso eu deixo para o meu amigo, astrólogo profissional, o Bruno Vasconcelos. Consegui falar com ele e amanhã estarei publicando a sua previsão a respeito de Grêmio e Boca.
Estou prevendo, de verdade, batalhas campais em Porto Alegre. Sei que a BM vai colocar uns mil soldados para controlar a situação. Parece muito, mas eles não irão trabalhar todo o tempo, farão escalas. Então, em determinado horário, haverá um número muito inferior.
A BM vai receber o comboio de 50 ônibus na entrada da cidade. Eles ficarão no parque da Harmonia (será depredado) até a hora do jogo.
Duvido que os soldados (serão uns 30 destacados para essa tarefa) consigam reter dois mil torcedores do Boca durante quatro ou cinco horas ali. Centenas deles (aqueles de sempre) sairão pela cidade. E aí tudo pode acontecer.
Poderia me estender, mas fico por aqui. Antes, a palavra do representante do Boca Junior na reunião de hoje (segunda-feira) com a Brigada Militar, Grêmio, etc.
Estava tudo bem na reunião até que o sr. Luiz Buzio falou, com a maior cara-de-pau: "Virá de Buenos Aires um pequeno grupo de torcedores, incapaz de fazer confusões". Ele é o mesmo que disse em Buenos Aires para que crianças e mulheres argentinas não viessem a Porto Alegre. Depois, ele acrescentou, elevando a voz: "Os bosteros apenas apedrejaram um micro que transportava torcedores do Grêmio. Não houve tiros e nenhum ônibus foi saqueado".
Quer dizer, a imprensa argentina omitiu o que houve de verdade lá no primeiro jogo, e um dirigente do Boca Juniors vem aqui e mente de forma descarada.
São uns anjinhos.
Escrito por Ilgo Wink às 21h47
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