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A prova da tríplice coroa gremista. Xeque-mate?

Fui ao Olímpico no final da manhã deste sábado. Caía uma chuva miúda quando eu e meus filhos chegamos (eles queriam conhecer o memorial do clube, que eu também não conhecia). A lojinha do clube lotada, muita gente fazendo compras. Perguntei sobre os ingressos para o jogo em Buenos Aires. Ainda não haviam chegado.

 

Depois de pagar dois reais por cabeça, fomos conhecer a sala de troféus do Grêmio. Tem muita coisa interessante lá. Coisas antigas, fotos, vídeos de jogos e sobre a história do clube. Muito interessante, como deve ser interessante a sala de troféus do Inter. Não são muitos os clubes no país que contam assim a sua história, de maneira organizada e atraente. É um bom passeio.

 

Lá pelas tantas, eis que deparo com um troféu de um metro e meio de altura (um pouco menor que o colega do CP, o Alfredo Possas). Cor escura. Confiram a foto mais abaixo.

 

 

 

Estava ali, diante de mim, o troféu da Copa Interamericana, conquistada pelo Grêmio em 1983. Era uma competição disputada de 1968 a 1998, reunindo a cada ano os campeões da Libertadores e da Concacaf.

 

Nem me lembrava mais desse título até ler o blog www.blogremio.blogspot.com, anteontem, registrando que o Grêmio havia conquistado a tal tríplice coroa em 83 (Libertadores, Mundial não-Fifa e a Interamericana, todos no mesmo ano).

 

Na base da taça, os nomes de seus campeões até 1983. Entre eles, Estudiantes de La Plata (o primeiro), River Plate, Nacional, Vélez e América.

 

O Grêmio conquistou o troféu em 13 de dezembro de 1983.. O jogo foi disputado em Los Angeles contra o América do México. No tempo normal, empate em 2 x 2, gols de Tonho e Osvaldo. Nos pênaltis, 6x5 para o Tricolor.

 

Na época, ninguém falou em tríplice coroa. E cabia um registro sobre isso. Mas imagino que por ter sido disputado dois dias após a conquista do Mundial, com o título fervilhando na cabeça e no coração da gremistada, ninguém deu importância ao fato.

 

Ao contrário de agora, quando um eficiente trabalho de marketing conseguiu valorizar um título de menor peso (tanto quanto esse vencido pelo Grêmio há 24 anos), mas que merece, sem dúvida, ser rotulado de tríplice coroa.

 

Mesmo que a expressão, conforme destacou o veterano Paulo Moura, ao entrar na redação nesta sexta-feira à noite, percebendo o debate entre gremistas e colorados sobre o tema, esteja mais ligada ao turfe. “Que tríplice coroa, nada. Isso é bobagem, é coisa do turfe”, desdenhou Moura, o decano da redação e um gremista que insiste em dizer que é palmeirense.

 

 

MINUTO PARA REFLEXÃO

 

Sugestivo o título da operação da PF: xeque-mate. No xadrez é o lance em que se apanha o Rei. Mas isso é no xadrez...

 

 



Escrito por Ilgo Wink às 14h12
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As três tias velhas, a festa colorada e a democracia, segundo elle

São 11h quando começo a escrever. Acabei de ouvir mais uns foguetes estourando. Será que são de colorados ainda festejando o título da Recopa? A festa avançou a madrugada. Fiquei surpreso e impressionado. Não imaginava que esse fosse um título tão importante e que a tal tríplice coroa acabaria tão valorizada, ainda mais que a expressão passou a ser usada há menos de dez dias.

 

Um dos meus orgulhos é saber o que é notícia. Tenho faro para sentir o que é importante. Não sei se é o clima, meu nariz, a cerração que turvou meus olhos e meus instintos, mas nessa eu me passei.

 

A Recopa e a tríplice coroa (na primeira vez que li e ouvi essa expressão pensei que se referisse às minhas três tias, mas me enganei) ganharam de uma hora para outra uma dimensão enorme para os colorados e os setores vermelhos da crônica esportiva.

 

Vide o comentário do Márcio Beyer postado no tópico anterior. Ontem à noite, na redação, era impressionante a vibração dos colorados quando aconteceu o terceiro gol, o gol do alívio.Depois, a festa pelo título. Cena parecida eu vi na final da Libertadores e depois na decisão contra o Barcelona.

 

Perdi o faro jornalístico, pensei. Estou preocupado. Vou consultar um otorrino.

 

Só que me tranqüiliza um pouco é que no centro do país ninguém está dando a mínima para essa conquista. É claro que é mais um título importante, internacional, e merece ser festejado, mas está longe de ser uma Libertadores ou um Mundial de clubes. Foi comemorado, contudo, com intensidade semelhante pelos colorados.

 

É claro que por trás de tanto entusiasmo está o Grêmio. Está a perda do Gauchão e os meses sofridos pós-Mundial. É uma forma da nação colorada reagir diante do crescimento assustador (para ela, a torcida colorada) do Grêmio, que está a 180 minutos do tri da Libertadores.

 

O tri da Libertadores. É mesmo algo de tirar o sono de qualquer colorado. E isso que o Grêmio ainda não chegou lá. Depois, o Mundial contra o Milan. Sim, o Milan de Kaká e cia.

 

É desesperador. É por aí que começo a entender, e a explicar, tamanha alegria dos colorados pela festa obtida com os 4 a 0 sobre o Pachuca.

 

É a resposta dos colorados à angústia que estão passando nesses dias em que a imortalidade está no ar, como essa neblina que cobre Porto Alegre.

 

MINUTO PARA REFLEXÃO

 

O Luís Inácio declarou no exterior (até nisso isso imita o FHC, que saía do país para dizer bobagens) que o ato (criminoso) de fechar a TV na Venezuela foi democrático, pois se trata, segundo ele, de uma concessão, que pode ser dada ou tirada.

 

A frase deve  valer também para alguém eleito. O povo pode dar e tirar essa concessão. Afastar um presidente eleito, por exemplo, não é um golpe, mas um ato democrático.



Escrito por Ilgo Wink às 10h49
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E deu Boca mesmo

Antes de começar o jogo do Boca contra o Cúcuta, o colega Rafael Peruzzo, um paranaense que adotou o Grêmio como seu clube principal (o segundo é o Atlético-PR), chamou a gremistada da redação. "O melhor de tudo vai ser a transferência do troféu da Libertadores do Beira-Rio para o Olímpico", cochichou - abrindo um sorriso debochado -, para não provocar a ira dos colorados.

"A taça vai pro seu devido lugar", emendou o Chico Izidro, o festejado autor de Era Vidro e se Quebrou, no qual relata tudo o que não se deve fazer a uma namorada e seu sofrimento depois de levar um (merecido) fora. Risadas. Muitas risadas dos gremistas.

Bem, depois o Boca aplicou 3 a 0 no Cúcuta. Poderia ter sido uns cinco ou seis. A euforia se transformou em preocupação. Entre os colorados, alívio.

Antes do jogo fiz uma rápida enquete entre os colorados. Todos queriam o Boca, mas acreditavam que o Cúcuta resistiria na Bombonera. Não resistiu. Riquelme acabou com a retranca do time colombiano.

Eu, que sempre defendi aqui a presença dos grandes clubes disputando as decisões, fiquei contente.

Melhor que isso só com uma lesãozinha do Riquelme. Nada grave, o suficiente apenas para deixá-lo fora uns 20 dias.

Não houve a lesão. Pior para o Grêmio, melhor para o espetáculo. O cara joga demais.

Pergunto pro Chico, que é uma enciclopédia de futebol: o Grêmio já ganhou na Bombonera? Sim, respondeu. Uma vez, nos anos 60, 5 a 1.

E aí o Paulo Moura, que jogou na Bombonera pela associação dos cronistas esportivos, há uns 40 anos, emendou, esfregando as mãos de felicidade (isso que ele jura que não é gremista): "O Gessy fez quatro gols. Ele chegou quase na hora do jogo. Ele ficou em Porto Alegre para fazer vestibular e viajou depois. Entrou em campo e marcou quatro no Boca. Naquele tempo é que se jogava bola, não é essa coisa de hoje".

O fato é que será uma grande final de Libertadores. O Boca com seus cinco títulos, indo para sua nova final na competição; o Grêmio buscando o tri.

Se não conseguir o título, já está de bom tamanho. Acho que o Grêmio já foi demais com esse time, que depende praticamente de sua defesa e do seu meio-campo, porque o ataque é de doer.

Agora, o futebol gaúcho bi da Libertadores, atropelando os poderosos clubes paulistas, seria bom demais.

E, como se não bastasse, o Inter conquistou a Supercopa em grande estilo, com goleada, superando o Pachuca no Beira-Rio lotado.



Escrito por Ilgo Wink às 22h07
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A imortalidade se manifestou na Vila Belmiro

O que faz um gol! Não fosse o golaço de Diego Souza, abrindo o placar no caldeirão da Vila Belmiro, o Grêmio estaria eliminado. O Santos teria alcançado os 3 a 0.

Deu a lógica desta fase de mata-mata. O Santos nos dois jogos anteriores tomou gol em casa. A tendência, é de que voltasse a sofrer pelo menos mais um. E aconteceu.

A lógica também valeu para o Grêmio. De rendimento ridículo fora de casa em toda a competição (exceção foi a estréia), o time voltou a perder, mostrando que é mesmo um time caseiro, movido à torcida.

Felizmente, a decisão da Libertadores será no Olímpico. Já se sabe que o Grêmio vai perder o primeiro jogo, seja contra quem for. E já se sabe que a torcida vai levar o time a vencer em casa. É o que aponta a lógica do futebol.

É claro que nem sempre dá a lógica. O Grêmio terá de mostrar mais jogo na frente, mais força e mais qualidade, mais ambição para conquistar o tri da América.

Por enquanto, a imortalidade está prevalecendo, mas os deuses do futebol um dia cansam.

Neste jogo, a imortalidade se manifestou antes do jogo, deixando Tuta e Maldonado de fora. Bom para o Grêmio, péssimo para o Santos. A contribuição de Douglas foi superior ao que Tuta vinha apresentando, não muito, mas ao menos o Grêmio tinha onze jogadores em campo. Onze atletas. E um craque: Diego Souza.

A lamentar a lesão de Carlos Eduardo. Resta torcer para que não seja grave e ele possar jogar as partidas finais, de preferência contra o Boca Juniors.

Imagine perder a Libertadores para o Cúcuta. Seria um vexame. Já para o Boca...



Escrito por Ilgo Wink às 23h08
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A imortalidade à prova

Estou começando a acreditar nessa história de imortalidade tricolor.

Se o Tuta não jogar contra o Santos, as chances de classificação à final aumentam.

Com ele, diminuem. Simples.

Qual a utilidade de um centroavante que marcou apenas um gol até agora na Libertadores. Dez por cento dos gols do time na competição (número ridículo para um time que busca o título, o que, aliás, reforça essa história de imortalidade, porque só um time imortal chega aonde chegou com tão poucos gols e com um rendimento pífio fora de casa).

O Tuta é a negação do centroavante. Ah, mas ele segura os zagueiros, não deixe que eles avancem, argumentam seus defensores, esquecidos que a função do centroavante não é reter zagueiros, mas sim fazer gols ou contribuir para que eles acontençam. Além disso, eu quero mais é que os zagueiros saiam e deixem o ataque  livre para marcar.

E tem outra: qualquer atacante preocupa a marcação. Até o Herrera preocupava. Aliás, ele seria muito útil neste momento.

Não tenho opinião firmada sobre o Douglas, mas tenho sobre o Tuta. Já vi o suficiente para afirmar que o melhor é jogar sem ele.

O repórter Carlos Corrêa, que esté em Itu, ao passar o material para a edição do CP desta quarta-feira, tem convicção de que o Tuta está fora. Eu também acho.

E isso é muito bom. É a imortalidade se manifestando.

Outra evidência da imortalidade é a ausência quase certa do Maldonado, o genro do Luxemburgo.

As chances do Grêmio aumentam se Tuta e Maldonado não jogarem mesmo.

Outra da imortalidade: Zé Roberto, acertado com o Baiern Munchen, deve tirar a perninha nas divididas com o Sandro Goiano.

Agora, o jogo é complicado.

O Grêmio costuma fracassar no caldeirão da Vila Belmiro.

É um duro teste para a imortalidade.

 

Ah, sobre esse radialista de Santos falando que os gaúchos são bandidos e veados e que o RS deve mesmo se separar do Brasil (para 'formar o país das bichonas'), acho que estão dando muito destaque pra ele. Dificilmente vai escapar de um processo. Me lembra o Alfredo Possas num de seus acessos de fúria. O radialista esse um site ( www.jonasgreb.com.br ), invadido por hackers gaúchos, com centenas de ofensas. Tem também pagina no Orkut.

Ah, domingo o Santos joga em Porto Alegre. E aí? 



Escrito por Ilgo Wink às 20h59
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A TV Pública e algumas perguntas sem resposta

Existem algumas coisas difíceis de entender. Por que o governo do Luís Inácio vai gastar 350 milhões de reais por ano na tal de TV Pública, fora os 300 milhões em equipamentos, quando o país tem tantos problemas em áreas prioritárias, como saúde, educação e segurança?

Por que? Será uma televisão de qualidade, diz o presidente. O que será uma TV de qualidade para ele? É de assustar.

Se for o que estou pensando, será uma TV com pouca audiência. Assim, nem o objetivo de servir de instrumento do governo será atingido.

Concluo que a emissora servirá, basicamente, para abrigar um punhado dos 'companheiros' jornalistas. O mercado de trabalho está mesmo muito ruim. Pena que é dinheiro público, que faz falta para a saúde, por exemplo.

Vem agora, para piorar a coisa, o secretário de comunicação, o jornalista Franklin Martins (aquele demitido da TV Globo) diz que há necessidade de garantir a verba anual independente do partido que assumir o poder.

Outra coisa que não entendo é por que o técnico Dunga faz mistério sobre o time que vai enfrentar a Turquia, num amistoso?

Que o Mano, enclausurado com o time numa fortaleza (é neura demais) e o Luxemburgo o façam, dá pra aceitar. Afinal, há um jogo decisivo pela frente.

Agora, difícil de entender, mesmo, é o que a direção colorada fez. Está bem que aposte no Gallo, um técnico sem currículo, sem bagagem. Mas por que assinar contrato até o final de 2008 com alguém que não passa de uma aposta?

Por que?

Quando escrevo minhas dúvidas e inquietações, assisto ao jogo do Inter contra o Náutico aqui na redação do Correio do Povo. Estou cercado de colorados. Todos muito ansiosos, preocupados. Eu já estava ficando impregnado dessa aflição dos colegas quando o Inter chegou aos 2 a 0 (o Alex marcou um golaço).

Fiquei aliviado. Não iria suportar outra Batalha dos Aflitos. Muito menos outro DVD.



Escrito por Ilgo Wink às 21h21
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