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A tia velha e o freio de mão puxado

Quando eu digo que o Tuta mais parece uma tia velha do que o jogador de futebol não exagero. Contra o Santos, ele até que deu uma resposta razoável, mas nada que uma tia velha não possa fazer eventualmente.

 

No jogo contra o Botafogo, neste sábado, no Maracanã, onde o misto do Grêmio foi goleado, Tuta protagonizou um lance que começou esplendoroso e terminou de forma bisonha. Ele driblou o zagueiro com uma meia-lua  lá pelo meio de campo e avançou rumo à área do Botafogo. Se fosse o Tuta de outros tempos, seria gol, ou pelo menos terminaria numa conclusão.

 

O problema é que Tuta arrancou como um carro 1.8 e depois progrediu com um Fiat Mille com freio de mão puxado, permitindo a recuperação do zagueiro.

 

Depois, o lance do pênalti. Ainda bem que era o Douglas em seu lugar. A bola foi espichada, longa, só alguém com boa velocidade, nada de excepcional, mas uma velocidade boa velocida, poderia alcançar. E Douglas, que está longe de ser um velocista, chegou e foi derrubado. Fosse o Tuta no lance, o goleiro pegaria a bola com tranqüilidade.

 

Aliás, Tuta é o único atacante que Schiavi conseguiria marcar. Os dois jogam com freio de mão puxado.  

 

Torço, agora, para que Tuta, que saiu aparentemente lesionado, não se recupere. Que fique  em Porto Alegre fazendo tratamento e deixe o Douglas jogar. Ou até o Everton.

 

Mas o time ainda tem outro jogador comprometendo: o Amoroso. O pênalti que ele bateu foi de chorar. Quase no meio da goleira. Quando eu vi o Amoroso preocupado demais em ajeitar a bola na marca do pênalti, senti que aquilo iria influir em sua cobrança.

 

Já estou firmando uma convicção: os melhores cobradores de pênalti não são os jogadores mais talentosos. Sou os modestos, os aplicados, os guerreiros. Os patrícios e os edinhos da vida. Por que? Simples, eles batem sem a responsabilidade que pesa sobre os craques ou os jogadores de nível técnico mais elevado.

 

Claro, há exceções. Mas numa decisão por pênaltis, eu escalaria o Schiavi, não o Amoroso.



Escrito por Ilgo Wink às 20h58
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Colorados largam o Boca e se agarram no Cucuta

Quando o Cucuta marcou o terceiro gol no Boca Juniors, um dos colorados que estavam diante da TV acompanhando jogo, exclamou, suspirando aliviado: "Até que esse Cucuta é bom. Se não der o Boca, podemos confiar no Cucuca".

A frase reflete o estado de espírito da maioria dos colorados. Eles já estão vendo o Grêmio na final da Libertadores. Não acreditam que o Santos possa reverter o resultado de 2 a 0 do Olímpico. Principalmente, pelo que jogou o Santos, que se submeteu com alguma facilidade à marcação implacável do time de Mano Menezes.

Enquanto os gremistas se mostram receosos de uma reviravolta, afinal o joga da volta é na Vila Belmiro, onde o tricolor se dá mal quase sempre, os colorados já se preocupam em conferir qual é o adversário que pode evitar o tri do Grêmio na Libertadores.

O Boca era o mais cotado. Mas depois dessa derrota dos argentinos na Colômbia acho que o pessoal está se bandeando para o lado do Cucuta. E com razão.

O time colombiano é realmente muito forte. Marca bem, sai da defesa para o ataque com velocidade impressionante e tem alguns jogadores de alto nível. Entre eles, um centroavante matador e de boa técnica: o Blas Perez, vice goleador da competição com 8 gols.

Mas o Grêmio melhorou muito desde os jogos contra o Cucuta. Hoje, tem uma dupla de área confiável. O Lúcio está jogando demais. O Carlos Eduardo se afirmou definitivamente. O Tcheco melhorou. Quer dizer, agora é outra história.

Assim como é outra história esse jogo na Vila Belmiro. Como disse o veterano Paulo Moura, do alto de sua experiência, o Santos também pode fazer 2 a 0. E aí, pênaltis.

Escrevo essas mal traçadas durante o jogo do Inter contra o Pachuca. O Inter saiu na frente com um golaço do Pato (joga muito). O Pachuca é muito bom. Empatou em seguida. E só não terminou o primeiro tempo porque Clemer fez pelos menos duas grandes defesas. Vamos para o segundo tempo. E eu fico por aqui.



Escrito por Ilgo Wink às 23h32
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Verônica e o retrospecto enganador do Santos

As mulheres da redação cochichavam em pequenos grupos na redação do Correio do Povo no começo desta noite fria de terça-feira. Estão revoltadas com Verônica.

Verônica é a mulher do senador Renan Calheiros. A titular. Aquela que ficou ao lado do marido no patético depoimento que era para desmentir a denúncia da Veja sobre a grana que ele teria recebido durante anos de uma empreiteira (olha elas aí de novo) para pagar a pensão da amante, com quem tem uma filha.

O que teria levado a Verônica a fazer isso, submeter-se à essa humilhação diante das câmeras de Tv? O Carlos Correa, setorista do Grêmio, arriscou: a certeza de continuar viva. Dinheiro, talvez. Muito dinheiro. Ou será amor, paixão beirando ao fanatismo.

Meditava sobre isso quando o Vitor Rodrigues, repórter da editoria do Interior, se aproxima das mesas do Esporte. Discreto, encosta no Chico Izidro, e fala com voz grave, mas baixinho: "Chico, me cobra depois, vamos tocar cinco no Santos amanhã". O Chico conteve no riso na hora. O restante da editoria, eu inclusive, ficou em silêncio. Sem comentários.
No caso do Vitor, sim, é puro fanatismo.

Sim, porque só alguém muito fanático pode acreditar em goleada. Analisando as campanhas de Grêmio e Santos, o time paulista é favorito. São 25 gols a favor e seis contra. Invicto. Já o Grêmio chegou nesta fase aos trancos e barrancos, superando a minha expectativa inicial.

Penso que o Grêmio chegou ao seu limite. Bateu no teto. Mas no futebol tudo é possível. E, como dizem os colorados, cheio de despeito, o Grêmio é imortal. Santa bobagem, mas que acaba influindo no rendimento dos jogadores, acredito eu.

Agora, me detenho no retrospecto recente, que é, afinal, o que realmente importa. Na fase mata-mata, o Santos já teve uma queda. Por exemplo, o time sofreu apenas três jogos na Vila Belmiro. Os três na fase mata-mata. Dois contra o modesto Caracas (3 a 2 para o Santos) e um contra o América do México desfalcadíssimo (2 a 1).

Fora de casa, o Santos empatou em 2 a 2 com o Caracas e com o América, 0 a 0. Quer dizer, o Santos penou para se classificar. Assim como o Grêmio. Mas o Grêmio deve de superar o forte São Paulo, enquanto o Santos bateu o Caracas. Depois, o Defensor, que é pior que o América, mas que jogou sempre completo.

Assim, pegando a fase mata-mata apenas, constato que os dois times são parelhos. Por isso, tudo pode acontecer, até mesmo uma vitória do Grêmio no Olímpico. Depois, na Vila Belmiro (tradicional cemitério do imortal), é outra história.

 



Escrito por Ilgo Wink às 21h28
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O Inter, a PF e o governo do Luís Inácio

Depois de ver o Inter, ontem, levar um banho de bola (ou chocolate, mais modernamente falando) do Fluminense, percebi que o time colorado está muito semelhante ao governo do Luís Inácio.

 

De um lado, a Polícia Federal atuando firme (talvez nem tanto, porque até hoje não conseguiu descobrir a origem dos 1,8 milhão de dólares do falso dossiê que incriminaria rivais dos petistas, tanto para o âmbito federal como para o governo de São Paulo), de outro, um governo frouxo que quando vê um gaiato de sua administração com a boca na botija passa a mão por cima e espera que o gatuno se demita.

 

Agora, o Luís Inácio está respaldando as críticas aos “excessos” da PF. As críticas todas vindas de eventuais alvos de investigação, como o imortal Zé Dirceu. A população, essa que sofre com o nojento e criminoso desvio de verbas públicas (aliás, as empreiteiras se divertem a décadas nesse galinheiro), está feliz da vida só de ver as figuras algemadas, mesmo que nenhuma fique muito tempo na cadeia.

 

Tem ainda a frase do ministro Tarso Genro (em tese, chefe da PF) ao ver uma série de políticos implicados no rombo causado nas obras públicas disse que era “normal”  o recebimento de “brindes e mimos”.

 

Foi um comentário infeliz do ex-prefeito, mas que me remete à direção colorada. Luigi e Piffero agem como o Luís Inácio e seus companheiros. Parece que não cabe a eles resolver os problemas. Primeiro, avaliaram mal a situação (achavam que tinha um bom time para disputar o Brasileiro); segundo, a partir da avaliação errada, acreditam que reforços em nível de grupo seriam suficientes; terceiro, acreditaram que um técnico sem currículo, iniciante, poderia comandar um grupo comandado por uma panelinha liderada por Clemer e Fernandão, que se viu dividida com o goleiro indo para o banco de reservas (atendendo anseio de 9,9 colorados entre 10) e ameaçada em sua vaidade com o surgimento brilhante de Alexandro Pato, que logo passou a ser sutilmente hostilizado pelos medalhões.

 

Em campo, temos o Inter do Fernandão mais desinteressado (talvez saudoso do parceiro  Clemer e do amigão Abel. Aliás, sua saída ontem do time alegando lesão é suspeita); o Inter dos garotos, representados por Renan e Pato; e o do treinador Alexandre Gallo, que na minha opinião não tem culpa. Não era o momento para vir para um clube que meses atrás conquistava a maior glória de história e que tinha uma equipe que precisaria de reestruturação.

 

A diferença entre o governo federal e o Inter é que o clube não tem ninguém no caminho certo, como está a PF.

 

O fato é que o Inter está disperso, desorientado, tanto fora como dentro de campo, um quadro agravado pela falta de dinheiro. A dívida é grande. Se não houver a venda de um jogador (Pato deve mesmo ser negociado), a coisa vai ficar ainda mais feia.

 

Como já escrevi aqui, tempos atrás, Gallo não duraria mais do que três meses e o Inter seria candidato ao rebaixamento.

 

A gremistada está vibrando tanto quanto o povo ao ver figurões sendo desmascarados por ações da PF, que desde 1999, no caso Marka e no caso do TRT paulista, é muito atuante contra os crimes dos grandões (só falta esclarecer a origem da grana toda para ferrar os adversários do PT nas últimas eleições).



Escrito por Ilgo Wink às 10h54
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