O paraíso dos 171 e o Santos do Luxa
A corrupção no Brasil é um assunto cansativo. Há décadas que todos sabem que esse negócio de empreitar obras públicas no Terceiro Mundo só não é mais rentável que ser dono de banco e especulador financeiro, ou político sustentado pelo mensalão.
Confesso que ando desiludido de tanto assistir prisões de gente envolvidade de um jeito ou de outro com corrupção e continuar aí livre, leve e solta. E mais, ainda ditando regras e mandando, fazendo leis e tomando decisões no executivo em todas as suas esferas. Nomes?
Não preciso citar ninguém. Até o meu cardeal, que fica comigo quando abro os sites cedo da manha, já sabe o nome da maioria deles. Alguns eu tento ensiná-lo a dizer, mas acho difícil, porque cardeal não é papagaio.
Só decidi retomar o tema porque li que deputados e senadores estão juntando assinaturas para criar uma CPI mista sobre a máfia das obras públicas. Até aí nada de mais, mas sabem quantos nomes são necessários para criar uma CPI: 171
Quase caí de costas. Em vez de dizer estelionatário a gente diz "esse cara é 171", ou "esse cara é José Inácio". Inácio? Não é o que vocês estão pensando. É coisa mais antiga. Nem sei a origem da expressão 'José Inácio".
Está lá no Código Penal: 'Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento. Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa'.
Branda essa pena, não? Se pensarmos que o desvio de dinheiro público (milhões de dólares vão para o ralo da corrupção há décadas neste país) prejudica a saúde, a educação, e que, por consequência, milhares de pessoas são indiretamente vitimadas, caberia mais a pena de morte para certos indivíduos.
Nesse sentido, fico feliz com a declaração do presidente do Tribunal de Justiça do RS, o desembargador Marco Antônio Barbosa Leal, que teve a coragem de dizer que é favor da pena de morte. Não faltaram uns hipócratas para criticar o desembargador, mas a maioria está ao seu lado.
Cumprimento também o artigo do professor Denis Rosenfield sobre o assunto. Sugiro que o leiam. Vi no site www.blogdodiego.com.br.
Repito: só voltei a falar em política por causa do número 171. Quando viu esse número na tela o meu cardear ficou com a sua crista vermelha ouriçada. Um fenômeno. Portanto, não tem nada a ver com o fato de o Grêmio estar ganhando, com algum paranóico colorado pode supor.
Aliás, 171 me faz lembrar (nem sei por que...) o que o Grêmio terá pela frente na semifinal da Libertadores.
Acreditem, prefiro o Santos a qualquer time sul-americano. O Grêmio se dá bem contra times mais técnicos, embora haja o fantasma da Vila Belmiro a ser superado.
Enquanto escrevo, o Boca está batendo o Libertad, outro pequeno que volta pro seu lugar. Os colorados na redação torcem pelo time de Riquelme, que fez um golaço nesse jogo. "O Santos é a nossa primeira bala na agulha. O Boca é a segunda", diz o Paulo Mendes, colorado da editoria do Interior.
Estou contente: Santos e Boca pela frente (o Cucuta não resiste), clubes com a grandeza do Grêmio.
Mas que não são imortais.
Escrito por Ilgo Wink às 21h49
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