Grêmio passa por cima do favorito e da arbitragem
Foguetes ainda estouram em alguns pontos de Porto Alegre neste começo de quinta-feira. A alegria gremista é mais do que justificada. Bater o São Paulo, que era o favorito na disputa, principalmente depois de vencer o primeiro jogo, é algo que merece ser festejado.
Um feito que pode ser comparado ao do Inter, no ano passado. O São Paulo também era o favorito, mas caiu. E voltou a sucumbir diante da força e da bravura da gauchada. Mesmo que essa gauchada gremista seja praticamente toda de fora do RS. Mas acho que gauchismo é algo que impregna na pele, corre pelas veias e atinge o coração e a alma como um tsunami de paixão. Então, esse pessoal de fora, Tcheco e cia, são todos gaúchos sempre que vestem a camisa tricolor. O mesmo pode ser dito dos de fora que vestem o camisa colorada.
A dimensão do feito gremista pode ser avaliada pelo ar abatido que percebi em alguns colorados da redação do CP, há pouco, antes de ir embora. Eles se olhavam sem nada dizer. Não havia o que dizer. Os colorados sabem que o Grêmio, agora, é candidato ao título. E candidato forte. Até porque seu próximo adversário não mete medo. O Defensor, do Uruguai, é nosso vizinho. Eliminou o Flamengo, mas e daí? O time uruguaio está longe de ser um São Paulo.
Depois, bem depois, o caldo engrossa. Pode ser o Boca Júniors ou o Libertad. O time paraguaio tem a ajuda escancarada da Conmebol. O presidente da confederação é sócio, patrono e tudo mais do Libertad, que venceu o Paraná com a ajuda da arbitragem. Coisa grosseira, escandalosa. Muito pior do que foi a arbitragem desse chileno no Olímpico. O São Paulo bateu pra valer. O Souza merecia expulsão naquela agressão no Lúcio. Caso de polícia. Mas o Grêmio passou por cima também do juiz.
Se não for o Libertad, será o Boca. E o Boca é o Boca. E nada mais precisa ser dito.
Por fim, a final. E aí é torcer para que seja contra um time mexicano. Se for assim, o Grêmio já estará no Japão.
É essa a projeção que os colorados faziam em constrangido e preocupado silêncio agora há pouco na redação. “Eles de novo no Japão, não pode ser, é demais”. Podia ler o pensamento deles.
Agora, pra chegar lá é preciso melhorar. Nem precisa muita coisa. Basta um centroavante de verdade. Basta jogar com 11 os 90 minutos. O Tuta mais uma vez decepcionou. Participou do lance do segundo gol, é verdade, ao escorar a bola para o Diego Souza. Ah, o Diego foi o melhor em campo. Um grande jogador.
Mas o Tuta está devendo. Com todo o respeito a minhas tias. O Tuta parece uma tia velha jogando. Domina a bola no peito, dá um ou dois passos e tropeça em si mesmo, em sua sombra. Agora, se o Tuta reaparecer (com o Lucas voltando), o Grêmio passa a ser um forte candidato ao tri da Libertadores.
Quem sabe o Papa não benze o Tuta?
Por fim, o Tcheco. Foi atropelado pelo Miranda, que já tinha amarelo e merecia o segundo nesse lance, e deixou o campo lesionado. O Grêmio ficou perdido. O Gavilán entrou, mas é mais um marcador. O Tcheco é o cérebro do time. Foi uma perda e tanto. Mas aí apareceu a mão do treinador no segundo tempo. Mano foi ousado. Tirou um volante no momento em que o São Paulo dominava e ameaçava marcar um gol. Colocou Amoroso. O Grêmio reequilibrou a partida e passou a buscar o segundo gol. Se tivesse um centroavante em forma teria sido com menos sofrimento. Bem ou mal, o Tuta impõe respeito na área e preocupa os zagueiros.
Com uma benzidinha papal, então...
PS - A lamentar, e profundamente, a morte de um estudante, Wiliam, de apenas 21 anos, que caiu no fosso antes mesmo de o jogo começar. O jovem gremista, estudante de medicina em Santa Maria, morreu nesta madrugada. Ainda não sei se ele estava no grupo que faz a suicida avalanche.
Escrito por Ilgo Wink às 00h16
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