Quanto dói um erro de arbitragem e a superioridade gremista
Favorecido pela arbitragem nos dois jogos das semifinais do Gauchão, o Juventude sentiu na pele ontem o quanto dói ter um gol anulado equivocadamente, em especial num jogo tão difícil e decisivo como o disputado no Alfredo Jaconi.
A direção do time caxiense reclamou muito, e com razão. Repetiu o que fizeram os dirigentes do Veranópolis, prejudicado em dois jogos seguidos contra o Ju. O pessoal lá da terra da longevidade deve estar achando tudo muito engraçado agora.
Não se sabe o que aconteceria se o gol de William, de cabeça, dentro da pequena área, na cara do goleiro Saja, fosse validado. Em princípio, o Ju ganharia por 4 a 3.
Seria um resultado injusto, assim como foi injusto o empate por 3 a 3. O Grêmio foi muito superior taticamente, fisicamente e individualmente. É claro que o gol (bela jogada do Carlos Eduardo no lançamento primoroso do Tchec) na casa do adversário logo aos 2 minutos contribuiu para essa superioridade.
Tivesse um centroavante com maior mobilidade, poderia ter encerrado o primeiro tempo com uns 3 ou 4 gols. Poucas num jogo vi a bola cruzar tantas a área como ontem. Era para consagrar centroavante aipim, aquele fincado na área, como o Tuta, o Christian e outros.
Nos dois lances em que conseguiu aparar cruzamento, o Tuta perdeu o gol. Teve um lance de virada, em que chutou no canto e o André salvou. No finalzinho, como bom matador, aproveitou uma bola preciosa do Bruno Teles (ele criou a jogada com Éverton e ergueu a cabeça antes de cruzar, fato raro hoje em dia) e empatou, reduzindo a dimensão da injustiça que seria perder para o Juventude, ou a filial, como dizem alguns coleguinhas e toda a grandiosa nação colorada.
Mas esteve mal o Tuta. Destoou do restante da equipe. Assim como esteve mal o Saja. Aquele gol anulado, com o sujeito cabecendo a um metro dele, escancarou aquilo que vem aparecendo nos últimos jogos: quando ele não sai mal do gol, custa a sair, perde o tempo da jogada, como nesse lance). Depois, das duas bolas rasteiras que um goleiro de braço longo, como o contestado Clemer, por exemplo, provavelmente defenderia. O reserva Cássio (da seleção sub-20), com certeza pegaria. O Saja é um perigo, não inspira confiança.
Destaque para o Carlos Eduardo, de novo. O Tcheco e o Diego Souza também em alto nível. No mais, todos os outros foram bem, menos o Tuta e o Saja.
E time sem um grande matador e um grande goleiro tem chances reduzidas de conquistar grandes títulos. No máximo, um Gauchão. Talvez contra o São Paulo, nesta quarta-feira, no Morumbi, Tuta e Saja cresçam, o que é possível, mas não é o que indica a tendência do momento.
Escrito por Ilgo Wink às 19h24
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