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Gallo, o cinegrafista e o pioneiro Rubens Minelli

Começar o Campeonato Brasileiro com um treinador de pouca bagagem é uma ousadia. Quase uma temeridade. O vice-presidente Giovani Luigi garante que não é uma aposta, é uma convicção.

Estou curioso. Formar uma convicção pressupõe amplo e profundo conhecimento. Eu, por exemplo, não tenho convicção alguma a respeito do Alexandre Gallo. Não sei se é bom ou mau treinador.

Agora, qualquer treinador para se dar bem precisa de uma direção atuante, participativa, eficiente; de condições adequadas de trabalho; e de alguns bons jogadores. E, claro, um pouco de sorte, que não pode faltar.

Então, só resta aos colorados apostar todas fichas com a diretoria.

Mais do que qualquer outra coisa, o que mais chamou a atenção hoje nos debates esportivos e nos comentários nas ruas é que Gallo traz em sua equipe um cinegrafista. É algo inusitado, ao menos em Porto Alegre.

O repórter Fabrício Falkowski diz que tempos atrás um cinegrafista contratado pelo Inter filmava jogos e treinos. Não sei se acrescenta muito ao trabalho de um treinador, mas penso que sempre pode ter alguma utilidade.

Nos Estados Unidos, me informa o colorado Luis Felipe, é comum esse procedimento no basquete, no futebol americano, etc.

Acredito que em breve outros técnicos estarão sobrevoando o país, na troca de clubes, levando consigo um cinegrafista de sua confiança.

Agora, o poucos sabem é que essa história é antiga. Vem lá dos anos 70. O treinador Rubens Minelli mandava fotografar - de cima da marquise do Beira-Rio - treinos e jogos do Inter de Manga, Falcão e cia para descobrir furos na marcação, espaços vazios, etc.

Minelli, que ajudou a formar aquele time poderoso, quase imbatível, era um técnico à frente do seu tempo.

Quem sabe o mesmo não possa ser dito de Gallo dentro de alguns anos.

Enquanto isso, segue a vida: Grêmio e Juventude decidem o Gauchão sob clima tenso. Uma tensão criada em boa parte pela imprensa da Capital, ou melhor, pelo segmento colorado da imprensa.

Esse pessoal, alguns identificados, outros não, insistem naquela história de que o Juventude é filial do Grêmio e que, portanto, vai perder.

Para efeito de brincadeira em redações, até serve. É divertido. Agora à noite, O Alfredo Possas, gremista enrustido que insiste em dizer que só torce pelo Vasco e pelo Pelotas, provocou um coleguinha colorado: "Tu vais torcer pelo Juventude. Então, deveria saber o hino do clube".

Então, prontamente, o colorado disparou: "Até a pé nós iremos, para o que der e vier...". Muita risada na redação.

O problema é quando isso é comentado nos microfones e em espaço de jornal. Acaba criando um ambiente hostil e tenso para a decisão no Alfredo Jaconi. Depois, esse mesmo pessoal vai pedir paz nos estádios.

 



Escrito por Ilgo Wink às 20h58
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São Paulo e o riso dos colegas

O que mais me chamava a atenção, ontem à noite, na redação do CP, mais especificamente na editoria de esportes, é o interesse dos colorados em sabem qual seria o adversário do Grêmio na próxima fase da Libertadores.

 

É a forma que os colorados encontram de continuar na competição. Seria assim também com os gremistas, caso o Inter continuasse na Libertadores. Há muito tempo que eu digo: o melhor de tudo é secar o rival. Dá mais prazer.

 

Estavam ali debruçados sobre a tabela de classificação de todos os grupos, dados sendo colocados num computador de última geração. Cálculos e mais cálculos, planilhas, projeções. Uma loucura. Eram integrantes da editoria de esportes e agregados, estes em maioria. Eu nunca vou lá na editoria do Interior saber como está a questão da dengue em tal cidade; ou na editoria de economia para conferir a bolsa ou o dólar; menos ainda na rural, para saber qual a vaquinha do momento. Mas o pessoal dessas editorias e de outras costuma invadir o nosso espaço, mas tudo numa boa, sem estresse, com exceção de uns e outros mais metidos e palpiteiros.

 

Nisso, começa o jogo do São Paulo. Pergunto aos especialistas, comandados naquele momento pelo repórter Carlos Correa, setorista do Grêmio, preocupado em fazer uma matéria para a edição desta quinta-feira sobre o provável adversário do tricolor. “Carlos, resumindo, quais são os clubes que podem enfrentar o Grêmio?”. Solícito, ele responde, com uns intrusos falando junto: “América, Necaxa, Audax e São Paulo”.

 

Avalio a lista e concluo: “O melhor para o Grêmio é pegar o São Paulo, ou o Audax, que também é perto daqui, no Chile. Mas ainda prefiro o São Paulo. O importante é fugir da viagem para o México. Bem, há uma chance em quatro de isso acontecer”.

 

E não é que deu o que eu queria?

 

Durante o jogo no Morumbi, fui vítima de gozação de quase toda a redação. Só porque no começo do jogo, ao sentir que o Audax marcava bem e perceber que o São Paulo havia sentido os 4 a 1 diante do São Caetano, fiz uma previsão. “O São Paulo vai perder”. Falei em voz alta. Todos me olharam com espanto. Antes que qualquer um retrucasse, gol do São Paulo. Gol do São Paulo.

 

Foi uma gargalhada só: Quá-quá-quá (assim que riam os personagens do Pato Donald nos meu tempo de guri). A risada do Chico Izidro se destacava. Dava para se ouvir no último andar do prédio da Caixa Federal, ali em frente. Riam e riam. E não paravam de rir. A redação inteira se voltou para saber o motivo de tanta graça. Eles contavam e apontavam para mim. E todos riam. O Hiltor, o Carlos, o Rafael e o Fabrício, mais os agregados que estavam por ali.

 

No intervalo do jogo fui pra casa. No começo do segundo tempo, o Audax empata. Lamentei não ter ficado na redação para ver se eles continuavam rindo. Em seguida, outro gol do São Paulo. Depois, empate do time chileno de novo. E ficou assim até o final. E eu ali, chuliando por mais um golzinho do Audax.

 

Mas o empate ficou de bom tamanho. Acho que eles pararam de rir.



Escrito por Ilgo Wink às 10h26
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A jogada maquiavélica e a festa no Olímpico

Com o jogo Grêmio x Cerro em andamento - meia dúzia de gremistas e outra meia dúzia de colorados aqui no canto da editoria de esportes ligados na TV - faço uma pausa para falar sobre a minha idéia maquiavélica, que é quase diabólica.

É uma idéia pra acabar com metade da torcida do Grêmio. Apresentei-a aos colegas gremistas. Todos consideraram intolerável, insuportável, a hipótese que apresentei. O Chico Izidro, que se preparava para ao Olímpico, ficou branco. "Me atiro do apartamento. Será uma traição pior que a do Ronaldinho", admitiu o consagrado autor de Era Vidro e se Quebrou, que mora no 11º de um prédio do bairro Cristal. "Mas essa não se cria, não vai se criar nunca", esbravejou, ajeitando a mochila nas costas.

Bem, é o seguinte: a direção colorada poderia dar um golpe mortal na auto-estima gremista. E qual seria? Simples, contratatar o Renato Portaluppi.

"Seria chamado de gremista na primeira derrota e não resistiria muito tempo", analisou o Hiltor (Mombach, colunista do CP), com a concordância dos colorados da redação. "Renato nunca", gritavam.

O Renato, pra quem não sabe, é o maior ídolo dos gremistas. Uma idolatria reforçada quando ele declarou, tempos atrás, que é gremista e que não poderia trabalhar no Inter.

Mesmo que Renato ficasse um dia no Beira-Rio, os gremistas se sentiriam traídos, feridos de morte.

Em resumo, o Inter logo perderia um treinador (apenas mais um em sua história), enquanto o Grêmio veria morrer seu maior ídolo hoje. É ou não é uma idéia maquiavélica?

"Ainda bem que o Renato assinou com o Fluminense", suspirou aliviado o Chicão, antes de seguir para o Olímpico.

E no Olímpico, a festa tricolor. Foi sofrido, mas o Grêmio acabou atingindo seu objetivo com o gol salvador do garoto Éverton, na metade do segundo tempo. No primeiro tempo, Teco teve seu gol anulado, erro da arbitragem. No Grêmio, destaque para Diego Souza, Carlos Eduardo, Sandro Goiano e para a dupla de área, em especial o Teco.

O Grêmio deve ser o pior colocado entre os primeiros, com 10 pontos. Assim, deve pegar o melhor colocado entre os segundos. Tem a vantagem de jogar a segunda partida em casa. E isso é importante, como provou o Inter no ano passado.



Escrito por Ilgo Wink às 22h34
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O prêmio de Paloma Duarte e o técnico do Inter

Depois de lembrar mulheres bonitas que torcem por Grêmio e Inter, com a participação entusiasmada da galera masculina, sigo reforçando a lista. É a Paloma Duarte, que não é gremista nem colorada. Antes, lembro a participação do Carlos Corrêa, colega aqui do CP. Ele teve a ousadia de colocar a Tamara (coleguinha dele nos tempos da ZH) no panteão das deusas da beleza, como a Fernanda Lima, a Gisele Bündchen, a Luiza e outras gaúchas. O que faz uma paixão mal resolvida...

Então, contagiado por esse clima meigo dos caros leitores, decidi registrar aqui a premiação da Academia Brasileira de Cinema, que entregou nesta segunda os prêmios da temporada passada. O melhor filme ficou com Cinema, Aspirinas e Urubus, que eu não vi. Mas também isso não importa.

O que interessa é que a premiação consagrou uma atriz de desempenho espetacular no belo 2 filhos de Francisco. É a Paloma Duarte, que além de bonita é talentosa. Ela só não é perfeita porque é uma petista de carteirinha. Fez campanha e tudo. Bem, talvez esteja arrependida, não sei.

Pois a Paloma marcou nesse filme por uma cena pra mim inesquecível. É quando ela e o ator principal (esqueci o nome, mas ficou a cara do Zezé di Camargo) se conhecem num baile, conversam nervosamente e depois dançam. A Paloma ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante. E não tenho dúvida de que muito em função dessa cena. Está bem, confesso, fiquei emocionado. Aliás, o filme tem outras cenas emocionantes.

Foram premiados também o Angelo Antonio, melhor ator, e o José Dumont, melhor ator coadjuvante.

Sobre futebol: tive uma idéia maquiavélica hoje aqui na redação. É a respeito do substituto do Abel Braga no Inter. Amanhã eu conto o que é. Só adianto que os gremistas ficaram nervosos e os colorados agitados. 

O que a gente não faz para ganhar leitores...

 



Escrito por Ilgo Wink às 21h48
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O poderoso Juventude

O Juventude é o clube mais poderoso no RS. Está bem, estou exagerando, mas é de propósito. Eu, que escrevi no tópico anterior que o time caxiense tinha todas as condições de brigar com Grêmio pelo título, faço um recuo estratégico depois do que vi nos dois jogos contra o Veranópolis.

O Juventude só vai para a fase final com ajuda da arbitragem. No primeiro jogo, Leandro Vuaden deu uma mão (sem trocadilho) ao não marcar um pênalti de concurso, clamoroso, a favor do Veranópolis.

Ontem, Carlos Simon, confirmando que está em decadência, foi decisivo para a classificação do time de Ivo Wortmann. A expulsão do jogador Émerson foi absurda. Simon, que estava na linha do meio campo, conseguiu ver falta para cartão vermelho num lance que no máximo caberia o amarelo, até porque esse juiz sempre foi condescendente com a violência.

Expulsar nessas condições é ter muita vontade de beneficiar uma das partes, no caso, o Juventude. Agora, como considero Simon, árbitro Fifa, um sujeito honesto, atribuo esse erro ao modo displicente que encarou o jogo. Duvido que numa partida de Libertadores ou do Campeonato Brasileiro, ele ficasse tão distante das jogadas, logo o Simon, que costuma ficar próximo dos lances. Ele foi displicente, negligente. E que pagou a conta foi o Veranópolis.

Um gremistão aqui na redação tem uma explicação para o favorecimento escandaloso ao Juventude: seria, numa comparação com o Veranópolis, o adversário com mais condições de evitar o bicampeonato do Grêmio.

Como aqui tudo é Gre-Nal. A Gisele Bundchen é gremista, mas a Renata Fan é colorada, e por aí vai.

Um colega me garantiu que tanto o Gaciba como o Simon são colorados (parece haver consenso sobre isso, embora o que vale ou deveria valer é que eles são profissionais).

Mas, pelo raciocínio gremista, os colorados não querem ver o Grêmio campeão na terra do campeão do mundo. Então, vale tudo para impedir isso, até o favorecimento escandaloso ao Juventude, que teria mais condições de enfrentar o Grêmio.

Já um colorado me alertou que isso é uma bobagem, porque, segundo ele, "o Juventude é filial do Grêmio" e, portanto, o título já seria do Grêmio. "Nem precisa jogar", garante, com ar sério, acreditando mesmo nessa bobagem.

São hipóteses paranóicas, tudo bem, mas o fato é que o Ju está na final com a ajuda de dois dos principais árbitros do futebol gaúcho.

O Grêmio tem a Gisele, o Inter tem a Renata (e também a Luiza Althenofen), e o Juventude? Não sei, só sei que, com musa ou sem musa, ficou poderoso nessa reta final do Gauchão.



Escrito por Ilgo Wink às 19h43
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