Os tanques nas ruas e o vexame gremista
Começo da noite deste domingo. Sigo para o jornal pela Ipiranga, pego a João Pessoa. Vou meio distraído, pensando na goleada de 3 a 0 do Caxias sobre o Grêmio e ouvindo explicações e lamúrias do vestiário gremista. De repente, não mais do que de repente, um azulzinho pára o trânsito na esquina com a Venâncio Aires. Espero uns minutos. Nisso, aponta na escuridão da Redenção um tanque de guerra. Depois, outro e mais outro. Um comboio.
Lembrei de um texto do gaúcho Pedro Goulart na Zero Hora de sábado. Sou admirador dele, apesar de seu lulismo. Ele escreveu sobre a volta dos homens de farda. É tanta corrupção que algumas pessoas sentem saudade dos milicos nas ruas.
Eu prezo a liberdade acima de tudo. Por isso, prefiro do jeito que está. Pelo menos a imprensa pode denunciar as falcatruas. Naquele tempo, mordaça total. Goulart escreveu sobre isso, preocupado com essas pessoas que sentem saudade dos tanques nas ruas.
Quando vi os tanques na contra-mão, vindo na minha direção levei um susto. Eles chegaram bem perto e dobraram à direita (sim, à esquerda que não seria) e seguiram então pela mão certa, em direção à Ipiranga. Eram tanques e caminhões, que ficaram expostos na Redenção durante todo o dia.
Passado o susto, segui tranqüilo. Na Redação, os gremistas estavam atônitos. Ninguém consegue entender o que está acontecendo com o time. O Chico Izidro jura que ficou zapeando na hora do jogo em Caxias, vendo Boca x River e outros jogos que ele descobre pelo mundo todo. Foi uma fuga. Ele jura que não. "Eu não vivo só neste mundinho", bradou, desdenhando o Gauchão.
O Alfredo Possas, que jura que não é gremista nem colorado, gritou, dentro do seu estilo polêmico: "Esse esquema do Grêmio é errado, mas a imprensa de Porto Alegre, que é quase toda colorada, elogia e o Mano vai atrás". E ele jura que não é gremista.
Agora, o problema do Grêmio como um todo é a falta de qualidade. O time perdia por 2 a 0 e, aos 15 minutos do segundo tempo, o técnico colocou Éverton para reforçar o ataque. Não é de desanimar? Faltam reservas de qualidade para mudar o jogo.
Na minha opinião, Mano escalou bem o time que começou a partida. É o que ele tem à disposição. O problema é que alguns jogadores estão mal. Justamente os melhores: Lucas e Tcheco. Na verdade, poucos se salvaram. O melhor deles foi Carlos Eduardo, que inexplicavelmente ficou no banco contra o Cúcuta.
O Mano, é certo, tem a sua culpa nisso tudo. Ele já tirou mais desse mesmo time. Ontem, teve um agravante: o gol logo aos 5 minutos. Depois, outro, numa falha ridícula do Saja. Agora, independente disso, algo está acontecendo no vestiário. O time caiu demais de produção. Culpa do técnico? Não sei. Se a direção avaliar que sim, a hora de mudar o treinador é agora, já. O Tite está aí.
No sábado, o Veranópolis foi prejudicado pela arbitragem de Leandro Vuaden. No segundo tempo, ele não deu pênalti na bola arremessada ao gol e que foi abafada nos braços de um defensor do Ju, dentro da área. O juiz interpretou bola na mão. É um direito dele. Mas quando a bola bate nas mãos e cai amortecida para o zagueiro sair jogando, é pênalti.
Uma pena para o Veranópolis, mas o Juventude, sem dúvida, tem mais time e vai decidir o campeonato. Com ou sem tanque nas ruas.
Escrito por Ilgo Wink às 19h17
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