Abel, a minha busca pelo 'homo petistus' e, enfim, elogio a Lula
De vez em quando gosto de fazer investigações antropológicas, o que tem muito a ver com o meu espírito indomável de repórter 24 horas.
Foi assim neste sábado, dia 30 de março. Depois do jogo em que o Inter penou para bater o lanterna Gaúcho (ainda por cima desfalcado), em pleno Beira-Rio, fui à luta. Pensei: onde encontrar o ‘homo petistus’? Houve um tempo em que encontraria as lideranças dessa espécie, que parece em extinção, ao menos em termos ideológicos, nos botecos do Mercado Público, na Cidade Baixa e no Bom Fim.
Hoje, só os seres que habitam a base da pirâmide da espécie freqüentam essas áreas da cidade. Os que estão no topo gostam de lugares mais chiques. Foi a partir dessa premissa (baseada nas informações a respeito dos srs. Zé Dirceu, Delúbio, Palocci, Genoíno, etc,que, em Brasília, são vistos com facilidades nos restaurantes mais caros, comendo do bom e do melhor como sempre sonharam enquanto engoliam pão com lingüiça e discursavam contra as ‘elite’ e a burguesia, amealhando votos ), que decidi buscar o ‘homo petistus’ no Moinhos de Vento.
Primeiro, fui no Ko-pi-pí (abrasileirando), eleito o melhor restaurante de Porto Alegre pela quarta ou quinta vez seguida. Queria conhecer esse restaurante tailandês. Ambiente legal, requintado. Fila de espera de pelo menos uma hora. Espiei o cardápio, tudo muito caro. Bem, decidi voltar outra noite.
Rumei para o Peppo, outro restaurante metido à besta. Ali eu deveria encontrar ao menos uma espécie do ‘homo petistus’ ou então outro político qualquer. Eles gostam de ambiente assim, onde o povão não entra. Estava lá saboreando uma massa feita no capricho (pedi a mais barata, 23 reais, porção individual). Mais um vinho, que ninguém é de ferro.
Confesso que não atingi meu objetivo inicial, mas lá pelas tantas sentou um sujeito corpulento quase ao meu lado. Ficou de costas. Estava com uma mulher e uma criança. Resumindo: era o Abel. Falava a todo instante ao celular. Fique ligado, quem sabe não pesco uma informação? Ouvi a palavra Corinthians em determinado momento. Mas foi só.
Fiquei decepcionado. Fracassei como detetive antropológico. E também como repórter esportivo. Na saída, quase esbarro no Hugo de Leon. Abel, De Leon... Humm. Pensei em voltar, para ver se eles haviam marcado um encontro ali. Chovia. Eram quase 23 horas. Desisti.
Minha noite não terminava bem, mas pensei naqueles que estavam retidos em algum aeroporto naquele momento. Nos milhares de cidadãos que tiveram planos desfeitos na véspera em razão da incompetência do governo em resolver o impasse com os controladores de vôo.
Aos que me acusam de só criticar o presidente Lula, um elogio: ele foi sábio ao pagar 57 milhões de dólares por um avião para não depender dos vôos normais. Foi aos EUA e voltou em dois dias. Sem maiores problemas, com todo o conforto, sem atrasos. Seus eleitores? Ah, isso não importa, ele já está eleito mesmo.
Lula anteviu o lance, garantiu o seu.
PS. Por falar em apagão, foi o que deu no Grêmio hoje em Pelotas. Fez uma péssima partida, enquanto o Brasil jogou demais. Jogasse sempre assim estaria brigando pela classificação, não contra o rebaixamento. Só não entende essa do Mano Menezes escalar o Tuta e mantê-lo todo o tempo sabendo que o jogo seria uma guerra para o Brasil. Imagine se perdesse o Tuta por lesão. Ficaria sem ninguém para fazer gol na Libertadores. No mais, 1 a 0 foi até pouco pelo que fez o Brasil, que, felizmente, escapou do rebaixamento.
Escrito por Ilgo Wink às 15h29
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