O Alemão, o Negrão e eu, o Trouxão
Final da noite de domingo. Saí do jornal depois de baixar matérias do Gauchão e fui pra casa. O Inter venceu, o Grêmio venceu e o Juventude venceu. Venceram os melhores, os verdadeiros candidatos ao título. O resto é figurante, como escrevi no começo de fevereiro na coluna De Primeira do Correio do Povo, sob protestos de torcedores do Novo Hamburgo, do Caxias e outros menos votados.
Figurantes também são os participantes do Big Brother, todos fazendo escada para o tal do Alemão, ou Diego, como preferirem, chegar ao um milhão de reais. Nunca foi tão fácil. Sim, saí do jornal e fui assistir aos minutos finais do BB, com certeza a coisa mais chata que já passou na TV, mais chato até que a maioria dos programas de debate esportivo.
Ontem, o Alemão, que mantém aquele cabelo cuidadosamente desgrenhado, humilhou o Negrão, ou Airton. O cara saiu do programa com 91% por cento dos votos do eleitorado. Nove entre dez espectadores optaram pelo Alemão, que, é um baita de um artista, um manipulador, um ilusionista. Um mauca, sem querer ofender. O cara está na dele. Pelo que li, nem se candidatou a participar do BB. Foi ‘descoberto’ numa boate (aí tem).
De repente, não mais do que repente, foi transformado em ícone do besteirol televisivo e deve mesmo levar a grana.
Nada disso me espanta. Já escrevi aqui, pouca coisa hoje em dia me surpreende. Bem, se o Chico Izidro (o festejado autor de Era Vidro e se Quebrou, livro que ainda pode ser encontrado) aparecer me dizendo que virou colorado ou gay (nessa ordem), aí sim ficarei surpreso.
O Alemão, na minha opinião, só está vencendo essa disputa porque vivemos a consagração da Lei do Gérson, aquela de que é preciso levar vantagem em tudo. Não é à-toa que gente como o Lula se elegeu, depois do todo o escândalo que o envolveu (a Procuradoria chegou a falar em quadrilha no governo), e seres como Collor, Sarney, Quércia, Maluf, Zé Dirceu dominam a cena política (e econômica) com as garras afiadas.
Não é por outra coisa também que nesse país em que a verdade deixou de ser ‘verdade verdadeira’, mas aquela que a gente projeta de acordo com interesses diversos, que se discute o gol mil do Romário. O gol que pode ser no máximo o 900, segundo estatísticas sérias, nunca o mil imaginado por Romário em um momento de delírio. Um delírio que leva grande parte da mídia à reboque.
A Globo, por exemplo, abraçou a causa. Sabe que é uma fraude, mas abraçou a fraude porque ela rende audiência e grana. E ainda vejo colegas na redação defendendo essa farsa, que na verdade agora já é um show.
Tudo é um show, um Big Brother que deixa a tela da TV para me engolir. A mim, o Trouxão.
Escrito por Ilgo Wink às 09h47
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