De Caras com o MP e o secretário particular do presidente
Quando o governo Lula começou, assinei a Veja, o Estadão, a Folha e O Globo (quase fui à falência). De quebra, lia os jornais daqui e sempre que possível, dava uma olhada no Correio Brasiliense. E recortava notícias. Tudo o que se referia ao governo e que eu considerava que contribuiria para a queda do Lula, eu recortava.
Eu estava convencido que o governo de Lula e cia. não chegaria ao fim. Em textos mais antigos deste blog eu explico isso.
O governo não caiu. Pior, se reelegeu, depois de tudo que fez e deixou de fazer.
Eu, que me alienara da política vitimado pelo governo FHC, completamente desesperançado de tudo, e me refugiara em coisas mais amenas como futebol, cinema, bares, cerveja, vinho, boa (bem, razoável) comida, etc, acabei ficando cada vez mais enfurecido, puto da cara mesmo, de acompanhar tão atentamente a degradação política, social e econômica do país.
No ano passado, suspendi todas as assinaturas. Só mantive a Veja. Evito ler as coisas que vêm lá de Brasília, mas algumas caem no meu colo quando abro a Internet. Como neste sábado, dia 3 de março. (Daqui a pouco o grande Danrlei enfrenta o Grêmio no Olímpico).
Por exemplo, o Ministério Público (que gente chata, não larga do pé do PT) insiste no caso Celso Daniel (aquele prefeito de Santo André assassinado em 2002). O MP pediu o bloqueio de bens no montante de R$ 5,3 milhões do PT e do secretário particular do atual presidente da República (é, o secretário particular do Lula, esse que não tem nada a ver com o mensalão, valerioduto, etc), Gilberto Carvalho, um filósofo, vejam só, um filósofo.
O negócio envolveria propinas arrecadadas em Santo André e repassadas ao PT, mais especificamente ao então presidente do partido, o sr. José Dirceu. Ainda segundo o MP, o dinheiro (em espécie) era levado pelo Gilberto (repito, secretário particular do homem) em seu carro particular até São Paulo, onde era entregue ao sr. Dirceu. Os recursos serviriam para o financiamento de campanhas do interesse petista. O MP afirma que os acusados “ao exigirem propina, agiram com a clara intenção de locupletar-se e abastecer o PT de recursos não contabilizados”.
É claro que isso não vai dar em nada.
Consciente disso, mas já irritado de novo, decidi assinar a Caras. Como assinante da Veja, tenho desconto. Depois, vou assinar a Contigo, a Vip e a Playboy, que ninguém é de ferro. Por fim, cancelo a Veja.
Meu negócio, agora, é amenidades. E futebol (acho que vou assinar também a Placar). Em breve, Zé Dirceu vai ser apenas o nom de um ponta-direita de um time qualquer.
Para começar essa nova fase, comprei ontem a Caras, edição especial sobre o Oscar. Não sei como pode ter tanta abobrinha numa revista só. E são umas 150 páginas. Não sei o número exato, porque não há numeração nas páginas. Número mesmo só para colocar a idade de cada pessoa citada.
Está lá a Suzana Vieira (64) de mãos dadas na praia com o policial Marcelo Silva (36). É o cara aquele do escândalo. Ela reatou com o cara. Essa história está mal contada.
Tem a Adriane Galisteu (33), ela está em todas, dentro de uma limusine espetacular.
Fiquei sabendo que a Paris Hilton (26), incrivelmente vestida de cima a baixo, participou de uma festa de gala na Suíça, com direito a valsa e a um cachê de 1 milhão de dólares só para circular nos salões elegantes da Ópera de Viena.
Acho que a revista cita mais de mil nomes nessa edição, que comprei também porque acompanha uma coleção de obras primas de grandes pintores.
Tem, de quebra, uma página de palavras cruzadas. A primeira palavra a ser decifrada: capital de Cuba, com seis letras. Por pouco não fechei a revista.
Insisti e fui até o fim. Fui recompensado, nenhuma referência ao Lula.
Foi aí que decidi assinar a Caras.
Escrito por Ilgo Wink às 16h10
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