Pena de morte
Sou a favor da pena de morte.
É um desabafo. Não pretendo converter ninguém, até porque de nada adiantaria. A pena de morte jamais será instituída no Brasil.
As punições aqui são tão amenas que chego a pensar que por trás de leis tão simpáticas aos criminosos está um Fernandinho Beira-Mar da vida. A tal de progressão de pena. O sujeito mata alguém, pega 20 anos de condenação, cumpre um sexto da pena e, pronto!, está solto.
Há casos em que o assassino, réu confesso, crime planejado, fica em liberdade mesmo condenado. Um exemplo: o jornalista do Estadão, Pimenta Neves, que matou a namorada diante de inúmeras testemunhas e continua por aí.
É desanimador.
Eu poderia citar outros casos. São tantos e tão tristes, tão revoltantes, que até faz mal relembrar. Crimes hediondos, crimes planejados e executados friamente. Gente que foi presa e hoje está solta, recomeçando a vida.
Suas vítimas vivem apenas na memória de pais, irmãos, avós, amigos. Tiveram suas vidas interrompidas por alguém que hoje ou mais adiante terá oportunidade de recomeçar, como se tudo não passasse de um pesadelo.
Escrevo. É o que me resta.
Aos familiares das vítimas de violência só resta protestar, gritar, chorar e, com o tempo, aprender a conviver com uma dor não terá fim jamais.
Escrevo motivado pelo bárbaro assassinato do menino João Hélio Fernandes, no Rio. Um dos assassinos é pouco mais que uma criança. Tem 18 anos. Por pouco não é menor de idade. Vai ser condenado. Vinte anos? Trinta? Com bom comportamento estará solto aos 25, 28. Não importa. Ainda muito jovem estará nas ruas de novo.
É justo?
A questão não é SE o assassino ainda pode ser recuperado. A questão é se ele MERECE ser recuperado? Merece que o Estado gaste uma fortuna para mantê-lo vivo? Um sujeito que estupra e mata uma criança, merece que alguém invista um centavo nele? Que tipo de contribuição à sociedade esse tipo de gente pode dar?
A pena de morte não vai resolver o problema, que tem causas muito mais profundas, todos nós sabemos. Mas que vai amenizar, vai. Com punições rigorosas, a criminalidade vai cair.
Agora, punições duras não apenas para os que estão no rodapé da pirâmide social. Também, e principalmente, para os que estão lá no alto: parlamentares, governantes, magistrados, etc.
Há os que são contra a pena de morte porque poderiam ser cometidas injustiças. Inocentes poderiam morrer. Mas não morrem inocentes todos os dias nas mãos de criminosos de todos os tipos? O menino João Hélio Fernandes era culpado de quê?
De estar passeando com a mãe? Ou por acreditar que a violência é algo restrito a uma tela de TV?
Alguém pode imaginar o que esse pobre menino sofreu ao ser arrastado por seis quilômetros? O desespero da mãe, das pessoas nas ruas? Eu não. Ninguém pode.
Pena de morte. É um ato desumano executar alguém? Sim, é.
Mas eu não estou escrevendo sobre seres humanos.
Estou escrevendo sobre seres que perderam a noção de humanidade, de amor ao próximo e a si mesmo, e que na hora de executar alguém não terão compaixão, nem piedade. Seres que fazem do ato de extinguir uma vida um ato de prazer.
Seres que não dão valor à vida e que, portanto, não merecem viver.
Escrito por Ilgo Wink às 00h39
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