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As coisas boas é que valem a pena

Sem muito esforço, poderia relacionar aqui uma série de acontecimentos negativos para concluir que 2006 já vai tarde, mas prefiro lembrar das coisas que me deixaram feliz.

 

E não foram poucas.

 

O problema é que preciso vascular muito no baú da memória para encontrar as coisas que me deram felicidade.

 

Com facilidade encontro as coisas ruins: as agressões ao meio ambiente que estão destruindo o lar da humanidade, a violência desenfreada e crescente, a miséria que se alastra, a injustiça social, a impunidade que estimula novos crimes, a vitória do Lulla e tudo o que está contido nela.

 

Poderia enumerar as coisas que me afetam mais diretamente. Mas é melhor deixar assim.

 

O que não tem solução, solucionado está.

 

Convivo há tanto tempo com algumas dores, que chego a sentir falta delas quando elas se aquietam.

 

Por isso, o melhor é pensar nas coisas agradáveis, alentadoras, estimulantes.

 

Por exemplo, este blog. Aqui, neste meu diário inconstante, posso desabafar, colocar pra fora um pouco do que penso, minhas indignações, minhas opiniões, e um pouco dos meus sentimentos.

 

Só isso já me deixa gratificado. É como tirar um peso das costas. Na verdade, eu preciso escrever aqui de vez em quando. Não como uma obrigação, mas como um momento de prazer, algo que sinto, por exemplo, quando jogo (ou jogava) futebol. Desarmando o atacante, fazendo um lançamento preciso para o gol do meu time, driblando e criando jogadas. Fazendo um gol.

 

Então, este blog me deixa feliz. Assim como tantas outras coisas. Por exemplo, saber que tem gente que vem aqui saber o que estou escrevendo.

Isso é demais. Não tem como medir, avaliar, pesar.

 

É uma das coisas boas que fiz neste ano e que compartilhei com vocês.

 

Foi bom e espero que seja ainda melhor em 2007, que já está aí, à porta.

 

Bem, espero que vocês dois ou três que me lerem também parem um pouco e procurem lá no fundo do baú as coisas que lhes fizeram felizes neste ano que termina.

 

O resto, a gente tira do baú e joga no lixo.

 

Só o que vale a pena guardar são as coisas boas.

 

Vamos em frente com determinação, otimismo e fé (vamos precisar, vamos precisar).

 

Feliz Ano Novo.



Escrito por Ilgo Wink às 10h47
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Raul Carrion, Gullar e Lulla

Eu não pretendia mais falar no Lulla. Afinal, ele ganhou a eleição. Ele ganhou, eu perdi.

Mas hoje, no dia seguinte ao Natal, ao deparar com um , um singelo cartão de 'Feliz 2007' assinado pelo vereador Raul Carrion, do PCdoB, não consegui me conter.

Num lado, Carrion, eleito deputado estadual, dá aquela mensagem tradicional, finalizando com um "São os votos do amigo e companheiro de lutas".

Até aí tudo bem, embora não seja companheiro de lutas dele.

Viro o cartão: há uma ilustração com trabalhadores fazendo uma baita força (todos com cara de boliviano), olhares cansados, tristes.

Ao lado, e aí é que me revolto, um poema do Ferreira Gullar. Eu gosto do Gullar, um grande poeta. Confiram seu site que vale a pena.

E aí me perguntei (já disse, gosto de fazer perguntas pra mim): como é que um sujeito que apoiou o Lula todo o tempo tem a cara de pau de usar um poema do Gullar, que a partir da descoberta do mensalão, passou a atacar Lulla e o PT?

Ele deveria pegar o texto de alguém como o Luís Fernando Veríssimo, por exemplo. Estaria mais de acordo. 

Para encerrar, publico só o começo de um longo artigo do grande Gullar publicado na Folha de São Paulo, em 8 de janeiro de 2006:

"Estranhezas
 

Não lhe parece estranho que o PT, sem dinheiro e endividado, tenha encomendado 2 milhões e 700 mil camisetas para propaganda eleitoral e, ainda por cima, se propunha a construir uma sede nova, oferecendo, só pelo terreno, R$ 15 milhões?

Não lhe parece estranho que a Coteminas, que fez as camisetas, não tenha estranhado um pagamento de R$ 1 milhão feito em dinheiro vivo em vez de cheque? Só faz isso quem pretende ocultar a origem da grana, ou não é?

Não lhe parece estranho que o vice-presidente da República, José Alencar, proprietário da Coteminas, tenha achado natural tal pagamento, alegando que "é legal pagar em dinheiro"?

Não lhe parece estranho que o presidente Lula, ao se referir a mais esse escândalo, tenha dito que a única coisa errada foi o PT ter feito a encomenda e não ter pago? Ou seja, para ele, dinheiro sem origem conhecida é normal?

Não lhe parece estranho que a Receita Federal tenha levado seis meses para pedir informações ao PT sobre suas contas, quando este já havia confessado crime fiscal?

Não lhe parece estranho que o presidente Lula tenha declarado que a oposição a seu governo é golpista, quando, apesar dos escândalos sucessivos, nunca ninguém pediu ao Congresso o seu impeachment?
Não lhe parece estranho que Marcos Valério, que armou toda essa falcatrua, queime documentos para impedir as investigações e continue solto por decisão judicial?"

Por favor, respeitem o Fernando Gullar, que termina assim o seu brilhante texto:

"Afinal de contas, este é o novo samba-do-crioulo doido ou a comédia dos caras-de-pau?

Na minha época do Luna Bar, no Leblon, se alguém da turma dos bebuns dizia um disparate, os outros o gozavam:

— Parece que bebe!

É o que dá vontade de dizer deste governo:

— Parece que bebe!"

 


 



Escrito por Ilgo Wink às 21h42
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