O Inter no topo do mundo
Há silêncio na redação do CP. Cheguei um pouco antes do meio-dia. Daqui a pouco chega o pessoal da editoria de esportes. Temos um caderno especial para fechar.
Inter campeão do mundo!
O silêncio só é rompido por um ruído intermitente do aparelho ar-condicionado. Por vezes, ao longe, estouram foguetes.
A torcida colorada tomou as ruas. Faz a sua merecida festa. Afinal, o Inter é campeão do mundo, batendo nada mais nada menos do que o poderoso Barcelona.
O astrólogo errou. Eu acertei. Acho que vou mudar de profissão. Antes da Copa, preví que o Brasil fracassaria na Alemanha.
Mas não tenho bola de cristal, nem consulto os astros.
Me valho, basicamente, do meu conhecimento de futebol, do ser humano e da vida. Aprendi que nada é definitivo, que nada é incontestável.
Enfim, que ninguém ganha alguma coisa sem lutar, nem perde por antecipação.
No texto anterior deste blog, escrito no sábado à tarde, escreví que o Inter tinha todas as chances de vencer o Barcelona.
Venceu. Poderia ter perdido, mas venceu. Venceu porque foi bravo, valente, cuidadoso, determinado e, acima de tudo, arrojado. Não se curvou diante de RG e cia.
O jogo mostrou mais uma vez o que eu penso do RG. E escrevi isso antes da Copa do Mundo. É um craque. Um talento, mas na hora do aperto, na hora da dificuldade, ele se esconde, se omite. Agora, quando as coisas ficam mais fáceis, ele brilha.
Não é como seu companheiro Deco, por exemplo. Ou como o Iarley, que passou o tempo todo chamando o jogo para si, sem medo de ser feliz. E Iarley cresceu ainda mais quando Fernandão, o líder do time, a cabeça pensante do time, saiu.
É nessa hora que se percebe não apenas o jogador talentoso, mas acima de tudo o homem.
Quero destacar, também, o Abel Braga. O que se disse dele. O que ele ouviu de crítica. Apostou em Clemer, quando todos os colorados queriam Renan.
Apostou em Adriano, igualmente desprezado pelos colorados. E Adriano fez o gol do título mais importante da história do Inter. Apostou no Rubens Cardoso, que liquidou com o Zambrotta (eu não disse que ele é o Ceará com grife?) e com Giuly, um Rafinha com sotaque francês.
Abel Braga, o grande responsável por esse título. Imaginem o que ele faria se tivesse o Tinga e o Sobis? Passaria por cima do Barcelona, o ex-melhor do mundo.
Agora, nenhum clube está acima do Inter.
O Inter no topo do planeta.
Escrito por Ilgo Wink às 11h28
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