A eleição colorada e os cartolas
Às vésperas de disputar o título mais importante de sua história, o Inter consegue criar uma crise envolvendo a direção e seu conselho deliberativo.
Os grupos envolvidos na eleição de renovação parcial do conselho estão quase se pegando a tapa. Os opositores reclamam que não é possível realizar a eleição no dia do jogo de despedida do Inter, sábado, contra o Goiás.
Alegam que haverá colorados demais no Beira-Rio e, por conseqüência, é razoável supor, um número grande de sócios participando desse ato democrático.
Um volume grande de eleitores tem mais possibilidade de traduzir a vontade de um determinado universo, no caso a grande nação vermelha, do que dois ou três mil sócios mais engajados à essa ou àquela corrente.
Diante dos resultados de campo, é óbvio que quanto mais eleitores, melhor para a situação.
Então, temos as oposições unidas contra a eleição sábado. Devo supor, então, que não lhes interessa a vontade da imensa maioria dos colorados.
Hoje, o presidente do conselho, Pedro Paulo Zachia, que seria da ala oposicionista, segundo o presidente Fernando Carvalho, disse que a eleição não sai mais neste sábado porque a Brigada Militar não consegue garantir a segurança do evento.
Seriam três eventos ao mesmo tempo e na mesma área: o jogo, a eleição e uma grande festa no Porto do Sul. Acho que há um excesso de zelo da BM, até porque o público da eleição é o mesmo que vai ao jogo. Além disso, a eleição por si só não levaria mais que quatro mil torcedores ao estádio.
Então, a rigor, em termos de segurança, há um único evento no Beira-Rio.
Agora, a direção colorada foi esperta. Articulou a antecipação do jogo. No sábado, após a vitória sobre o Palmeiras, o dirigente Vitório Piffero já anunciava que o clube pediria a antecipação, até para preparar melhor o grupo para a viagem.
Nada mais inteligente e sensato, só que a iniciativa embutia uma vantagem eleitoral, claro. Ninguém aqui é bobo.
Depois, garantida a antecipação do jogo, os dirigentes colorados alegaram que era coisa da TV, não do Inter.
Deveriam assumir a iniciativa, porque, apesar de haver aí uma jogada eleitoral, há, antes de tudo, os interesses maiores dos colorados: a conquista do Mundial.
E, nesse aspecto, que é o único que realmente interessa para os colorados, a antecipação do jogo veio em boa hora. E isso vale para os opositores também, porque mais do que qualquer coisa eles querem festejar o título mundial interclubes. Ou estou errado?
Coisas de cartolas...
Escrito por Ilgo Wink às 21h11
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