Da Vinci, o Pato (cisne?) e a casca de banana de Odone
A Kaiser criou, ao menos nos mais ingênuos, uma certa expectativa ao inventar um romance entre a bela Karina Bachi e o baixinho bigodudo dos seus antigos comerciais.
Era, evidentemente (não existe chance de uma mulher como a Karina se envolver com um sujeito como aquele), uma estratégia de marketing, que aguçou a curiosidade de boa parte das pessoas, preparando-as para a nova campanha da cerveja.
Curiosidade maior ainda percebo agora em torno do Alexandre Pato, um garoto de 17 anos que é apontado por alguns como craque do nível de Ronaldinho Gaúcho.
É o melhor jogador que, na verdade, ninguém viu jogar. Um fenômeno. Estamos mesmo vivendo um tempo de excesso de velocidade. Como certos vinhos, lançados apressadamente, sem a necessária maturação.
Perguntei há pouco ao setorista do Inter, Fabrício Falkowski, que se ufana de ter em seu currículo a "descoberta" de Nilmar ("Eu fui o primeiro a dizer que o Nilmar era um craque", grita, batendo no peito) se o Pato é mesmo um craque? Sim, foi a resposta.
Fabrício admite que só viu treinos. Outros que viram o Pato jogar não se entusiasmaram. Pelo menos nunca expressaram isso publicamente.
Hoje, ligo o rádio e leio nos jornais, analistas insistindo que o Pato deve ser titular no Japão, ao lado do Iarley. Eles também pouco sabem sobre o jogador. Mas ouviram dizer que ele é um craque. E ponto final.
Lembro que o Ronaldinho, tido como craque desde os dez, onze anos, demorou para se firmar no Grêmio. Aprendi que o entusiasmo desenfreado ensurdece. Ninguém me ouve. O Pato deve jogar e pronto.
Pois bem, domingo ele deve jogar contra o Palmeiras. Deve. Mas não duvido que Abel mantenha a expectativa até o Mundial.
Afinal, não sei se estamos falando de futebol ou de marketing esportivo.
De minha parte, torço para que Pato resista a tanta pressão e mostre, em campo, jogando uma partida entre os titulares (neste domingo ou contra o Barcelona), que confirme tudo o que dele se diz e se revele um belo cisne.
Para reflexão: "É preciso verificar. Nada nos engana tanto quanto a nossa própria opinião", Leonardo da Vinci.
A CASCA DE BANANA
Logo que o jogo terminou, sábado, após a vitória sobre o Santa Cruz, o presidente Paulo Odone, um dirigente inteligente e esperto, deixou escapar assim como quem não quer nada, que esperar ultrapassar o Inter no Brasileirão.
Pronto. A pretensão enlouqueceu o pessoal do Inter. O foco para o Mundial foi adiado. A meta agora é não terminar atrás do arquiinimigo no campeonato. Não me venham com essa história que é preciso manter os titulares em plena atividade.
O jogo é de alto risco. O Palmeiras joga a sua vida na primeira divisão. A chance de lesão não é pequena. O Inter pode perder algum jogador para a competição mais importante de sua história. Não importa. Pelo jeito, Fernando Carvalho e cia acham que vale a pena correr o risco só pra não deixar o Grêmio passar à frente. O que faz essa rivalidade...
O Inter escorregou na casca de banana de Odone, que, como todos os gremistas, está enlouquecido com a possibilidade de que o Inter também conquiste um título mundial de clubes. Tudo o que ele quer é que o Inter vá desfalcado para o Mundial. A continuar assim, pode conseguir.
Escrito por Ilgo Wink às 20h52
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