O grande Renan e os quero-queros do Olímpico
O Inter provou, para quem ainda tinha alguma dúvida, que é melhor que o Grêmio. Mesmo sem Fernandão, fez a festa na casa do arquiinimigo.
A alegria colorada neste domingo só não foi completa porque o São Paulo também venceu, mantendo a diferença.
Agora, o que o Inter fez nas últimas seis rodadas é algo extraordinário. Seis vitórias, nenhum gol sofrido. Se o São Paulo não estivesse tão bem, o Inter reverteria a situação e acabaria campeão brasileiro.
RENAN
Atribuo boa parte desse desempenho sensacional, inédito até agora nesta competição, ao jovem goleiro colorado. No Gre-Nal, ele foi decisivo. Saiu do gol com precisão absoluta em todos os lances, neutralizando a jogada aérea do Grêmio. Pelo chão, foi ágil e eficiente ao bloquear o lance de Hugo no segundo tempo, pela esquerda.
(Questão de ordem: o Marcelo e o Galatto são bons, mas não podem ser titulares do Grêmio. Ponto final.)
É verdade que a zaga colorada também esteve iluminada. Afastou quase todas as bolas pelo alto. O Grêmio não conseguiu nenhum cabeceio perigoso.
É por aí que eu poderia começar a explicar a justa vitória do Inter, mas começo realmente pelo começo.
MANO MENEZES
O Grêmio começou a perder graças ao seu treinador. Se ele não conhece Herrera, tudo bem que começasse a partida com o argentino. Mas ele conhece Herrera. Os quero-queros do Olímpico conhecem o Herrera. Sabem que ele só pode jogar 20 minutos, no máximo. E sempre entrando no final.
Fora isso, é começar com dez jogadores. Então, o Grêmio começou o Gre-Nal com dez. E coube a Herrera o lance mais bisonho do clássico, um lance que só confirma o que escrevo. Bruno Teles entregou um gol de bandeja e Herrera conseguiu errar em bola na frente de Renan, na risca da pequena área.
O erro de mano é duplo, porque perdeu também o seu maior trunfo, um jogador que sempre que entrou no final deu importante contribuição, inclusive fazendo gols decisivos.
Assim, quando perdia por 1 a 0, Mano já não tinha Herrera para colocar. Tinha Rafinha, que é o mesmo que nada. Tinha Ramón. Quer dizer, ficou sem a sua mais forte opção para agitar na frente e perturbar a zaga colorada, que passeou no Olímpico, sem ser perturbada por Rômulo.
Resumindo: Mano queria surpreender Abel e se deu mal, muito mal. A maior surpresa seria Herrera jogar bem uma partida entrando no início. Mas aí não surpreendia apenas Abel, surpreenderia até os quero-queros do Olímpico.
Só não responsabilizo Mano pela derrota porque, tivesse ele um grupo de melhor qualidade, esse erro seria superado com naturalidade.
LIBERTADORES
Foi a segunda derrota seguida em casa. A continuar assim, a vaga na Libertadores fica ameaçada. Se o Vasco também não tivesse caído nas duas últimas rodadas, a situação começaria a ficar crítica, porque o Paraná já está encostando.
Na quarta-feira, o Grêmio pega o Juventude, no Jaconi. Em casa, o Ju é quase imbatível, ainda mais quando precisa da vitória, porque perdeu no sábado para o Figueirense. Aliás, o Figueira venceu cinco dos seis jogos que disputou contra os gaúchos.
Há quem diga que o Ju é freguês do Grêmio. O coloradão Élio Bandeira, colega aqui do CP, jura que o Grêmio ganha lá. "Está no contrato. O Ju precisa sempre perder para o Grêmio", brinca ele, insinuando que o Juventude tem parceria com o Grêmio.
É uma bobagem sem tamanho, só superada por essa do Mano de começar uma partida com o Herrera.
Escrito por Ilgo Wink às 19h25
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