Choque de gestão, Kaká e a tia velha
Nada como um ‘choque de gestão’ para alterar o rumo das coisas. Vale para tudo, da vida pessoal até a própria humanidade, passando pelo futebol.
Houvesse hoje um choque de gestão no planeta, ainda poderíamos evitar a catástrofe que vem sendo preconizada por cientistas há muito tempo.
Estamos destruindo a nossa casa, o nosso lar. Nos últimos anos, 13 mil quilômetros de floresta amazônica foram desvastados. Vocês sabem o que são 13 mil quilômetros? E este é apenas um dos crimes que estamos cometendo contra nós mesmos.
Podemos aplicar, também, um choque de gestão em nossas vidas. Às vezes, não o fazemos por comodismo. Outras, porque não sabemos o que fazer. Ou porque não acreditamos em nosso potencial de mudança. Por medo, muitas vezes. Talvez por despreparo.
Outras vezes o choque de gestão acontece involuntariamente, de fora para dentro, digamos. E aí ficamos numa situação difícil.
Ou reagimos ou afundamos. Já passei por isso... Acho que não afundei.
A Ponte Preta, ameaçada de rebaixamento, fez o seu choque. Afastou quase um time inteiro e apelou para a gurizada do clube. Colocou um time jovem e inexperiente em campo e por pouco não venceu o líder e virtual campeão brasileiro, o São Paulo, ontem, em pleno Morumbi. O time de Muricy, um técnico que tem apreço por morrer na praia, só empatou através de um pênalti, aliás, muito discutível. Na verdade, um presente do árbitro.
Presente, também, foi o pênalti que o Botafogo deu para o Inter, já nos acréscimos. O atacante colorado foi empurrado por trás. Pênalti. O árbitro Wilson de Souza Mendonça quase apanhou. O mesmo juiz, porém, deixou de dar um pênalti a favor do Botafogo no primeiro tempo (se bem que foi um daqueles que ninguém dá, a não ser que queira dar uma mãozinha mesmo), enquanto um dos seus auxiliares invalidou dois contra-ataques mortais dos cariocas no segundo tempo, anotando impedimento. O técnico Cuca quase pirou nesses dois lances, bem à sua frente. É por isso que deu tanta confusão no final.
O fato é que o Inter venceu e diminuiu a distância para o líder. Se bater o Grêmio, domingo, e o São Paulo cair na Vila Belmiro (dois resultados muito lógicos), o campeonato vai esquentar no final.
Caso contrário, vai ficar nesse chimarrão com água morna e erva lavada até a última rodada. De quente, mesmo, só a disputa pelo rebaixamento, o que, convenhamos, é pouco para uma competição que já foi marcada por muita emoção.
Saudade do formulismo.
O futebol brasileiro também está precisando de um choque de gestão.
OS RONALDOS E O MELHOR DO MUNDO
Ronaldo, o “quente”, como diz o gremistão Chico Izidro (combativo dirigente da Associação dos Inimigos do Ronaldinho Gaúcho, da qual fazem parte muitos jornalistas esportivos da praça), declarou ontem que vai parar de jogar aos 35 anos.
Ele está com 30. E eu poderia jurar que o Ronaldo já largou o futebol. Ao vê-lo entrando nos minutos finais do último jogo do Real Madrid, não fiquei com pena porque ele está com a vida mansa. A dele e a de suas próximas gerações.
Como diz o Edegar Schmidt, espirituoso e competente comentarista esportivo da Rádio Guaíba, ele parecia uma tia velha (com todo o respeito às minhas tias). Aliás, o Edegar usa tanto essa expressão que qualquer hora vai levar uma surra de uma tia-ouvinte.
Pois se o Ronaldo está mais para ex-atleta, o Kaká transborda qualidade, energia, dinamismo, técnica. Sem contar que é bom caráter. Um craque dentro e fora de campo. O técnico do Milan chegou a dizer que o Kaká é melhor que o Ronaldinho Gaúcho.
Bem, eu já digo isso há muito mais tempo. Mas é bom saber que começo a ter companhia, e da melhor qualidade.
Escrito por Ilgo Wink às 09h43
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