A tragédia que soterrou a montanha de dinheiro do dossiê
A tragédia com o avião da Gol na sexta-feira ocupou todos os espaços na mídia. Sábado, os jornais e os sites que sairiam com manchetes sobre a montanha de dinheiro destacaram, e com razão, o acidente que vitimou 155 pessoas.
Eu, que detesto viajar de avião, fiquei abalado. Tentei imaginar o que sentiam as pessoas naqueles segundos – em casos assim, cada segundo é uma eternidade – até o choque no chão. A dor, a angústia, o desespero.
Na semana que vem devo ir ao Rio depor no julgamento do Abel (o caso aquele em que ele chamou o juiz de medroso e cagão). Sou testemunha de defesa. Vou de avião. De avião. Pela Tam, me recuso. Agora, a Gol. A Varig, a única em que confiava, não sei como anda.
Sou capaz de ir de ônibus.
Muito tempo atrás, fui fazer uma cobertura de um jogo do Inter em Maringá. Nossa equipe foi de avião até Curitiba. De lá, a viagem seria num jatinho. Não entro em avião pequeno nem amarrado. Nem bêbado.
Meus colegas – o fotógrafo e o pessoal da rádio Guaíba – foram nesse aviãozinho. Antes, tomaram um litro de uísque. Eu fui para um hotel, dormi e no outro dia fui de ônibus para Maringá. Cheguei de noite. Que viagenzinha!
Estatisticamente, viajar de avião agora é seguro. Novo desastre desse tipo só daqui a alguns anos. Isso pela lei das probabilidades.
Agora, estatisticamente falando, essa tragédia – especialistas não conseguem entender o que ocorreu, é um mistério - acontecer logo no dia em que os jornais dariam amplo destaque aos dólares e aos reais do dossiê armado pelos petistas é também algo fantástico.
Caiu do céu – literalmente – para o PT. Se era para acontecer, aconteceu no momento adequado para essa facção.
O PT fez de tudo para impedir a divulgação das fotos. Teve até intervenção do ministro da Justiça, pelo que andei lendo. O delegado da PF, Edmilson Bruno, que prendeu os petistas no hotel com parte da grana foi afastado do caso no dia seguinte. Quinta-feira, indignado, ele vazou as fotos para o Estadão. Vai ser punido. Na segunda-feira, ele promete grandes revelações.
Se eu fosse ele, tomaria bastante cuidado. A frase da Heloísa Helena e, entre outros, o episódio da morte do prefeito de Santo André Celso Daniel (na seqüência outras pessoas envolvidas com o caso morreram) continuam vivos no meu pensamento.
“... é uma organização criminosa capaz de roubar, matar e liquidar quem passa pela frente ameaçando seu projeto de poder”, disse HH, referindo-se a estrutura que seria comandada pelo sr. Lula.
A tragédia no Pará tirou o foco da dinheirama toda e dividiu as atenções com a eleição.
Estou saindo agora pra votar na Yeda e no Cristovam.
E vamos pro segundo turno. Aqui, sem o bigodão.
Escrito por Ilgo Wink às 10h44
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