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A morte da esperança

Joguei a toalha. O ano pra mim já terminou. Depois do que aconteceu nos últimos dias, perdi completamente a esperança.

 

Se a esperança é a última que morre, acho que já morri, porque a esperança em mim se foi.

 

Saiu voando e chocou-se em pleno ar com um jatinho da Embraer?

afogou-se no mar de lama do partido dos detentores “da ética, da competência e de todas as virtudes”?

esvaiu-se em sangue num beco escuro de Santo André?

Perdeu-se na escuridão de uma urna eletrônica?

 

Sei lá. Só sei que não tenho mais esperança.

 

Se “a esperança é o mais tenaz dos sentimentos humanos”, como disse Rui Barbosa, talvez o mais sábio dos brasileiros de todos os tempos, então eu estou mesmo ferrado.

 

Nada mais me resta, a não ser este blog para esparramar a minha frustração, a minha decepção, a minha desesperança. Preciso recorrer de novo a Rui Barbosa:

 

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

 

É trecho de um discurso proferido no Senado, no início do século passado.

 

Traduz o que sinto nesta hora.

 

Por isso, melhor é mudar de assunto. Escrever sobre amenidades, falar de flores, de cinema, do RDB, do Alfredo Possas. Quem sabe um pouco de poesia. Mas é possível falar em poesia nesta hora?

 

Resta o futebol.

 

Mas aí também já não há esperança.

 

Depois dos resultados de ontem do Campeonato Brasileiro, o São Paulo já é campeão. Nada mais nos resta.

 

Decididamente, perdi a esperança.



Escrito por Ilgo Wink às 10h14
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Collor, Maluf e Lulla: o time está completo

A redação do Correio do Povo estava agitada, ontem à noite. Todos acompanhavam a apuração, entre um texto e outro. No esporte, não era diferente. O Hiltor Mombach parecia um comentarista político. Fazia avaliações de tudo que é jeito. Não tirava os olhos do site do CP para acompanhar quem estava se elegendo.

 

E nada de escrever a sua coluna. Acho que se pudesse ele trocaria a De Primeira pela coluna do Armando Burd, nosso colunista político. Pelo menos ontem. Quase sugeri que ele subisse e entrasse no ar pela rádio Guaíba para analisar a eleição ao lado do Joabel e do Reche.

 

Lá pelas 19h chega um dos petistas da editoria de esporte (são apenas dois, felizmente). Está agitado. Ansioso. Olívio está superando Rigotto por uns 3 mil votos. Lulla bate  Geraldo, mas o resultado é apertado. Naquele momento já havia indicativo de segundo turno.

 

Irritado com o tiro que saiu pela culatra (todos votando na Yeda para tirar o Olívio e quem acaba se ferrando é o Rigotto paz e amor), não queria saber da eleição. Pelo menos não queria conversa. Ainda mais com petista.

 

Acho que já escrevi aqui: não gosto de petistas nem de fumantes. Os produtos que eles expelem (idéias e fumaça) me irritam profundamente.

 

O petista insiste em conversar. Como eu não ligo, ele fala mais com o Hiltor, que está ao meu lado e eu, obrigatoriamente, ouço tudo. Estou com o rádio ligado, fones nos ouvidos, mas não adianta: eu ainda os ouço.

 

Na tela do computador, um texto que não consigo concluir sobre o empate do São Paulo. Não consigo me concentrar. Olívio superando Rigotto e Lulla encaminhando a vitória no primeiro turno são coisas insuportáveis. E ainda tem a Manuela-e-aí-beleza.

 

O petista tanto insiste que acabo olhando pra ele. “Olha só, o Collor está se elegendo”, exclama, como quem diz “esse corrupto está voltando”. Depois, acrescentou uma crítica a Heloísa Helena (os petistas resistentes e/ou envergonhados odeiam a HH porque ela teve a coragem de mudar diante do que viu e eles não), que por culpa dela o Collor estava vencendo. Ela seria a candidata ao senado por Alagoas, mas, valente, trocou uma eleição certa para desafiar Lulla, Zé Dirceu, José Genoíno, etc.

 

Não falei nada. Só olhei pra ele rapidamente. Tinha vontade de responder, mas, como já disse, não consigo mais falar com eles, ao menos sobre política. Mas pensei: está tudo certo, se o Lulla continua na presidência depois de tudo e ainda pode ser reeleito, por que o Collor não pode voltar?

 

Na ótica petista tudo o que Lulla e a companheirada fizerem está bem feito. Pra eles, há diferença entre Collor (e também Maluf) e Lulla. Pra mim, não.

 

Tem como conversar sobre política com os petistas?



Escrito por Ilgo Wink às 10h02
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A tragédia que soterrou a montanha de dinheiro do dossiê

A tragédia com o avião da Gol na sexta-feira ocupou todos os espaços na mídia. Sábado, os jornais e os sites que sairiam com manchetes sobre a montanha de dinheiro destacaram, e com razão, o acidente que vitimou 155 pessoas.

 

Eu, que detesto viajar de avião, fiquei abalado. Tentei imaginar o que sentiam as pessoas naqueles segundos – em casos assim, cada segundo é uma eternidade – até o choque no chão. A dor, a angústia, o desespero.

 

Na semana que vem devo ir ao Rio depor no julgamento do Abel (o caso aquele em que ele chamou o juiz de medroso e cagão). Sou testemunha de defesa. Vou de avião. De avião. Pela Tam, me recuso. Agora, a Gol. A Varig, a única em que confiava, não sei como anda.

 

Sou capaz de ir de ônibus.

 

Muito tempo atrás, fui fazer uma cobertura de um jogo do Inter em Maringá. Nossa equipe foi de avião até Curitiba. De lá, a viagem seria num jatinho. Não entro em avião pequeno nem amarrado. Nem bêbado.

 

Meus colegas – o fotógrafo e o pessoal da rádio Guaíba – foram nesse aviãozinho. Antes, tomaram um litro de uísque. Eu fui para um hotel, dormi e no outro dia fui de ônibus para Maringá. Cheguei de noite. Que viagenzinha!

 

Estatisticamente, viajar de avião agora é seguro. Novo desastre desse tipo só daqui a alguns anos. Isso pela lei das probabilidades.

 

Agora, estatisticamente falando, essa tragédia – especialistas não conseguem entender o que ocorreu, é um mistério -  acontecer logo no dia em que os jornais dariam amplo destaque aos dólares e aos reais do dossiê armado pelos petistas é também algo fantástico.

 

Caiu do céu – literalmente – para o PT. Se era para acontecer, aconteceu no momento adequado para essa facção.

 

O PT fez de tudo para impedir a divulgação das fotos. Teve até intervenção do ministro da Justiça, pelo que andei lendo. O delegado da PF, Edmilson Bruno, que prendeu os petistas no hotel com parte da grana foi afastado do caso no dia seguinte. Quinta-feira, indignado, ele vazou as fotos para o Estadão. Vai ser punido. Na segunda-feira, ele promete grandes revelações.

 

Se eu fosse ele, tomaria bastante cuidado. A frase da Heloísa Helena e, entre outros, o episódio da morte do prefeito de Santo André Celso Daniel (na seqüência outras pessoas envolvidas com o caso morreram) continuam vivos no meu pensamento.

 

 “... é uma organização criminosa capaz de roubar, matar e liquidar quem passa pela frente ameaçando seu projeto de poder”, disse HH, referindo-se a estrutura que seria comandada pelo sr. Lula.

 

A tragédia no Pará tirou o foco da dinheirama toda e dividiu as atenções com a eleição.

 

Estou saindo agora pra votar na Yeda e no Cristovam.

 

E vamos pro segundo turno. Aqui, sem o bigodão.



Escrito por Ilgo Wink às 10h44
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