As canetas do Hiltor, a punição e o astrólogo
As noites de sextas-feiras na redação do Correio do Povo são sempre muito movimentadas. São duas edições para serem fechadas. Isso não impede, porém, que a turma da editoria de Esportes passe boa parte do tempo fazendo brincadeiras.
São os discursos desvairados do Alfredo Possas. ‘Esses fortões criados em Academias é que queimaram os banheiros no Beira-Rio’, repete o Possas. Sim, ele é repetitivo. Fala alto pra chamar a atenção. Louco por um debate. Só pára quando ninguém dá bola ou quando alguém de outra editoria faz um “psiu” ou, quando não adianta o pedido sutil, grita silêncio.
São as gargalhadas do Chico Izidro. Nunca vi o Chico rindo. Ele sempre gargalha. É coisa de se ouvir lá no segundo andar do prédio, onde fica a Rádio Guaíba. Quando o barulho está demais, o chefe da redação, o Telmo Flor, grita de sua sala, onde antes, muito tempo atrás, ficava o Breno Caldas: “O pessoal da Caixa Federal não está conseguindo trabalhar”. A matriz da Caixa em Porto Alegre fica do outro lado da rua.
Então, a turma se aquieta. Por alguns minutos é possível ouvir o ruído dos dentes do Hiltor mastigando uma caneta Bic. Sim, ele gosta de mastigar canetas. A gaveta dele é um cemitério de canetas consumidas lenta e nervosamente. E ele mastiga as canetas até o fim, até restar um pedaço tão pequeno que já não dá pra escrever. Eu, que sento ao lado, sempre tomo o cuidado de não deixar a minha caneta sobre a mesa. Se eu vacilo, a coitadinha é devorada. Acho que vou usar caneta de outra marca, talvez resolva.
Tudo isso pra dizer que nos últimos dias o pessoal do Esporte, eu, inclusive, está muito alvoroçado. É o Inter chegando ao título da Libertadores. É a punição do Grêmio.
Quero dizer, deixar bem claro, que sou contra os oito jogos de punição. Os clubes não tem poder para controlar o desvario de torcedores irresponsáveis, alguns cheios de drogas na cabeça. Se nem os pais têm controle sobre os atos de seus filhos, um clube o terá em relação aos seus torcedores?
Antes do Gre-Nal, a direção lançou alertas sobre eventuais atos de vandalismo. Aí, aparecem uns louquinhos (50, 100, 300, não importa), liderados por meia dúzia de incendiários, e o clube é que paga.
O certo é colocar esses marginais na cadeia. Ou ao menos responsabilizá-los criminalmente. Todos eles. São adultos, que respondam por seus atos.
O astrólogo
Ontem, a minha colega, a coloradíssima Carmem Dora, me procurou na redação pra dizer: “O teu astrólogo se quebrou. Mandei a previsão errada dele pra todos os meus amigos”.
Outro colega, o Márcio, produtor de esportes da Guaíba, também anda me corneteando (no bom sentido) aqui no blog. Tudo bem.
O problema é que o “meu” astrólogo, o Bruno Vasconcelos, é perito em ler os astros, não na escrita. O que ele está prevendo para o dia 16, dia da final da Libertadores, é que não há nada de expressivo no mapa astral colorado. O que o levou a dizer que não será um dia de movimentação, de onde concluiu que então não será de título.
Ele errou: será um dia de movimentação intensa.
Se a partir dessa premissa equivocada também a conclusão final estiver errada (o Inter não ganhar o título), teremos então um erro colossal (raríssimo) do meu amigo Bruno, que é só um astrólogo, um excelente astrólogo, não é Deus.
No mais, vamos torcer pelo título do Inter e para que o Grêmio anule a punição. Afinal, a gente não quer o bem dos clubes gaúchos? Eu quero.
PS: recado ao colega Carlos Corrêa: Não, eu não esqueci o Lulla. Infelizmente está cada vez mais presente, mas não há muito o que eu possa fazer a respeito.
Escrito por Ilgo Wink às 10h05
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