O Sr. Simon
A arbitragem do sr. Carlos Simon foi uma calamidade. Uma sucessão de erros que começou naquele absurdo de não marcar infração de Clemer, que pegou a bola com a mão no recuo de Bolívar, aos 6min. Um escândalo que ficará por isso mesmo.
Para ser indicado árbitro brasileiro na Copa do Mundo, o sr. Simon passou numa série de provas. Pelo que vi neste 1º de abril, fico me perguntando se foi realizado um exame oftalmológico nesses testes da Fifa. Acho que não, como pudemos ver nesse Gre-Nal de 0 a 0.
No segundo tempo, aos 8min, Ricardinho escapou pela esquerda e foi derrubado dentro da área por Ceará. Simon estava perto e nada marcou.
Depois, aos 14, Alessandro entrou sobre a bola, criminosamente, acertando Fabiano Eller. O zagueiro colorado fez o que qualquer um faria, levantou-se e encarou Alessandro. Não o agrediu. Houve tumulto.
O sr. Simon, que era um grande árbitro quando não apitava o jogo para si mesmo, acomodou: expulsou os dois. Apenas Alessandro merecia o cartão vermelho. E mais uma vez o árbitro estava muito perto do lance.
Até ali, ele já havia cometido uma série de equívocos, invertendo faltas e sendo condescendente com algumas jogadas mais duras de parte a parte.
Mas o pior estava por vir.
Aos 32, Tinga calçou Tcheco pela direita, na risca da área. O sr. Simon estava próximo – ele está sempre próximo, e aí talvez a sua única qualidade hoje – e deixou o jogo correr como se nada tivesse acontecido.
Aos 35, Tcheco escapava pela esquerda, no meio de campo, quando foi derrubado por Fernandão. Não foi uma falta forte, mas o jogador colorado foi apenas no corpo do meia gremista, parando a jogada. Um cartão vermelho poderia ter sido aplicado. Fernandão levou apenas o amarelo.
Aos 40, o sr. Simon negou o seu próprio critério. Clemer agrediu Herrera após uma dividida de bola entre os dois. Enfim, fez o que Fabiano não havia feito em Alessandro e, ainda assim, foi expulso.
Aí, o sr. Simon escancarou o seu lado de ator. Sério, testa franzida, mostrando o apito, foi para cima do goleiro. Mas não deu sequer o cartão amarelo. Afinal, para que se incomodar? Faltava pouco para terminar o jogo.
Dois minutos depois, Tinga, que já tinha o cartão amarelo, acertou uma cotovelada em Wellington e um pontapé em Herrera. Ficou por isso mesmo.
Afinal, para que se incomodar?
Prova
Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre quem foi mais prejudicado pela arbitragem resta ouvir o disseram os dirigentes colorados. Tanto Carvalho como Piffero gostaram da atuação do sr. Simon. O presidente colorado viu apenas um erro, aquele que o mundo viu inteiro viu, menos o trio de arbitragem: a falta de Clemer no recuo de bola de Bolívar.
O jogo
O Gre-Nal, porém, teve mais que os erros de arbitragem.
Foi surpreendente. O Grêmio contrariou a sua precariedade e o Inter não justificou o seu favoritismo.
O time colorado até poderia ter largado na frente. Teve duas belas chances de gol, uma com Michel e outra com Fernandão, no cabeceio para a sensacional defesa de Marcelo. Na seqüência, Iarley perdeu o gol.
O Grêmio só criou oportunidades claras de gol no segundo tempo. Penso que a retirada de Perdigão, no intervalo, foi prejudicial ao Inter, que perdeu o meio-campo a partir daí. Aos 2min, Ricardinho entrou livre pela esquerda e Clemer salvou. Depois, Ramon cabeceou e Bolívar salvou para escanteio. Aos 22, Ramon recebeu pela livre e chutou por cima, de forma ridícula. Aos 34, Herrera quase marcou, cabeceando desviado com Clemer já batido.
Destaques
Lucas foi o grande nome do Gre-Nal. Há algum tempo escrevi que ele é craque (dentro de um novo conceito de craque), por isso não tenho muito mais o que dizer. Só acrescentaria que Lucas ofuscou Tinga, seu paralelo no Inter. E sem fazer faltas, ao contrário do grande volante colorado.
Depois, destaco Jeovânio, Bolívar e Evaldo.
Ah, Mano Menezes ganhou o duelo tático com Abel Braga.
Escrito por Ilgo Wink às 18h11
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